É tempo de home office

Saiba quais são as alternativas oferecidas pelo franchising para atender a demanda pela jornada de trabalho com horário flexível

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É tempo de home office

Saiba quais são as alternativas oferecidas pelo franchising para atender a demanda pela jornada de trabalho com horário flexível

No final de 2019, a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) completou dois anos em vigor. De acordo com o governo brasileiro, ela foi aprovada para flexibilizar o mercado de trabalho e simplificar as relações entre empregados e empregadores. Nesse sentido, a mudança regulamentou, por exemplo, o teletrabalho (home office) e a jornada de trabalho, antes limitada a 8 horas diárias e 44 horas semanais, passou a poder ser pactuada em 12 horas de trabalho e 36 horas de descanso, respeitadas as 220 horas mensais. Para muitos profissionais, sobretudo os mais jovens, as medidas tiveram um impacto positivo. Prova disso é o resultado de uma pesquisa realizada no final de 2019 pelo International Workplace Group (IWG), empresa que atua no mercado de escritórios compartilhados no mundo e no Brasil, mostrando que o trabalho flexível tem sido um fator decisivo para as companhias atraírem talentos. Com mais de 15 mil entrevistados, entre funcionários e líderes empresariais de 80 países, o estudo indicou que 83% deles escolheriam um emprego com alguma flexibilidade a outro que não ofereça nenhuma iniciativa neste sentido, e mais da metade (54%) consideram o fator “trabalho flexível” mais importante do que estar em uma grande empresa. No Brasil, 76% dos executivos alegaram usar medidas de flexibilidade para reduzir o deslocamento dos colaboradores para o trabalho e mais de 80% confirmaram que a mudança reflete em aumento da produtividade e melhora no desempenho dos negócios. Em outra pesquisa, essa feita pela Talenses, especialista em recrutamento de executivos de média e alta gerências, a flexibilidade de horário foi apontada como fundamental por 60% dos respondentes, dentro de um universo de mais de 2.500, ficando atrás até mesmo de fatores como gestão direta, ou seja, a área para a qual o profissional irá se reportar. Franchising adota a flexibilização Praticada há tempos fora do Brasil, a flexibilidade no trabalho começa a ser adotada em um número crescente de empresas nacionais, que desfrutam cada vez mais dos seus benefícios. “Por aqui, ainda temos a cultura do ‘viver para o trabalho’, mas ao oferecer outras opções para o funcionário, como o home office, mesmo que em algumas vezes na semana, e carga horária diferenciada. Isso garante mais liberdade para aproveitar o tempo. O resultado é mais satisfação, fator que contribui para o aumento da produtividade”, avalia o professor Jorge Duro, coordenador do curso de Gestão Estratégica de Franquias do IAG – Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Leonardo da Costa Carvalho, sócio do BVA Advogados, escritório que atende diversas marcas do franchising brasileiro, como Nutty Bavarian e Oakberry Açaí, diz que a flexibilização possibilitou ganhos para os dois lados, tanto o do empregador, quanto o do empregado. “Para a empresa, destaco a redução de custos com estrutura e liberdade para adaptarem suas demandas aos horários das equipes e, para o funcionário, mais autonomia para realizar outras atividades, sejam elas relacionadas com família, saúde ou educação, e eliminação ou diminuição do tempo de deslocamento”, pontua. Diante desse cenário, várias franquias têm não apenas desenvolvido mais modelos de negócios diferenciados para os franqueados, mas também oferecido alternativas menos rígidas para suas equipes. Caso da Gigatron, especializada em software de gestão. O diretor-executivo da rede Marcelo Salomão Guimarães conta que esse ponto já faz parte da cultura da empresa há mais de cinco anos e que, atualmente, todos os setores atuam em home office, alguns part-time e outros integralmente. Ele, inclusive, trabalha 99% dessa forma. “Tudo o que falamos hoje, dentro do mundo corporativo, remete à performance e rentabilidade, e escritórios em casa permitem uma redução significativa de custos e concentração na atividade a ser executada, sem as interferências do dia a dia da empresa”, comenta. “Fora isso, acreditamos que não tem sentido o deslocamento do funcionário. É um tempo que ele fica improdutivo e estressado, e que pode muito bem ser usado de uma forma mais interessante, para cuidar da família, fazer um curso e se exercitar”, acrescenta. Outro ponto positivo que o executivo salienta é a possibilidade de contratar profissionais de longe da sede. “Estou em uma cidade pequena, em Birigui, no interior de São Paulo e aqui, por exemplo, não consigo encontrar todos os engenheiros de software que preciso. Com a opção do home office, posso contratar especialistas de fora. No meu quadro atual tenho um do Paraná”, informa. Com essas alternativas, Guimarães relata que percebeu uma série de ganhos, sobretudo a diminuição do ­turnover. “Já tive funcionários que receberam propostas de concorrentes, mas recusaram por não poderem trabalhar de casa e, para eles, isso passou a ser indispensável”, afirma. Mais uma rede que aposta na flexibilidade é o Grupo Patroni, do segmento de Alimentação. De acordo com seu fundador Rubens Augusto, todas as unidades têm horários diferenciados para a equipe. “Durante a semana temos uma jornada mais ‘leve’ e, aos finais de semana, quando o movimento é maior, um pouco mais extensa. Isso garante um trabalho mais saudável para as lojas e para os funcionários”, avalia. Fora isso, a marca tem investido em novos modelos de negócios, que visam oferecer mais flexibilidade também para os franqueados. O mais recente, lançado no final de 2019, é o Patroni Pizza Mobile, que consiste em uma mini pizzaria montada sobre um veículo autônomo e sustentável. “A ideia é que ele possa funcionar como um quiosque em shoppings, em eventos ou até mesmo na rua e em outros locais de alto fluxo de pessoas. Dependendo da localidade, o empreendedor pode operá-lo todos os dias ou apenas em alguns. No mundo moderno, tornou-se imprescindível contar com operações mais flexíveis”, complementa o executivo. No Grupo Cherto, consultoria de franchising, o trabalho flexível sempre foi um dos diferenciais. “O nosso foco é a entrega para o cliente. Aqui, cada um sabe da suas responsabilidades, e não importa se dedica cinco ou seis horas do seu dia para a empresa e trabalhe de casa, o que não abrimos mão é de que haja comprometimento com o que se está fazendo e com a geração de valor”, indica o líder de Projetos e Consultoria da empresa Guilherme De Cara. Lá, todas as áreas atuam em home office, com exceção do atendimento telefônico. Segundo o executivo, a internet e ferramentas como WhatsApp, Skype e Google Agenda ajudam bastante a viabilizar esse modelo. “Atualmente, 80% da empresa trabalha dessa forma, e o resultado mais significativo, com certeza, é a melhora da produtividade”, finaliza.