O sol como aliado

Saiba mais sobre a vitamina D e porque ela é fundamental para o bom funcionamento de todo o organismo

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O sol como aliado

Saiba mais sobre a vitamina D e porque ela é fundamental para o bom funcionamento de todo o organismo

Você provavelmente a conhece como uma vitamina, mas ela é um hormônio esteroide que controla mais de três mil genes presentes nas células do corpo humano. Também chamada de calcitriol, a vitamina D é indispensável para a boa manutenção e a saúde dos ossos e para regular uma série de outras funções que vão muito além do esqueleto. A nutróloga Marilia Zaneti destaca que a substância é importante para a saúde muscular e a diminuição dos riscos de doenças autoimunes – como esclerose múltipla, artrite reumatóide e diabetes tipo 1. “Além disso, é favorável à diminuição de problemas cardiovasculares e metabólicos, à proteção contra doenças infecciosas e, em especial, à promoção da saúde mental e à prevenção de quadros depressivos”, aponta. Existe, ainda, uma associação entre bons níveis do hormônio e a menor probabilidade de desenvolver cânceres. “Alguns estudos médicos já descrevem que pessoas que residem em locais de altitude, onde a exposição solar é baixa, podem manifestar maior risco de ter a doença em comparação com indivíduos que vivem em áreas mais perto da Linha do Equador”, explica a nutricionista Karina Gardini. Segundo ela, a vitamina D é considerada um agente quimiopreventivo por conta de seus efeitos de proliferação celular. Níveis diminuem com a idade Com o avanço da idade, é comum haver a diminuição nos níveis dessa substância tão importante. Isso acontece por uma série de razões, como a falta de exposição solar devido ao isolamento e aos problemas de mobilidade e as alterações cutâneas próprias do envelhecimento, que podem atrapalhar a sua síntese. O problema é que, nos 60+, a vitamina D é fundamental para proteger a função musculoesquelética e ajudar a evitar doenças ósseas, em especial a osteoporose – a enfermidade é comum em pessoas com mais de 60 anos e sua principal complicação são as fraturas, sendo a de fêmur a mais devastadora. De acordo com Marília, a explicação é que o hormônio promove a saúde do esqueleto como um todo, mantendo o paratormônio (substância que ajuda a aumentar a disponibilidade de cálcio no sangue) em um nível fisiologicamente saudável e estimulando a atividade de mineralização dos ossos. Uma das consequências desse processo todo é a redução no risco de queda. Diante da importância para o bom funcionamento do organismo, a insuficiência de vitamina D costuma dar sinais que são fáceis de identificar. Entre os principais estão o diagnóstico de infecções respiratórias em repetição, fraqueza muscular acentuada, desequilíbrio da saúde mental e fraturas ósseas. Contudo, sintomas mais genéricos – que costumam não inspirar investigação médica – como fadiga, indisposição, dores no corpo (ósseas e musculares) e queda de cabelos também podem aparecer. “Para ter certeza, o médico ou nutricionista deve solicitar exames bioquímicos e recomendará a suplementação necessária”, explica Karina. Consumo natural A vitamina D é um hormônio produzido pelo próprio corpo, através da síntese cutânea, quando os raios ultravioletas entram em contato com a pele. Dessa maneira, a exposição diária ao sol – de quinze a vinte minutos pelo menos três vezes por semana, sem protetor solar, até às 10 horas ou após as 16 horas – é a principal fonte natural da substância para o organismo humano. “É importante ter em mente, contudo, que a produção cutânea de vitamina D é influenciada por alguns fatores que devem ser levados em consideração”, aponta Gustavo Feil, médico do desenvolvimento físico e mental com foco em nutrologia e medicina de longevidade. Segundo ele, a pigmentação da pele, o uso de protetor solar, a hora do dia, a estação do ano, a latitude da região e até a poluição do ar no local de exposição podem influenciar na absorção dos raios solares. Outra opção natural para fazer a suplementação desse hormônio é por meio de uma dieta equilibrada. O especialista destaca que, dessa forma, é possível atingir cerca de 20% da necessidade total do organismo. Alguns dos alimentos que são fontes naturais da substância são: óleo de fígado de bacalhau, peixes, como salmão, atum (inclusive o enlatado) e cavala, cogumelos expostos ao sol, gema de ovo e fígado de boi. O ideal é que eles sejam consumidos sempre cozidos ou assados. Apesar da importância da vitamina D para o bom funcionamento do organismo, é preciso ter atenção aos riscos de consumi-la em excesso. Nesse cenário, os níveis de cálcio no sangue se elevam e a substância pode se depositar nos vasos sanguíneos, nos pulmões, no coração e, especialmente, nos rins – o que, em casos mais graves, pode causar insuficiência renal. Vitamina D e a Covid-19 Em tempos de pandemia, a vitamina D ganhou ainda mais notoriedade. Isso porque, segundo pesquisas realizadas mundo afora, a sua deficiência pode aumentar a vulnerabilidade para diversas doenças respiratórias, incluindo gripe e Covid-19. Um dos estudos, publicado no Journal of the American College of Nutririon, analisou os níveis de vitamina D de 437 pacientes com Covid-19, entre 56 e 79 anos, no hospital Mount Sinai Health System, em Nova York, nos Estados Unidos. Eles foram divididos em dois grupos: com deficiência de vitamina D e com nível suficiente. Após análises, a conclusão foi a de que a deterioração da condição das pessoas infectadas com o novo coronavírus está associada à síndrome de liberação de citocinas e atribuída a uma elevação nas citocinas pró-inflamatórias, mas que a vitamina D promove a sua redução e, com isso, diminui as complicações.