Marcas apostam no compartilhamento de espaço

Franquias com sinergia passaram a dividir o mesmo ambiente em busca de redução de custos. Veja alguns exemplos e saiba quais as regras para a parceria dar certo

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Marcas apostam no compartilhamento de espaço

Franquias com sinergia passaram a dividir o mesmo ambiente em busca de redução de custos. Veja alguns exemplos e saiba quais as regras para a parceria dar certo Em 2020, uma tendência que se consolidou no franchising foi a das dark kitchens, também chamadas de cozinhas fantasmas ou virtuais. Este ano, no entanto, esse movimento de compartilhamento cresceu – potencializado pela pandemia de Covid-19 – e chegou até às lojas físicas, resultando na divisão de espaços por marcas sinérgicas. Com essa ação, mais do que reduzir custos, as marcas buscam também otimizar a operação e diversificar o mix de produtos. “O sistema de franquias já tinha esse tipo de modelagem, só que não era tão explorado. Foi mesmo com o surgimento das dark kitchens que vimos que podemos ter, no mesmo ambiente, duas, três, quatro bandeiras distintas coexistindo e, em cima disso, ganhar escala e eficiência operacional”, disse o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim. Ele salienta que existem basicamente duas formas de se trabalhar esse conceito: o mesmo franqueado operar várias marcas ou cada uma ser de um franqueado diferente. “Independentemente de como esse compartilhamento seja feito, acredito que é sempre um ganho para o sistema, pois fomenta o mercado, cria colaboração entre as redes e ainda melhora a experiência do consumidor.” Apesar disso, o presidente da ABF observa que, para a parceria dar mesmo certo, as marcas precisam ser sinérgicas e complementares – às vezes por questões de sazonalidade –, falar com o mesmo público-alvo e uma aumentar o tíquete médio da outra. “Se não tiver essa leitura, talvez não seja tão interessante atuar dessa forma”, complementa. O que também é importante é a franqueadora autorizar o negócio e, caso o comando seja feito por pessoas distintas, a negociação ser clara e bem especificada sobre quais são os seus direitos e deveres. Exemplos de sucesso Entre as empresas do franchising que tem apostado alto nesse tipo de projeto está a Halipar, holding de alimentação e participações, dona das marcas Montana Grill, Croasonho, Milanetto, Griletto e JinJin. Há dois anos, mais ou menos, ela trabalha no desenvolvimento do Halifood, um modelo de negócio que visa justamente reunir, em um mesmo ambiente, suas diferentes marcas, com sistema único e cozinha compartilhada. A primeira unidade foi inaugurada em fevereiro de 2020 no Parque Corporativo Bresco Viracopos, localizado a 2,5 km do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo. Ela conta com quatro das cinco bandeiras do grupo e recebeu um investimento de cerca de R$ 1,5 milhão. A segunda iniciou a operação em fevereiro deste ano, com três marcas, no setor de alimentação de um posto de gasolina no bairro Chácara Flora, na capital paulista. O valor empregado ficou acima de R$ 1 milhão. De acordo com o gerente de Expansão da companhia, Jorge Mariano, esse novo formato traz uma série de vantagens tanto para o empreendedor ou empresário, quanto para o cliente: “o franqueado paga um valor mais barato do que se fosse adquirir cada marca separadamente, tem uma redução significativa nos custos da operação, já que se trata de uma única empresa, que compartilha os mesmos funcionários e tem o mesmo estoque, e tem aumento da rentabilidade. Pelo lado do consumidor, ele pode escolher entre diversas opções em um único espaço, o que certamente melhora a sua experiência”. Os próximos Halifood serão inaugurados na Vila Mariana e em Pinheiros, ambos na cidade de São Paulo. A meta da Halipar é fechar o ano com dez operações e, a partir de 2022, emplacar entre oito e dez unidades por ano. Outra empresa que resolveu apostar no compartilhamento de espaços foi o Grupo VA Licenciamento e Franquias, detentor das marcas Evolute Profissionalizantes e Idiomas, EvoEstágios e Evolute On-line. O principal motivador, aponta o diretor de Expansão Luis Zemlenoi, foi a crise provocada pela pandemia da Covid-19. “As medidas de isolamento social nos obrigaram a fechar as unidades e, com isso, nosso faturamento caiu vertiginosamente. A partir daí começamos a pensar em maneiras de minimizar os custos e otimizar a operação. Uma das que encontramos foi colocando todas as redes no mesmo local e, como elas têm relação, sinergia, deu super certo”, avalia. Das 123 operações, 17 aderiram. O executivo diz que tanto o mesmo franqueado pode ter mais de uma marca no local, quanto empreendedores diferentes podem comandar cada uma delas. E, segundo ele, a economia, em qualquer uma das situações chega a 35%. “Como a Evolute exige uma instalação maior, de cerca de 200 m², a EvoEstágio e a Evolute On-Line têm ido para dentro dela, sendo implementadas em salas pequenas, de uns 20 m², mas com toda a identificação necessária. Caso sejam comandas por franqueados diferentes, funciona meio que como uma sublocação, com toda a negociação sendo feita entre eles, mas com o apoio da franqueadora”, explica. Lez a Lez, do segmento de moda, e Café Cultura, de alimentação, são mais algumas redes que identificaram boas oportunidades na divisão de espaços. As duas têm uma unidade em conjunto, com cada bandeira sendo comandada por um franqueado, desde 2018, na cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. “Identificamos a sinergia de público das duas marcas. Elas conversam com o mesmo perfil de cliente”, aponta o sócio da rede de cafeterias Café Cultura, Carlos Zilli. “A tendência que existe de associar produto com serviço de alimentação também acelerou esse projeto. A briga pelo bolso do consumidor aumentou com a omnicanalidade. Todos disputam o mesmo consumidor de diferentes formas em diferentes canais. Concentrar forças com produtos complementares e para um público sinérgico passou a ser um diferencial competitivo e que tem atraído cada vez mais seguidores.” Devido ao sucesso do modelo, comprovado pelo aumento da frequência nas compras e do tempo de permanência na loja, as empresas, agora, estão trabalhando no desenvolvimento de novos formatos, adaptados a cada localidade, a fim de haja total adequação.