Eles estão firmes e fortes

Enquanto alguns segmentos sofrem com a pandemia, outros crescem, em especial supermercados, farmácias e materiais de construção. Confira como algumas dessas franquias têm crescido e quais são seus planos para o futuro

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Eles estão firmes e fortes

Enquanto alguns segmentos sofrem com a pandemia, outros crescem, em especial supermercados, farmácias e materiais de construção. Confira como algumas dessas franquias têm crescido e quais são seus planos para o futuro

Desde que foi decretada a pandemia do novo coronavírus, cada segmento da economia foi impactado de maneira diferente. Enquanto muitos registraram quedas vertiginosas nos números e, pior, perderam empresas, outros não se abalaram e ainda cresceram de forma significativa. São os considerados essenciais ou que oferecem produtos e serviços necessários para este período atípico. Dentre eles, três em especial se destacam, inclusive no sistema de franquias: supermercadista, construção civil e farmácias. “Nunca passamos tanto tempo em casa. Isto fez com que o conceito de morar bem fosse mais valorizado, seja pela aquisição de um novo lar, com mais espaço, ou mesmo a conquista do próprio espaço, diminuindo assim os índices de coabitação. Também mudou os hábitos de alimentação, tornando cozinhar uma terapia, e impulsionou temas como saúde, bem-estar e higiene”, aponta o fundador da consultoria All Franchising, Alexandre Barreiro. A seguir, confira como três franquias nacionais – Bio Mundo, Casa do Construtor e Drogarias Max –, com atuação em cada uma das áreas indicadas, têm conseguido obter ótimo desempenho em meio à maior crise sanitária e econômica da história recente e quais os seus planos para o futuro. Supermercado Devido, sobretudo, às medidas de isolamento social e a busca por uma dieta mais equilibrada, fatores que contribuíram com a elevação do consumo dentro do lar, o ano de 2020, apesar de tudo, acabou sendo extremamente positivo para o setor supermercadista. Pelos dados do Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), apurado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da entidade, a alta real registrada – deflacionada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – foi de 9,36% na comparação com o mesmo período de 2019. Para este ano, a projeção é de aumento de 4,5%. O reflexo de todo esse cenário foi sentido pela Bio Mundo, que, pela classificação da Associação Brasileira de Franchising (ABF), entra na categoria de empório, mercado e loja de conveniência. “Sofremos um pouco com as operações em shoppings, devido ao lockdown. Porém, isso foi compensado com o crescimento na procura por produtos naturais e de alimentação saudável, em nossas lojas de supermercado e de rua, a implementação de vendas por WhatsApp, a adesão a plataformas de delivery e ao lançamento de diversos produtos de marca própria”, relata o CEO da empresa, Edmar Mothé. Diante disso, a franquia fechou o ano passado com faturamento de R$ 128 milhões e 122 lojas com contratos assinados, um crescimento de 23% em relação a 2019. As projeções para 2021 são otimistas: bater R$ 190 milhões, o que representaria uma alta de 48%, e abrir 50 novas unidades. “Apesar da segunda onda da Covid-19 no primeiro semestre, seguimos investindo e sustentando esse plano”, afirma o executivo. “O setor de alimentação é equilibrado, de baixo risco e essencial, e, o de alimentação saudável, é o do futuro, sendo o que mais cresce. Longe de ser um mercado de nicho, é um mercado de alta relevância, com um faturamento expressivo. Atualmente, o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial dos países que mais consomem produtos de alimentação saudável, com uma marca de quase R$ 100 bilhões de faturamento”, complementa. Construção Civil Um dos termômetros da economia, a construção civil, apesar da queda de 2,8% no ano passado, encerrou 2020 com alta de 9,8% nas vendas de imóveis e sendo o setor que mais gerou novas vagas de emprego com carteira assinada no País (106.753). Os dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Em se tratando do varejo de materiais de construção, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2020 foi encerrado com 10,8% de variação acumulada, a quarta taxa positiva consecutiva e a segunda maior da série histórica (a primeira foi o ano de 2010, com 15,7%). Esse resultado foi influenciado pelas vendas de material para obras de pequeno porte e reparos. Uma das principais redes deste segmento, a Casa do Construtor, especializada na locação de equipamentos para construção civil, pequenos reparos, manutenção, limpeza pesada e jardinagem, mesmo enfrentando algumas adversidades, encerrou o primeiro ano da pandemia com ótimos resultados e ainda foi listada pela primeira vez no ranking da ABF das 50 Maiores Franquias do Brasil em número de unidades. Suas operações chegaram a 322 em 2020, ante 275 no ano anterior, o que representa um incremento de 16%. Com isso, o faturamento bateu à casa dos R$ 328 milhões, alta de 18% em relação a 2019. Para 2021, os planos são inaugurar mais 100 unidades, crescer 33% e chegar a uma receita de R$ 440 milhões e, em cinco anos, a meta é ainda mais ambiciosa, chegar a 1 mil lojas. Segundo o CEO da empresa, Altino Cristofoletti Junior, esse bom desempenho se deve a alguns fatores, em especial ao aquecimento de pequenas obras e a tendência do “faça você mesmo” devido ao maior tempo de permanência das famílias em casa para manter o distanciamento social. “Quando a pandemia começou, em março, tivemos uma diminuição no faturamento e nos contratos. Mas já a partir de abril percebemos uma mudança importante com a ressignificação do lar, que se tornou não apenas um ambiente de proteção, mas também o local de trabalho, estudo e lazer. As pessoas, então, resolveram fazer melhorias e adaptações e passaram a realizar certas atividades, como cuidar do jardim, que antes eram desempenhadas por terceiros”, analisa. Outras questões que impactaram positivamente no negócio, aponta o executivo, foram a classificação da construção civil como atividade essencial, o que permitiu que suas lojas continuassem operando mesmo com algumas restrições no atendimento em grande parte do Brasil, e a aceleração do seu processo de digitalização, implantando ou aprimorando canais virtuais para franqueados e para o consumidor. Farmácia Um dos setores da economia que menos sofreu com a crise provocada pelo novo coronavírus certamente foi o de farmácias, por conta do aumento dos cuidados com a saúde e a necessidade de compra de medicamentos para a realização de tratamentos de doenças, inclusive a Covid-19. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostram que o faturamento das empesas associadas chegou a R$ 58,17 bilhões em 2020, um crescimento de 8,8% em relação ao ano anterior. No franchising, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar, no qual entram as farmácias, também foi um dos que teve os melhores desempenhos, com alta de 3,1% no ano. Entre as redes que confirmam esse resultado está a Drogarias Max – em 2020 cresceu 41% em valor e 31% em unidades. “O fechamento dos centros comerciais foi um grande impulsionador. Os consumidores que ficavam o dia todo no escritório ou em atividades externas tiveram, devido às ações de restrição de circulação, que ficar mais tempo em casa, passando a consumir mais nas drogarias locais. Outro fator que gerou esse crescimento foram os produtos relacionados tanto à prevenção e fortalecimento da imunidade do organismo, como vitaminas A e C e Zinco, quanto à higiene e proteção, entre eles, álcool em gel, sabonetes antissépticos, luvas e máscaras”, indica o gerente de Negócios da marca, Lucas Procópio. Com 122 unidades atualmente, a Drogarias Max projeta um crescimento mais ousado para 2021 devido ao novo plano de expansão em andamento. “Flexibilizamos a entrada de novos franqueados e estamos com um pacote promocional, válido até 31 de dezembro. Por isso, nossa expectativa é de crescimento de 25% em relação a 2020. É uma meta ousada e desafiadora, mas estamos com novas estratégias e trabalhando ativamente para atingir esse número.” Algumas delas, destaca o executivo, são a disponibilização para os franqueados de indicadores e análises sobre o seu negócio, importantes ferramentas para a administração do ponto de venda, e um novo portal de compras, inclusive com versão para celular, que permite a aquisição instantânea em condições diferenciadas e traz informações sobre tíquete médio da loja, número de atendimento, projeção do fechamento do mês e metas de vendas.