Consumidores no controle

O processo de implementação do Sistema Financeiro Aberto proposto pelo Banco Central do Brasil deverá ser encerrado em dezembro de 2021, trazendo vantagens para pessoas física e jurídica

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Consumidores no controle

O processo de implementação do Sistema Financeiro Aberto proposto pelo Banco Central do Brasil deverá ser encerrado em dezembro de 2021, trazendo vantagens para pessoas física e jurídica

O sistema financeiro nacional passa por uma grande transformação desde o ano passado: primeiro com a implementação do Pix (meio de pagamentos e transferência instantâneos) e, agora, com o Open Banking (ou Sistema Financeiro Aberto) – uma iniciativa que, como explica o Banco Central do Brasil, tem como principais objetivos levar inovação ao sistema financeiro, promover a concorrência e melhorar a oferta de produtos e serviços financeiros para pessoas físicas e jurídicas.
  • As instituições participantes do Open Banking só poderão compartilhar dados e serviços de clientes que tenham solicitado o compartilhamento após as seguintes etapas: * Consentimento * Autenticação * Confirmação
Em fevereiro deste ano, entrou em funcionamento a primeira fase do programa, para compartilhamento padronizado de informações sobre canais de atendimento, serviços e produtos financeiros tradicionais. A segunda etapa inicia-se em julho. Nela, os consumidores, caso queiram, terão o controle para compartilhar seus dados (cadastrais, transações em conta e informações sobre cartões e operações de crédito) com as instituições de sua preferência. O próximo passo será realizado no final de agosto, quando os clientes terão acesso a serviços como pagamentos e propostas de crédito – e não apenas nos canais das instituições financeiras, mas em diversas plataformas. Em dezembro, está previsto o quarto e último passo, com a ampliação do conceito de Open Banking para incluir mais opções que poderão ser compartilhadas.
  • Soluções que poderão ser desenvolvidas a partir do Open Banking * Comparadores de serviços e tarifas * Apps de aconselhamento financeiro e planejamento familiar * Iniciação de pagamentos em mídias sociais * Marketplace de crédito Fonte: Banco Central do Brasil
Na prática, com essa novidade, clientes pessoas físicas e corporativos conseguirão usar seus dados em benefício próprio, para encontrar produtos e serviços que mais se adequem às suas necessidades e sem precisar iniciar relacionamento com a instituição financeira ofertante. Fora isso, como os dados passam a ser do cidadão ou da companhia, poderão ser compartilhados com as empresas participantes, que vão além dos bancos tradicionais. “O sistema tende a transformar o cenário financeiro do País. Empoderado, o consumidor poderá usufruir de ampla variedade de serviços financeiros, ter acesso a taxas de juros mais atrativas, maior limite de crédito, bem como mais agilidade e menor custo nas operações”, diz Rafael Pereira, presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), entidade que integra o Conselho Deliberativo da estrutura de governança do Open Banking.
  • Benefícios do Open Banking Mais competição: com acesso aos dados dos usuários, instituições participantes poderão fazer ofertas de produtos e serviços para os clientes de seus concorrentes, que poderão obter tarifas mais baixas e condições mais vantajosas. Melhor experiência no uso de produtos e serviços financeiros: torna possível que as instituições participantes ofereçam soluções que facilitam ao consumidor controlar a sua vida financeira. Quem, por exemplo, possui mais de uma conta bancária ou tem conta em um banco e empréstimo em outro, poderá ver todas as suas informações em um único local. Fonte: Banco Central do Brasil
O professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha, avalia que, assim como Pix, o novo Sistema Financeiro Aberto será extremamente positivo. “Com ele, teremos uma maior concorrência entre as instituições financeiras, a introdução de produtos mais inteligentes e a chegada de novos agentes, por exemplo, bancos de cooperativas, bancos digitais e fintechs. Tudo isso abre boas perspectivas e, no final, é ótimo para o consumidor.”
  • Instituições participantes Somente instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central podem participar do ecossistema do Open Banking. A regulamentação prevê participantes obrigatórios e voluntários, a depender do porte e do dado ou serviço que está sendo compartilhado. A lista completa está disponível no link https://openbankingbrasil.org.br/quem-participa/ Fonte: Banco Central do Brasil
Vantagens para empresas Em se tratando especificamente de empresários e empreendedores, a lista de benefícios se torna ainda maior. “Eles poderão escolher, com mais facilidade, com quem querem se relacionar tendo em vista as vantagens ofertadas. São inúmeras as possibilidades que o Open Banking irá gerar”, afirma a analista de Capitalização e Serviços Financeiros do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Cristina Vieira. Além disso, a especialista salienta que as companhias terão a possibilidade de ter um maior controle de sua vida financeira devido aos novos produtos e serviços que certamente surgirão, como app de controles financeiros integrado com a conta corrente. “Com isso, o próprio empreendedor poderá fazer (a gestão).” Mas, para que a relação com os agentes do sistema financeiro seja realmente positiva e efetiva, Rocha, do Insper, pontua que os comandantes das empresas precisam ter um relacionamento saudável com as instituições bancárias. “É fundamental ter um bom diálogo e um bom histórico, pois aí eles conseguirão ‘pechinchar’ e ‘brigar’ pelas melhores condições.” Positivo para o franchising Pelo fato de possibilitar uma oferta de serviços financeiros por mais agentes, inclusive agentes não financeiros, o Open Banking também deverá trazer muitas oportunidades para o franchising. “O mercado como um todo se beneficia de qualquer inovação, mas desde que seja aplicada de maneira correta”, avalia o CEO da MemoCash Soluções, rede de sistemas de vendas e gestão e que vai aderir ao sistema de forma voluntária, Vitor Fonseca. O executivo acrescenta que esse novo conceito em implantação no País “está trazendo um discurso e uma democratização muito grande para pessoas físicas e jurídicas e resolvendo algumas operações que eram consideradas extremamente caóticas, como fazer um empréstimo bancário e migrar uma conta bancária e seu passivo para outro banco”. Agora, na sua visão, cabe às pequenas e médias empresas se prepararem para seguir o ritmo acelerado que esse tipo de inovação traz, sobretudo porque os consumidores estão atentos a isso. “Eles aprenderam que são donos do seu dinheiro e acabam o levando para quem está mais preparado para suprir suas experiências”, finaliza.
  • Pontos de segurança * O cliente tem o completo controle dos seus dados * Todo o processo ocorre num ambiente com diversas camadas de segurança, com autenticação do consumidor e das instituições participantes * Somente instituições autorizadas participam * As regras de segurança cibernética precisam ser cumpridas * Há regras também para responsabilização das instituições e de seus dirigentes * O Banco Central supervisiona todo o processo Fonte: Banco Central do Brasil