Foco no digital

Em alta, modelos de franquias virtuais permitem realizar operações de forma remota

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Foco no digital

Em alta, modelos de franquias virtuais permitem realizar operações de forma remota

A pandemia de Covid-19 desencadeou uma série de mudanças no mercado brasileiro. Com a necessidade de distanciamento social, as operações digitais ganharam ainda mais popularidade entre empresários e consumidores. No franchising, os modelos de negócios virtuais se consolidaram como uma tendência. O diretor da Ancona Consultoria, Paulo Ancona Lopes, explica que as franquias virtuais são adaptáveis a diversos segmentos, como e-commerce, agências de viagens, ensino a distância e marketing digital. Apesar de apresentarem algumas particularidades, elas seguem os mesmos princípios básicos dos modelos tradicionais. Isso significa que o franqueador deve repassar todos os conhecimentos e as orientações necessárias para que o franqueado realize sua operação da melhor forma possível. O grande diferencial é que os negócios podem ser controlados remotamente de qualquer lugar, de forma 100% on-line – o que exige uma estrutura tecnológica. “Por isso, é fundamental que o franqueado também tenha recebido todas as especificações necessárias sobre os sistemas que irá usar, os equipamentos indicados e as conexões estipuladas pela franqueadora”, destaca o consultor. O ideal é que o dono de uma franquia desse tipo tenha afinidade com o mundo digital. “Ele deve ser uma pessoa com facilidade para lidar com tecnologia, que não se importe em ter contatos apenas virtuais e em lidar somente com o ‘não físico’”, comenta Ancona. “Outras características, em termos de competências, são específicas para cada tipo de negócio. Se usarmos uma agência de viagens como exemplo, pode ser necessário o domínio de outros idiomas”, completa. Principais vantagens Além de oferecer praticidade para quem quer tocar um negócio e ganhar dinheiro de forma totalmente on-line, os modelos de franquias virtuais contam com outras vantagens importantes. A primeira delas é a rapidez. A Mazze, marca curitibana de semijoias, por exemplo, fornece um site completo e personalizado ao franqueado em menos de 30 dias após a assinatura do contrato. Depois disso, ele já pode começar a tocar o negócio, divulgando a página e fazendo vendas digitais. “Os franqueados não precisam comprar produtos para vender. Quem detém todo o estoque e realiza a entrega dos pedidos aos clientes finais é a central da Mazze. Dessa forma, é possível empreender de forma econômica e prática”, diz a diretora de conteúdo da empresa, Viviane Menosso. A especialista também ressalta que o investimento para abrir uma franquia virtual é bem mais econômico em relação ao de uma loja física. “A Mazze tem opções que variam de R$ 9 mil até R$ 15 mil. É um investimento acessível e o franqueado recebe todo o plano de negócio pronto, estratégias, site, suporte, produtos, material de marketing e o que mais uma franquia precisa para funcionar”, aponta. Fora o investimento inicial, o único gasto fixo que cada franqueado tem é a hospedagem do site, que custa R$ 39. Viviane ressalta que não é necessário se preocupar com a contabilidade das franquias, pois a central da rede oferece esse serviço já incluso para todas as pessoas que investem em seus modelos de negócios virtuais. Dentre os franqueados da Mazze, 80% têm a franquia como forma de complementar a renda e 20% apostam no negócio como renda principal. “O faturamento médio varia entre R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês, porém, suas vendas são ilimitadas, dependendo da dedicação de cada franqueado. Já a margem de lucro varia entre 30 e 45%”, informa Viviane. A SmartComm Digital (antiga SMS Digital), rede de franquias focada em atendimento e comunicação virtual, também conta com um modelo de negócio para quem quer ganhar dinheiro trabalhando pela internet. Com uma estratégia B2B, a companhia possibilita que empresas realizem campanhas de disparos de comunicados e ações de marketing de forma manual ou automatizada. Segundo o diretor da marca, Fabiano Rosa Batista, o mercado de comunicação é muito amplo e variável de acordo com cada região do Brasil e do mundo. “Grande parte dos resultados e ganhos de uma franquia de comunicação virtual, como a SmartComm Digital, vai depender unicamente das soluções que o franqueado encontra para implementar as ferramentas em seus clientes. Com isso, é possível faturar em média R$ 10 mil por mês”, diz.
Franquia virtual X modelo home based É importante destacar que negócios 100% virtuais são diferentes de modelos de franquias home based. Ambos não possuem ponto físico e podem ser operados on-line, mas existem algumas particularidades que merecem destaque. As franquias virtuais são controladas de forma 100% remota. Isso significa que o franqueado consegue tocar seu negócio em casa ou em qualquer outro lugar com acesso à banda larga. Já os modelos home based precisam de um local físico de apoio, que pode servir, por exemplo, para abrigar equipamentos ou um pequeno estoque de produtos.
E tem mais franquias que trabalham com modelos de negócios virtuais: a MemoCash Soluções, fintech que comercializa soluções em tecnologia para estabelecimentos comerciais, com sistemas de ERP (Enterprise Resource Planning ou Planejamento dos Recursos da Empresa); o banco digital Dot Bank, cujo foco são empresas com alto volume de emissão de boletos bancários e que desejam automatizar 100% seu fluxo de pagamento e recebimento; a SuperGeeks, que recentemente lançou a a Microfranquia Digital SuperGeeks, com aulas de programação e robótica totalmente on-line e ao vivo para crianças e adolescentes, e a Seguralta, que desde 1968 trabalha com soluções em seguros, consórcios e produtos financeiros. Digital cada vez mais presente O caminho do mercado indica que os negócios digitais foram impulsionados pela pandemia e que devem continuar em alta. O segmento de e-commerce, por exemplo, tem expectativa de crescimento de 26% em 2021, segundo um levantamento da consultoria Ebit|Nielsen. Viviane conta que 2020 foi o ano com o maior índice de procura por franquias virtuais da Mazze – empresa passou de 80 unidades, em 2019, para 230 no ano passado. A SmartComm Digital também alcançou resultados importantes. “A busca por franquias digitais de fato aumentou nos últimos meses, praticamente dobrando a quantidade de leads e interessados em atuar nessa área”, afirma Batista. Ancona enxerga esse modelo de negócio como um caminho interessante para o novo padrão de sociedade que está se desenhando. Ele salienta que as baixas barreiras de entrada devem colaborar para que o mercado se torne ainda mais competitivo no futuro.