De olho na bolsa

Entenda as vantagens, os desafios e a importância da abertura de capital para franqueadoras e franqueados

Share on facebook
Share on email
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

De olho na bolsa

Entenda as vantagens, os desafios e a importância da abertura de capital para franqueadoras e franqueados

Em 2020, mesmo em meio a uma grave crise sanitária e humanitária causada pela pandemia de Covid-19, a B3, a bolsa de valores oficial do Brasil, registrou um alto número de IPO (Initial Public Offering ou oferta pública inicial): foram 28 entre janeiro e dezembro. Só 2007 teve um índice maior: 64. Este ano, ao que tudo indica, esse movimento – que consolida ainda mais as marcas no mercado, desencadeia mudanças de gestão importantes e oferece uma série de novas oportunidades – deve continuar, e promete atrair também as franquias. “A abertura de capital funciona como um movimento de consolidação e de tendência para o franchising brasileiro”, explica o CEO da consultoria Praxis Business, Adir Ribeiro. O especialista defende que o processo é um caminho de maturidade para o sistema nacional, assim como ocorreu no mercado norte-americano, que já tem muitas empresas franqueadoras listadas na bolsa de valores. No Brasil, redes como CVC, Arezzo, Hering e Localiza apostaram no IPO há alguns anos. No início de fevereiro de 2021, a rede Espaçolaser também entrou para a lista – ela se tornou a primeira empresa de serviços de beleza a abrir capital no País. Na oferta inicial, o preço foi fixado a R$ 17,90 por ação (ESPA3) e o valor captado foi de R$ 2,64 bilhões. “A entrada na bolsa é um reconhecimento da condução do negócio até aqui. Trabalhamos com o propósito de oferecer liberdade e inclusão através dos nossos serviços e dentro das iniciativas que carregamos dentro da empresa”, destaca o CEO e sócio-fundador, Paulo Morais. Atualmente, a marca possui 572 unidades distribuídas pelo País e pela América Latina e contabiliza mais de dois milhões de clientes atendidos. Segundo o chairman e sócio-fundador da Espaçolaser, Ygor Moura, a expectativa, agora, é retomar o ritmo de abertura de novas lojas próprias. “Adicionalmente, com os recursos do IPO, conseguimos adquirir as participações remanescentes nas sociedades controladas, otimizando a estrutura societária e trazendo ganhos significativos de gestão e eficiência”, informa. A CVC Corp, um dos maiores grupos de viagens da América Latina, que envolve marcas de franquias como CVC e Experimento Intercâmbio Cultural, entrou na bolsa de valores do Brasil em 2013. “A iniciativa abriu o mercado de turismo para investidores e deu início a uma etapa de grande crescimento da empresa”, explica a diretora-executiva de negócios B2C Brasil na CVC CORP, Daniela Bertoldo. Segundo ela, a recomendação para as franquias que desejam fazer o IPO é que, antes, conheçam as contas do negócio. “Esse processo é muito mais detalhado em uma empresa de capital aberto. As informações são abertas e controladas, com a devida auditoria dos números, além da divulgação obrigatória de resultados, o que passa ainda mais confiança a quem deseja entrar no negócio”, aponta. De quebra, esses fatores também proporcionam uma gestão de alta qualidade para quem já é franqueado, mas administrar uma franquia que pertence a uma marca com ações na bolsa exige alguns cuidados especiais. O consultor Adir Ribeiro ressalta que os franqueados precisam ter agilidade no processo de adaptação. Fora isso, por conta das obrigações legais, a relação fica mais impessoal e todas as regras precisam ser cumpridas com muita definição. Caminho para o IPO A jornada para chegar ao IPO é longa e desafiadora. “É necessário analisar as condições de mercado e a perspectiva de performance”, explica Ribeiro. A companhia também precisa fazer adaptações. “Em alguns movimentos, as franqueadoras acabam anunciando um processo de compra de unidades franqueadas para poder agregar mais para a sua base”, destaca. O especialista enxerga as holdings franqueadoras como um caminho fundamental. Segundo ele, agregar marcas de segmentos parecidos em um único grupo é uma das chaves para ter mais sinergia e criar mais valor – já que elas serão muito mais fortes juntas do que isoladas. Outro ponto importante é que, antes da abertura de capital, a maioria das redes aposta em fundo de investimento. “Funciona como um caminho natural. A Espaçolaser e outras companhias fizeram isso. Seguramente, uma empresa que trabalha com fundo de investimento está olhando para IPO. Acredito que elas estejam mais preparadas do que as demais”, complementa o CEO da Praxis Business.
Passo a passo para o IPO O primeiro procedimento formal para a empresa abrir o capital é protocolar um pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é o órgão regulador e fiscalizador do mercado de capitais brasileiro. Simultaneamente, para que possa ter suas ações e outros valores mobiliários negociados, deve solicitar sua listagem na B3, a bolsa de valores oficial do Brasil. O processo de abertura leva aproximadamente dez semanas. Na primeira etapa, é preciso definir o auditor independente, escolher o coordenador líder, fazer uma análise preliminar e verificar se a companhia cumpre todos os requisitos necessários para tirar a ideia do papel. Entre os requisitos, é necessário ser uma sociedade constituída sob a forma de S.A., ter três anos de balanço auditado por auditor independente registrado na CVM – no caso de empresas com menos de três anos, deve-se provar que os negócios foram auditados desde o início – e obter (caso ainda não tenha) um registro de companhia categoria A na CVM. A lista de requerimentos inclui ainda ter diretor de RI estatutário e um Conselho de Administração. Depois da fase de preparação, o caminho em busca do IPO envolve outras três macro etapas: preparação da documentação e marketing da oferta, busca por investidores e vida de companhia aberta.
Grande desafio No caminho para o IPO, também ocorre de empresas desistirem ou adiarem a concretização da ideia. O que acontece é que o custo para estruturar o negócio é alto, então, precisa valer muito a pena. Além disso, são necessárias diversas mudanças relacionadas à lista de obrigações legais. “Temos uma série de protocolos a seguir, como divulgação de demonstrativos, relatórios e diversos outros documentos para os investidores, alguns de periodicidade trimestral e outros anuais, além do cumprimento às regras e regulamentos que são monitorados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, comenta Daniela, da CVC Corp. Recentemente, franquias como Le Biscuit e Grupo Uni.co, dono das marcas Puket, Imaginarium e Casa MinD, protocolaram o registro para realizar ofertas iniciais de ações, mas suspenderam a iniciativa. A primeira não deu muito detalhes sobre o motivo da desistência. Já a segunda afirmou, em nota ao jornal O Globo, que “apenas suspendeu o plano por ora e que está analisando novas oportunidades no mercado além do IPO”. As empresas foram procuradas e não quiseram falar.
Principais benefícios da abertura de capital * Reforço de caixa: captação de recursos para crescimento e novos investimentos * Perenidade: fortalece governança e gera continuidade do negócio * Possibilidade de desinvestimento: alternativa de liquidez para investidores estratégicos e acionistas * Visibilidade e governança: boas práticas e visibilidade de mercado * Facilitação em processos de M&A (Mergers & Acquisitions ou fusões e aquisições): ações são potenciais moedas de troca em caso de aquisições.