Prepare-se para o TikTok

O aplicativo criado na China em 2016 conta com milhares de usuários no Brasil e no mundo e é uma oportunidade para quem busca clientes, principalmente os mais jovens

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Prepare-se para o TikTok

O aplicativo criado na China em 2016 conta com milhares de usuários no Brasil e no mundo e é uma oportunidade para quem busca clientes, principalmente os mais jovens

Aplicativo mais baixado do mundo para celulares com sistemas operacionais Android e iOS em 2020, segundo relatório publicado pelo site especializado App Annie; utilizado de forma ativa por mais de 900 milhões de pessoas globalmente – a expectativa é atingir 1,2 bilhão este ano –, e um dos quatro principais apps do planeta. Esse é o TikTok, plataforma chinesa de vídeos curtos que, em pouco tempo, deixou de ser encarada como mero modismo e assumiu posição de destaque entre as redes sociais. Seu sucesso tem sido tão grande que obrigou os rivais a se mexerem. O Instagram, pertencente ao Facebook, por exemplo, lançou em junho do ano passado uma funcionalidade semelhante, batizada de Reels, e o YouTube estuda um novo formato para a publicação de vídeos. Mas não só isso. A alta procura pelo dispositivo também o fez entrar no radar das empresas, com muitas criando perfis para conquistar novos consumidores. De acordo com o consultor de comunicação Matheus Jacob, a popularização do TikTok se deve ao seu caráter extremamente democrático. “Qualquer pessoa pode criar conteúdos divertidos, por meio das dublagens, dos cortes e da interação com o vídeo, e viralizar”, comenta. No caso específico das marcas, ele afirma, mesmo que o TikTok ainda tenha um público majoritariamente jovem, é válido que elas se façam presente. “A audiência do aplicativo pode até não ser o consumidor da empresa hoje, mas tende a se tornar no futuro, por isso é importante que ela já se posicione por lá desde agora. E, quando o trabalho é feito de forma adequada, vários negócios têm aderência com essa ferramenta, em especial os de varejo e serviços.” Jacob salienta que o app tem tudo para seguir o mesmo caminho do Instagram. “No começo, as empresas achavam que o Instagram não era pra elas, mas perceberam que esse era um canal importante de comunicação com os clientes e que toda a rede social vale se elas sabem o que e como divulgar”, pontua, lembrando que o app de fotos evoluiu e se tornou um marketplace, em que os clientes podem fazer compras, o que pode ser o futuro da plataforma chinesa. O especialista em TikTok e em redes sociais da G3A, Guilherme Abreu Andrade, explica que, por enquanto, não existe um sistema de monetização para as empresas no dispositivo, mas isso não impede que sejam beneficiadas financeiramente. “Existem maneiras de as empresas lucrarem, tudo dependo do que elas buscam. Por exemplo, elas podem fazer parcerias com usuários, criadores de conteúdo, para que eles falem sobre o seu produto para o público do app, que é um público novo e que, muitas vezes, não está em outras redes sociais. Também podem fazer promoções, com estratégia de cuponagem”, indica. No caso do branded content, segundo o profissional, o ideal é não seguir o caminho tradicional, de apenas mandar itens para os “tiktokers” mostrarem para sua audiência, e sim fazer uma inserção real no vídeo. “Vale mais a pena incluir a marca nos conteúdos originais, por exemplo, de receita, comédia, esportes, mas, claro, desde que ela tenha aderência com o tema e com o criador.” Franchising entrou na onda No franchising, várias redes perceberam o potencial do TikTok e começaram a surfar essa onda. Uma delas é a Maria Brasileira, de cuidados e serviços de limpeza, que criou um perfil em janeiro de 2020 e conta, atualmente, com cerca de 15 mil seguidores. “Notamos que o aplicativo estava ganhando muito destaque e liderando os rankings de downloads de redes sociais no Brasil e no mundo e, como gostamos muito de inovar e estar onde as pessoas estão, pensamos em fazer alguns testes e entender se seria positivo para a marca”, conta a gerente Comercial da franqueadora, Bianca Lázaro. A profissional relata que os principais objetivos com essa estratégia são fortalecer a marca, ganhar visibilidade entre diferentes públicos, ser referência e gerar demandas. Outro ponto é engajar a própria rede, e isso está acontecendo com mais força do que o esperado: muitas das 332 unidades da empresa espalhadas pelo Brasil já estão produzindo conteúdos por conta própria. “Temos uma franqueada, da unidade de Lagoa Santa, em Minas Gerais, que entendeu bem qual o feeling e o formato da rede social, e alcançou mais de 230 mil views em um dos seus vídeos postados. Isso tem sido ótimo para nos tornar referência e manter um relacionamento mais direto com o público”, complementa Bianca. Mais uma franquia que tem apostado no TikTok é a de pelúcias personalizáveis Criamigos. Ela está presente na rede social desde abril de 2020 e tem 25 mil seguidores. “Como marca, a máxima deve ser aplicada: precisamos estar antenados às tendências, ao movimento dos mercados, entendendo o potencial de cada nova rede e embarcando naquilo que faça sentido ao nosso propósito”, diz a co-fundadora Veronicah Sella. “Acreditamos que o aplicativo veio para divertir a quarentena, as pessoas estavam precisando disso. E, nós, como empresa, achamos importante fazer parte, para fortalecer a marca e aumentar a interação com o público”, acrescenta a sócia-fundadora Natiele Krossmann. Outro ponto, segundo as empresárias, é que pessoas que desejam investir em negócios com propósitos diferenciados descubram a empresa, que fechou 2020 com 21 unidades e faturamento de R$ 35 milhões, um crescimento de mais de 70% em relação a 2019. A expectativa para este ano é continuar neste ritmo, com a abertura de mais 15 unidades e R$ 53 milhões em faturamento. A rede Cebrac (Centro Brasileiro de Cursos) também entrou para o TikTok. Foi em março de 2020, com a meta de atingir jovens com idade entre 16 e 24 anos, que é justamente o principal público da rede social, e fidelizar seus alunos matriculados. “Estamos escalando na plataforma, que durante o isolamento social teve um crescimento surpreendente. No nosso perfil, damos dicas educacionais, mas sem perder o lado da diversão”, diz o CEO Rogério Silva. Para aumentar seu alcance, a empresa ainda aderiu aos challenges, desafios de vídeo que são febre na plataforma. Assim, criou o #cebrachallenge, incentivando os estudantes a fazerem vídeos criativos utilizando algo que remeta à marca. A aceitação e a aprovação, garante o executivo, foram imediatas, com vários deles enviando conteúdo e compartilhando em suas redes pessoais, o que tem contribuído ainda mais para a divulgação da franquia.