A vez da 5ª geração

O Brasil deve realizar em 2021 o leilão de frequências para a rede 5G; saiba os seus benefícios e como ela pode afetar os negócios

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A vez da 5ª geração

O Brasil deve realizar em 2021 o leilão de frequências para a rede 5G; saiba os seus benefícios e como ela pode afetar os negócios

Em 2018, após nove anos do lançamento do 4G, a quinta geração do sistema de conectividade móvel começou a chegar ao mercado, primeiramente na Suíça, na Coréia do Sul e nos Estados Unidos. Atualmente, 42 países já utilizam a tecnologia e, este ano, a sua implementação deverá, finalmente, começar a sair do papel no Brasil. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o leilão do espectro de 5G está previsto ainda para o primeiro semestre – era para ter ocorrido no final de 2020, mas foi adiado por conta da pandemia de Covid-19. Com a promessa de trazer muito mais velocidade (entre dez e 20 vezes mais que a 4G), menos latência (1 ms), que é o tempo que demora a transferência de informações dentro da rede, cobertura mais ampla e eficaz, conexão mais estável e maior capacidade para que mais aparelhos acessem a internet móvel ao mesmo tempo (até 1 milhão de dispositivos simultaneamente a cada quilômetro quadrado), o novo serviço, garantem os especialistas, transformará significativamente vários setores produtivos brasileiros. “O 5G possibilita uma enorme variedade de aplicações e que agrega outras tecnologias, como Internet das Coisas (IoT), Cloud Computing, Big Data e Inteligência Artificial (IA). Isso vai viabilizar uma nova era de serviços, produtividade e acessibilidade para pessoas e empresas, em qualquer lugar e a qualquer hora”, aponta o diretor- global de cibersegurança da Huawei, fornecedora mundial de tecnologia de soluções de informação da indústria e das comunicações (TIC), Marcelo Motta. Para o executivo, nos primeiros anos, a conexão de alta velocidade será a principal característica, mas, aos poucos, haverá uma revolução em setores que adotarão aplicações baseadas na tecnologia, como agronegócio, manufatura, óleo e gás, mineração, transporte e armazenamento e informação e comunicação. “O 5G também possibilitará a rápida implementação de Smart Cities, uma transformação digital que aumentará a eficiência e o bem-estar e reduzirá o desperdício e os problemas ambientais nas cidades. Sem mencionar os novos empregos e negócios em potencial que permitirá. As possibilidades são inúmeras e os benefícios, enormes”, acrescenta. Outras áreas que devem ser altamente impactadas são saúde, educação e entretenimento. No varejo, a quinta geração do sistema de conectividade móvel impulsionaria aplicações mais desafiadoras, através de realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR). Assim, as marcas poderão desenvolver canais de vendas 100% conectados ao consumidor, novas soluções de logística e até o varejo virtual, com sensação tátil. Além disso, a utilização do 5G, devido ao desempenho muito superior, melhorará a experiência do usuário final – ela permitirá, por exemplo, o download de um filme longa-metragem completo, em resolução HD, em alguns poucos segundos –, o que certamente terá reflexos nos resultados das empresas. “Todos os atores se beneficiarão do 5G, tendo em vista a criação de um sistema de inovação para a indústria 4.0, realidade aumentada e IoT, que serão fundamentais para o desenvolvimento de uma economia digitalizada nos próximos anos”, diz o professor titular em Engenharia de Telecomunicações da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), Murilo A. Romero. Receitas e investimentos A implantação do sistema de conectividade móvel de quinta geração no Brasil deve gerar cerca de US$ 22,5 bilhões em negócios entre empresas (segmento B2B) até 2024, aponta um estudo encomendado pelo Movimento Brasil Digital, união de empresas que buscam construir propostas que tragam tecnologia e inovação para o centro da estratégia do País, ao IDC, fornecedora de pesquisa e consultoria de TI global. O documento mostra que o 5G deve expandir o mercado de novas tecnologia, incluindo robótica, segurança da informação, nuvem pública, IoT, Big Data e Analytics, AR e VR e inteligência artificial, especialmente a partir de 2022. Para o período 2020-2024, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) deverá ser de 179%. Outro estudo, esse realizado em parceria entre a consultoria Deloitte e a Huawei, para aprofundar o conhecimento do ecossistema de mercado do 5G no Brasil, indica que, em 15 anos, as soluções baseadas nele deverão acumular uma elevação na ordem de R$ 2,93 trilhões para o Produto Interno Bruto (PIB), o que significa uma alta de 2,5% ao ano. Após realizado o leilão de espectro pela Anatel, e para que todas essas oportunidades de negócio se concretizem, serão necessários investimentos na construção da infraestrutura. O IDC estima que, no País, serão US$ 2,5 bilhões gastos até 2024, principalmente por operadoras e provedores de telecomunicações, em equipamentos de rádio (RAN), de core de rede, virtualização (NFV) e backhaul (roteamento e fibra). Para se beneficiarem do 5G, indústria, varejo e demais áreas também terão de fazer aportes de capital. “Nesse sistema, a rede de comunicações móveis precisa ser completamente reconfigurada, com a utilização de novas frequências e equipamentos. Algumas empresas estão implantando no Brasil a tecnologia 5G DSS, que utiliza a infraestrutura 4G para oferecimento de alguns serviços padrão 5G. Contudo, essa implementação é um passo intermediário, que permite oferecer alguns serviços 5G, mas sem a gama de aplicações mais complexas”, completa Romero.