Pediu, chegou

Entrega de comida pronta tem ajudado os restaurantes e bares a sobreviver à pandemia

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Pediu, chegou

Entrega de comida pronta tem ajudado os restaurantes e bares a sobreviver à pandemia

Com os salões fechados para o público durante meses, em razão da pandemia provocada pelo novo coronavírus, restaurantes e bares de Norte a Sul do País precisaram remodelar seus negócios. Apesar de muitos já contarem com serviço de delivery, seja com sistema próprio ou por meio de aplicativos de entrega como iFood, Rappi e Uber Eats, esse canal de venda praticamente se tornou a única opção e foi o que garantiu a sobrevivência nos últimos tempos.
Pesquisa feita pela Corebiz, empresa de inteligência para marcas do varejo, mostrou que a receita das compras por delivery no segmento alimentício cresceu 77% entre os dias 1 e 18 de março, na comparação com o mesmo período de fevereiro. Outro estudo, esse realizado pela Galunion Consultoria para Foodservice, em parceria com a Qualibes, indicou que, em maio, 68% dos entrevistados pediram entrega de comida pronta em casa constantemente, e 21% disseram que pretendiam manter o hábito – e até gastar mais do que antes – após o confinamento.
De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o mercado de delivery movimentou R$ 11 bilhões nos últimos anos. Para este ano, a previsão da entidade apontava R$ 18 bilhões, porém, com a pandemia, o número subiu para R$ 19,5 bilhões.
“A medida em que foram impostas restrições a entrada dos clientes nos salões dos restaurantes, foi inevitável que se fortalecesse e focasse esforços no delivery. Quem fez isso rapidamente obteve entre 5% e 15% do faturamento normal. O que precisa ficar claro é que esse canal, apesar de importante, não supre totalmente as necessidades, mas, sim, ajuda a destinar estoque e manter o negócio em atividade”, comenta o membro do Conselho de Administração da Abrasel Celio Salles.
A fundadora e CEO da Galunion Simone Galante pontua que esse serviço já vinha sendo tratado com uma das principais tendências de mercado há cerca de cinco anos, e o que aconteceu agora foi a aceleração do processo. “Quando começou a quarentena, os empresários, e não só os de fast food, mas os de self service, casual dining e até alta gastronomia, tiveram de ‘pivotar’ em poucos dias uma solução, e aí entra também o takeaway, para conseguirem chegar até o consumidor.”

Delivery no franchising
No setor de franquias, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), 91% das redes de alimentação trabalharam com entrega de comida em abril, representando um recorde histórico. Spoleto, Koni, Lebonton e Gurumê estão na lista, porém, o CEO do Grupo Trigo, detentor das quatro marcas, Antonio Leite, conta que antes da pandemia este não era um canal relevante para nenhuma delas.
“Até o início da quarentena, os restaurantes que operavam com delivery e que já estavam conectados aos marketplaces tradicionais tinham uma média de 20% dos seus faturamentos oriundos desse sistema. Desde 15 de março tem sido uma evolução diária. As vendas passaram a aumentar toda semana e dobraram quando comparadas ao período pré-Covid-19”, relata o executivo.
Para fortalecer o serviço, a empresa realizou uma série de ações a partir do fechamento dos pontos físicos: criação de uma área dedicada a acelerar o processo digital, ligação dos restaurantes aos principais aplicativos de entrega de comida e implementação da integração desses agregadores com o seu sistema de ponto de venda.
“Em paralelo construímos alianças estratégicas com os operadores de entrega em diferentes regiões do País. Decidimos também colocar no ar plataformas de delivery proprietárias para cada uma de nossas marcas, construímos uma estratégia de conceder mais autonomia para os franqueados realizarem ações de construção de relacionamento com seus clientes no ambiente digital e passamos a treiná-los no uso das ferramentas de marketing digital para promoverem seus restaurantes”, acrescenta Leite.
A rede Mania de Churrasco! também apostou na entrega de comida durante a pandemia. A novidade foi iniciada em junho. “Creio que um dos maiores desafios que já enfrentamos foi passar por esses meses com todos os nossos restaurantes totalmente fechados. Estávamos, quando a quarentena teve início, no meio do planejamento para implantação do serviço de delivery. Precisamos nos debruçar e fazer com que ganhasse corpo em muito menos tempo do que o previsto, sem perder a qualidade do produto, que é extremamente importante para nós”, finaliza o diretor de expansão da empresa Marcelo Cordovil.

Dicas para aderir ao delivery e melhorar os resultados

  • Antes de iniciar o delivery, estabeleça a sua área de atuação. Isso é essencial para estipular os valores da entrega. Determine também horários, número de profissionais que serão necessários e a capacidade de atendimento
  • Planeje o investimento, ou seja, saiba o quanto pode investir e inicie devagar, expandindo aos poucos. Também não deixe de fazer um estudo da área, do perfil do consumidor e da concorrência
  • Divulgue o seu negócio para alavancar as vendas. Isso pode ser feito por meio de postagens interessantes e engajadoras nas redes sociais, como Facebook e Instagram
  • Mantenha contato e fidelize os clientes oferecendo a eles serviços e produtos de qualidade, descontos e brindes e escutando as suas necessidades
  • Avalie se vale mais a pena criar um sistema próprio de entrega ou fazer parte de um marketplace, como iFood, Uber Eats e Rappi. Se optar pela segunda opção, procure negociar bem as taxas para que o serviço seja viável
  • Crie um cardápio especial para o delivery, considerando fatores como agilidade de preparo, conservação e facilidade no transporte. Jamais entregue algo que não corresponderá às expectativas do cliente
  • Invista em embalagens lacradas, higiênicas e que mantenham a temperatura e a crocância da comida, e cuide para que o processo da entrega garanta a sua integridade
  • Busque um diferencial para poder se destacar e tenha em mente que qualidade e segurança são pontos obrigatórios, sobretudo neste momento de pandemia