Ouça a voz da experiência

Empreendedores do franchising compartilham as lições que aprenderam durante as crises e dão dicas para lidar com a atual situação

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Ouça a voz da experiência

Empreendedores do franchising compartilham as lições que aprenderam durante as crises e dão dicas para lidar com a atual situação

É difícil encontrar um empresário que não tenha passado por, ao menos, a uma crise ao longo de sua trajetória, seja por conta dos desafios gerados pelo próprio negócio, má gestão, inexperiência ou algum fator externo, como a pandemia provocada pelo novo coronavírus. Muitos deles foram praticamente à falência, mas aprenderam com a (dolorosa) experiência e conseguiram prosperar nas empreitadas seguintes. São exemplos de que, com perseverança e paciência, dá para enfrentar praticamente qualquer dificuldade, mesmo que isso pareça impossível. A seguir, grandes nomes do franchising brasileiro contam o que aprenderam com os obstáculos que surgiram em seus caminhos e ainda dão dicas para quem está sofrendo com a crise de agora.

Toda crise tem começo, meio e fim

“Em mais de 30 anos como empreendedor, passei por muitas crises. A pior foi em 1995, por conta do Plano Real. Meus contratos de leasing com os bancos estavam todos em dólar e, em seis meses não tinha caixa para pagar as contas. Sem conseguir honrar os compromissos, os bancos cortaram o crédito, protestaram e moveram ações de execuções. Imagina perder o nome, ver o seu sonho indo por água abaixo e sem ter a quem recorrer. Disso, a lição que tirei foi que todo negócio, para ser implantado, precisa ter um bom planejamento. Por exemplo, nesse caso dos contratos em dólar, aprendi que devemos fazer sempre um seguro para nos proteger da variação cambial. Mas como um empreendedor de 24 anos de idade, sem uma cultura empresarial na família, conseguiria planejar algo? A crise atual tem uma característica muito peculiar, pois ela colocou todos em situação de igualdade, todos vulneráveis na questão da saúde. Então, como devemos agir neste momento? É preciso fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, proteger o caixa e o maior ativo, que são as pessoas, o time, que levamos anos para formar, ter muita fé, confiança que vai passar e, acima de tudo, muita compreensão para entender que toda crise tem começo, meio e fim. Tínhamos grandes objetivos para 2020. Mas, no atual cenário, se igualarmos os resultados de 2019 poderemos considerar isso um excelente desempenho. Aos empreendedores brasileiros, sugiro que trabalhem com essa meta. E o que vier além disso será muito bem-vindo”.
José Carlos Semenzato, presidente do Conselho da SMZTO, detentora das marcas belle.club, Casa X, Espaçolaser, Estudioface by Espaçolaser, Gua.co, Instituto Embelleze, Instituto Gourmet, Joy Juice, L’Entrecôte de Paris, OAKBERRY Açaí Bowls, OdontoCompany e Oral Sin Implantes

 

Receita é focar no objetivo para não ficar paralisado

“É preciso ter aceitação e entender que a crise faz parte do ambiente de negócios no qual estamos inseridos, por isso, é natural que vivenciemos altos e baixos, já que o mundo não é flat, não é previsível. Entender essa possibilidade nos permite trabalhar diariamente para fortalecer nossas marcas e estabelecer diretrizes que nos permitam tomar decisões rápidas. Crises e oportunidades afetam todas as empresas, porém, a diferença no impacto vai depender da estrutura e da cultura de cada uma. Quando estamos preparados para eventuais crises, é mais fácil atravessar as dificuldades e sair fortalecido. Quando nos deparamos com um desafio gigante como este que estamos vivendo, é igual encarar uma prova de Iroman, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida. Se você pensar no tamanho do desafio, já desiste na largada. A estratégia é focar em cada braçada, cada pedalada e cada passo. Quando menos esperarmos, teremos atravessado. A receita é focar no objetivo para não ficar paralisado, focar no que estiver no seu controle e buscar soluções estratégicas, olhando o dia a dia. Sabemos que os ciclos de crescimento são dinâmicos, ao enfrentar as adversidades, saímos machucados, mas preparados para enfrentar o que vem pela frente. Em momentos como este, é preciso ter a capacidade de tomar decisões rápidas e firmeza nas decisões”.
Jae Ho Lee, sócio-fundador e CEO do Grupo Ornatus, detentor das marcas Morana, Balonè, Little Tokyo e Love Brands

 

Falta de planejamento pode custar caro

“Passei por uma enorme dificuldade em 2009, que me ensinou muitas coisas e ajudou a enfrentar a situação atual. Naquele ano, tomei a decisão de fazer uma expansão agressiva na empresa: abrir 40 unidades próprias. Construí todas com meus recursos e fui atrás de financiamento para os equipamentos. Peguei uma linha de crédito do governo com juros bem baixos, 6% ao ano. Já estava tudo certo, equipamentos entregues, quando fui surpreendida com uma ligação do banco dizendo que a linha tinha sido cancelada e o dinheiro não iria sair. A minha dívida era de R$ 23 milhões e a única solução que encontrei foi vender a empresa. No meio do processo, ganhei um prêmio e, no dia da entrega, conheci a Luiza Trajano, do Magazine Luiza. Ela soube da minha situação e decidiu me ajudar. Por intermédio dela, consegui um financiamento com um banco, para pagar em cinco anos. Paguei em três, consegui fazer a empresa crescer novamente e ainda abri mais quatro negócios. Essa experiência me mostrou que o que quebra não é vender mais ou menos, mas sim a falta de fluxo de caixa, e que a falta de planejamento pode custar caro. Aliás, planejar só não basta, também é preciso orçar e estruturar. Hoje, sei que as dificuldades podem ser superadas, que nenhuma crise dura para sempre e que ela traz oportunidades. Com a experiência que adquiri, a mensagem que deixo para os empresários do franchising é a seguinte: se adaptem às mudanças, e com velocidade, e fique próximo da sua rede.”
Carla Sarni, presidente da holding Salus Par, detentora das marcas Sorridents, GiOlaser, Olhar Certo, DocBiz e Sorridents

 

Todo negócio precisa ter, pelo menos, seis faturamentos no caixa

“Em 2017, passamos por um episódio bem complicado na franqueadora. Naquela época, tínhamos dois tipos de franquia, uma de softwares, responsável por 20% do nosso faturamento, e uma de certificação digital, responsável por 80%. Fomos, então, informados pelo governo que não poderíamos mais operar com esse segundo modelo. Tentamos de tudo para resolver, mas não conseguimos, e até hoje não entendemos muito bem as razões dessa decisão. Com uma queda brutal na nossa receita, fomos obrigados a tomar decisões drásticas em relação aos custos fixos da empresa. Colocamos uma meta para reduzir em até 40%. Negociamos com todos os fornecedores, parceiros, colaboradores e franqueados, cancelamos diversos serviços e contratos, e reduzimos a equipe. Mas tudo isso nos trouxe muitos aprendizados e acabou nos preparando para a crise atual. O que de mais importante ficou é que todo negócio precisa ter, pelo menos, seis faturamentos no caixa para conseguir sobreviver caso venha a ter algum problema. Hoje, mesmo com a pandemia, temos como continuar operando, e sem o aperto que foi em 2017. Neste momento, também é importante ter responsabilidades social e com o time, valorizar cada pessoa, compartilhar a real situação da empresa com todos, para manter a união e o engajamento, não ficar parado e usar os canais digitais para gerar conteúdo e se manter próximo do cliente.”
Victor Ruiz, sócio e diretor comercial da Gigatron

 

Crises são passageiras, todas elas

“O franchising já enfrentou crises com diferentes formas e intensidades. Em situações normais, esses momentos impactam principalmente os empresários que não seguem as cartilhas organizacionais do setor e a padronização de cada marca. No caso dos franqueados, os que ficam realmente próximos dos franqueadores conseguem bastante ajuda deles, pois deve fazer tudo que está ao seu alcance para garantir que a rede persevere. Nesse setor, o negócio é coletivo e jamais deve ser visto como franqueados de um lado de franqueadores do outro. Na atual situação, é necessário entender como conectar o que está acontecendo agora com o futuro dos negócios e saber que crises são passageiras, todas elas. A receita para superar a atual é ter agilidade, montar comitês e realizar reuniões semanais, estabelecer um cronograma claro do momento, fazendo atualizações necessárias de acordo com o andamento da pandemia, inserir campanhas para garantir a retenção do cliente e se manter atrás de novos consumidores, cuidar fortemente da parte de tecnologia, elaborar um plano de retomada, aproveitar para criar oportunidades e resultados positivos.”
André Quintella, vice-presidente de Operações Comerciais da Pearson

 

Crise nunca pode ditar a disposição do empreendedor

“Minha trajetória como empreendedor foi, de alguma forma, moldada pelas crises. Como muitos outros empresários, já passei por várias e sei que outras virão, por isso trabalho com foco na proteção constante da nossa empresa, independentemente do momento econômico em que vivemos, com metas claras e olho constante no caixa e no futuro. Minha primeira empresa foi criada em um momento de crise, no Plano Collor. Embora o quadro econômico brasileiro não recomendasse, havia condições para iniciar um negócio na área de informática e, assim, dei a largada. Anos depois, uma série de fatores tornaram meu negócio irrelevante, e aí o caixa secou e a empresa fechou. Não considero isso um fracasso, mas sim uma importante etapa de aprendizado – doloroso, é verdade – para que eu chegasse ao meu sonho grande, que é a MoveEdu. O prejuízo logo se transformou em oportunidade. Com toda essa experiência, o que aprendi é que a conjuntura do País tem, é claro, influência, mas existem boas oportunidades e mercados promissores em qualquer período. Não conheço empreendedor de sucesso que tenha interrompido seus sonhos em função dos problemas na economia. A crise pode ditar o ritmo de implantação e investimento, nunca a disposição do empreendedor. Os efeitos dela podem ser mais ou menos nocivos, de acordo com a resposta que a empresa dê aos desafios que se colocam nessas ocasiões”.
Rogério Gabriel, presidente do Grupo MoveEdu, detentor das marcas Prepara Cursos, Microlins, S.O.S. Tecnologia e Educação, People Tech and English, Ensina Mais, Pingu’s English School, EnglishTalk e Prospere itb