Inovar para crescer

Para atrair consumidores e franqueados, redes se reinventam e lançam novos produtos e serviços adequados ao momento atual

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Inovar para crescer

Para atrair consumidores e franqueados, redes se reinventam e lançam novos produtos e serviços adequados ao momento atual

Certamente você já ouviu o ditado popular “camarão que dorme a onda leva”. Pode parecer estranho, mas ele tem tudo a ver com os negócios, afinal, quem não se mexe, inclusive em períodos de crise – como a que o Brasil e o mundo estão vivendo –, e engolido pelos concorrentes ou morre afogado.
Para evitar esses trágicos desfechos, muitas empresas do franchising têm transformado as adversidades geradas pela pandemia em oportunidades e investido em novidades com o objetivo de atrair tanto novos parceiros comerciais quanto consumidores. A I wanna sleep, retail tech focada em sono e relaxamento, por exemplo, se reinventou e, em uma semana, criou o conceito Loja Física On-line (LFO).
“No início da quarentena, tivemos de repensar nosso negócio. Com o fechamento das lojas, transferimos cada operação para o ambiente digital, transformando-as em um e-commerce, onde cada franqueado é responsável pela venda dos produtos”, explica o CEO da marca Rafael Moura.
Esse conceito é inédito para a empresa, já que antes as compras eram realizadas apenas de forma presencial. E o executivo garante que ele traz vantagens para franqueados e clientes: “Para os franqueados, é a possibilidade da loja dele não parar, e, para o cliente, é a possibilidade de continuar comprando nossos produtos, que, agora, são entregues no mesmo dia da compra. O novo formato trouxe mais rapidez e eficiência”.
Com as Lojas Físicas On-line implantadas em abril, a I wanna sleep conseguiu recuperar, até o início de junho,
50% do faturamento e, devido ao bom resultado, elas serão mantidas no pós-pandemia. O objetivo da companhia daqui para frente é conseguir equilibrar os focos de venda nos dois canais, o físico e o digital.
Para evitar a perda de aprendizado e evasão dos seus alunos – a maioria, idosos –, a rede de cursos de neuroaprendizagem Ginástica do Cérebro também investiu inicialmente no digital e passou a oferecer aulas on-line. Isso manteve as atividades para antigos e novos estudantes e ajudou na inclusão dos mais velhos.
Segundo a CEO da empresa Nadia Benitez, o sucesso da empreitada e o aumento da demanda de novos alunos fizeram com que ela decidisse lançar um formato de negócio home office, com aulas domiciliares e suporte on-line. “Somos uma microfranquia de origem e isso foi um ponto facilitador para a criação de um modelo ainda mais acessível, flexível, adequado ao momento que vivemos e em perspectiva com o mundo pós-pandemia, mais conectado e baseado em novos pilares de normalidade”, diz a franqueadora.
Para adquirir uma unidade, o investimento inicial total é de R$ 20 mil, com estimativa de faturamento médio mensal entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, e lucro de 25% a 40%. A expectativa da empresária é inaugurar 20 operações nos próximos seis meses, impactando em R$ 1 milhão no seu faturamento total.
“A crise me impulsionou a colocar em prática medidas que já estavam sendo planejadas, mas que levariam mais tempo para sair do papel. Às vezes, um empurrão pode te lançar para frente, pode te fazer crescer mais rápido”, avalia Nadia.
Nos planos da SuperGeeks, escola de programação e robótica para crianças e adolescentes, antes mesmo da pandemia, o modelo de franquia virtual, operado de forma home based e com investimento a partir de R$ 6 mil, também virou realidade mais cedo.
Denominada “Microfranqueado Digital SuperGeeks”, a novidades consiste em ter uma unidade digital da marca e realizar as aulas do novo sistema de cursos, o SuperGeeks Live, ao vivo e através da internet. “Optamos por adiantar o lançamento dessa modalidade para dar uma oportunidade às pessoas de trabalharem e gerarem emprego, ajudando o atual cenário econômico do País”, ressalta o fundador da rede Marco Giroto.
Com esse produto, a empresa pretende atingir todos os municípios brasileiros que atualmente não possuem unidades físicas da rede. A implantação e o treinamento serão à distância, através das plataformas para Ensino a Distância (EAD) e videoconferência, que a empresa já adota.
Por conta da pandemia de coronavírus, a 5àsec, rede de lavanderias, também intensificou projetos com foco no digital, com vendas pelo e-commerce, aplicativo e Whats
App, e iniciou um planejamento para a retomada dos negócios com foco na expansão daqui alguns meses.
Nesse sentido, lançou a franquia Express, com investimento a partir de R$ 190 mil. “Com isso, aumentamos a nossa capilaridade e oferecemos uma oportunidade aos que desejam ingressar na rede”, explica o diretor comercial da marca Alex Quezada. E ele acrescenta: “Por apresentar uma condição mais atraente neste momento, a previsão é chegarmos a 100 unidades desse modelo em operação até 2025. Calculamos uma média de 20 aberturas ao ano, nas cinco regiões do País”.
Além disso, para atrair e facilitar a vida do consumidor, as lojas da marca passaram a atuar com foco no delivery – este serviço, inclusive, está com retirada e entrega gratuita por tempo indeterminado em todos os estados – e lançou o Pierre, um assistente virtual que presta atendimento, suporte e auxilia na indicação dos serviços disponibilizados.
Outra franqueadora que não ficou parada foi a Ecoville, rede varejista de produtos de limpeza. Sua principal novidade para o momento é o modelo Ecoville Express. Com investimento de R$ 39 mil, ele dá ao franqueado a oportunidade de atuar em home office, recebendo os produtos diretamente da fábrica e realizando as entregas em domicílio, com o meio de transporte de sua preferência.
De acordo com a empresa, o novo formato, que vinha sendo estudado e deveria ser apresentado no fim do ano, foi antecipado devido à crescente demanda pela entrega de produtos de limpeza. Ao mesmo tempo, pontua o presidente da companhia, Leonardo Castelo, ele surge como alternativa de geração de renda para uma faixa da população economicamente ativa que pode vir a ser afetada pela crise. “Projetamos esse modelo como uma forma de ajudar os empreendedores neste momento. Vimos essa ideia como uma forma de gerar mais renda, e não mais demissões”, encerra o executivo.
A Sterna Café, rede de café especial, por sua vez, viu uma oportunidade de expansão dentro dos supermercados e tratou de arregaçar as mangas. A estratégia deu tão certo que duas unidades já foram inauguradas – a primeira em abril, no Extra Brigadeiro, e a segunda, no dia 12 de junho, no Extra Raposo Tavares, ambas na cidade de São Paulo.
De acordo com o fundador da marca Deiverson Migliatti, a primeira reação sobre a pandemia foi pensar nas possíveis soluções e não só no estrago ela causaria: “Vi nos supermercados, que continuariam abertos, a possibilidade de dar seguimento ao plano de expansão deste ano, dando uma opção rentável para o franqueado que estava aguardando um ponto para abrir”.
O executivo conta ainda que precisou usar toda a criatividade para não parar, incorporando novas ações e encontrando oportunidades rentáveis para novas unidades. “Se continuarmos nesse ritmo, vamos conseguir atingir a meta de 100 unidades em operação até o fim deste ano”, finaliza.