Falou, comprou

Utilização de comandos de voz para fazer compras em lojas digitais é tendência para o varejo

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Falou, comprou

Utilização de comandos de voz para fazer compras em lojas digitais é tendência para o varejo

Por Renata Turbiani

Pesquisas por comando de voz (voice search) já são uma realidade no mundo todo. Para se ter uma ideia, na América Latina, 51% dos usuários de smartphones utilizam assistentes digitais, como Apple Siri, Google Assistant, Amazon Alexa e Microsoft Cortana, para buscar informações na internet – só no Brasil, são 49%. Os dados são de um estudo realizado pela agência de marketing iProspect.
Há dois anos, a Comscore, empresa de análise de internet, divulgou um levantamento indicando que, este ano, metade de todas as buscas nos celulares seriam feitas dessa forma. Diante desse cenário – e também por conta da pandemia do coronavírus, que apressou investimentos e iniciativas relacionados à tecnologia –, uma coisa é certa: em pouco tempo, as compras feitas por voz (voice commerce) nas lojas digitais deverão ser tão comuns quanto às realizadas com a ajuda do teclado e da digitação.
Fora do País isso tem acontecido com bastante frequência. Nos Estados Unidos, por exemplo, o estudo How We Will Pay (Como Vamos Pagar, em tradução livre), edição 2019, promovido pela plataforma do setor de pagamentos PYMNTS em colaboração com a Visa, mostra que quase um terço de todos os consumidores possui um aparelho com ativação por voz, e um em cada dez usa a ferramenta para adquirir produtos.
De acordo com a Tractica, empresa de pesquisa de mercado, 1,831 bilhão de pessoas ao redor do mundo deverão ter assistentes de voz em 2021. O fato é que eles garantem mais praticidade no dia a dia, já que é mais fácil e rápido falar do que escrever – e ainda deixam as mãos livres –, e possibilitam a inclusão de analfabetos, crianças e portadores de deficiências visual e motora.
“As interfaces de voz estão se tornando cada vez mais populares e vão ter um papel importante nos próximos anos no processo de decisão de compra. Se pensarmos que depois da criação da web as compras passaram a serem mediadas por mecanismos de busca, como Google, o mesmo vai acontecer com a mediação por interfaces de voz”, comenta Alessandro Lima, CEO da consultoria Elife Brasil, especializada em inteligência de mercado e gestão de relacionamento digital.
O executivo alerta que as companhias que não investirem nessa tecnologia irão se equivaler às que, hoje, não possuem website e comércio eletrônico. “O consumidor vai pedir uma sugestão para o assistente de voz para decidir a compra de um produto ou serviço e se a marca não tiver uma aplicação de voz, ela provavelmente será invisível.”
Da mesma opinião compartilha Alessandro Gil, diretor-executivo de Omnichannel, eCommerce e ­Marketplace da Linx, especialista em tecnologia para o varejo: “em dois ou três anos, o voice commerce estará bem mais difundido, e quem não estiver preparado ou, ao menos, se preparando vai chegar atrasado. E quem assumir a dianteira certamente se destacará, ainda mais em um mercado tão competitivo”.

Franquias
André Luís Soares Pereira, sócio-fundador do Grupo Soares Pereira & Papera (GSPP) e membro da Comissão de Fornecedores da Associação Brasileira de Franchising (ABF), pontua que as redes devem investir o quanto antes no voice commerce.
“Essa é a nova tendência para o comércio on-line, a grande novidade para os próximos anos. Todo mundo vai começar a utilizar essa ferramenta do mercado. Para as franqueadoras, será mais um canal de relacionamento com os franqueados, os fornecedores e com o mundo, de uma forma geral. É importante que sigam por esse caminho”, indica.
Pereira acrescenta que a pandemia do coronavírus está provocando uma mudança radical em alguns setores, e isso, globalmente, está tanto favorecendo a aceitação das compras e pesquisas por comando de voz quanto antecipando a sua implantação. “Quanto mais tecnologia, quanto mais ‘do mundo digital’ nas nossas vidas, mais fácil é o acesso a produtos e serviços, ainda mais em um momento como o que estamos vivendo, de isolamento social. Portanto, o voice commerce está sendo muito bem aceito pelo mercado e a crise atual está acelerando esse comércio”, complementa.
Especialmente no caso do franchising, por englobar muitas unidades, Gil, da Linx, pondera que, para que a estratégia seja realmente funcional e eficaz, tem de haver uma total integração entre o físico e o digital. “Nos Estados Unidos, a omnicanalidade já existe e funciona muito bem. Aqui, ainda precisamos acelerar esse processo. Mas, a partir do momento em que houver essa interconexão, o voice commerce ganhará poder”, finaliza.