Franchising fatura R$ 41,537 bilhões no primeiro trimestre

Quase a metade das franquias aponta quedas superiores a 25% no faturamento nos primeiros três meses de 2020

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Franchising fatura R$ 41,537 bilhões no primeiro trimestre

Quase a metade das franquias aponta quedas superiores a 25% no faturamento nos primeiros três meses de 2020

O setor de franquias foi impactado diretamente pelos reflexos econômicos e sociais da pandemia de Covid-19. A Pesquisa de Desempenho Setorial da ABF do primeiro trimestre mostrou que quase a metade das franquias (44,2%) teve queda de faturamento superior a 25% na segunda quinzena de março de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.
Na comparação entre a segunda quinzena de março e a primeira, 29,7% das marcas registraram redução acima de 50%; 14,5% apontaram queda entre 25% e 50%, e 15,2%, entre 15% e 25%. Já 17,2% alegaram não ter sentido grandes diferenças. Analisando o primeiro trimestre como um todo, o impacto foi menor, mas ainda bastante significativo: o faturamento passou de R$ 41,464 bilhões em 2019 para
R$ 41,537 bilhões em 2020, crescimento de apenas 0,2%, enquanto em 2019 a expansão havia sido de 7%.
“Nossa pesquisa mostra que o setor estava com um bom desempenho em janeiro e fevereiro, mas em março o declínio devido à pandemia ocorreu de forma muita rápida. As políticas de isolamento social, principalmente o fechamento dos shoppings, provocaram uma diminuição sensível na demanda do consumidor. A queda só não foi maior porque essas ações foram implementadas no final do trimestre, sem contar que muitos estados ainda não tinham aderido firmemente à quarentena”, afirma o presidente da ABF André Friedheim, acrescentando que, com esses dados, já é possível projetar a continuação dessa trajetória no segundo trimestre.
Outro reflexo importante foi a diminuição no ritmo de expansão de unidades e da geração de postos de trabalho. O setor encerrou o primeiro trimestre com 161.141 operações, 1% a mais do que no trimestre anterior (na mesma comparação com o 1º trimestre de 2019, o saldo foi de 2,5%). O volume total de empregos diretos foi de 1.361.795, 0,3% a mais do que o trimestre anterior.
“Esses dados refletem diminuição do ritmo de expansão, maior aversão ao risco e o fechamento de unidades em decorrência da pandemia. Notamos também que algumas empresas deixaram o sistema ou suspenderam planos de expansão por meio do franchising, o que acabou se refletindo nesses números. Por isso, a importância dos programas governamentais de estímulo, especialmente as linhas de crédito destinadas aos pequenos e médios empresários”, analisa o presidente da ABF.

Análise por segmentos
Na análise por segmento no trimestre, os que apresentaram melhor desempenho foram Serviços Automotivos (crescimento no faturamento de 7,4%), Comunicação, Informática e Eletrônicos (+6,9%), Limpeza e Conservação (+5,6%), Casa e Construção (+3,6%) e Serviços Educacionais (+3,5%).
As características intrínsecas de cada um deles foram bastante importantes para tais resultados. No caso de Serviços Automotivos, destaque para a frota mais envelhecida e o fato de que muitas cidades, incluindo São Paulo, permitiram a continuação da atividade na quarentena. Comunicação, Informática e Eletrônicos vem sendo estimulado pela consolidação de empresas de tecnologia em meios de pagamento e do crescimento dos investimentos em marketing digital e comunicações online. Junto a isso, muitas redes desta área operam no modelo home based, logo estavam melhor preparadas para o momento de isolamento social.
Além da recuperação dos mercados imobiliário e da construção civil, Limpeza e Conservação e Casa e Construção são áreas que possuem clientes corporativos, e eles, em geral, são mais resilientes. Houve ainda uma maior demanda por limpeza, pelas questões sanitárias envolvidas na pandemia, e a realização de manutenções e pequenas obras em casas, que agora passaram a concentrar a maior parte da vida das pessoas.
Por fim, o segmento de Serviços Educacionais conseguiu migrar grande parte de seus serviços para o ambiente online – alguns países, inclusive, registraram aumento de demanda para capacitação à distância na quarentena –, sem contar que o primeiro trimestre é o período em que grande parte das matrículas são realizadas.
Outros ramos que merecem destaque são os de franquias de supermercados e farmácias, que experimentaram um pico de demanda no final de março, cujos resultados devem se refletir mais fortemente no segundo trimestre. Maior segmento do franchising brasileiro, o de Alimentação já sentiu com força os impactos da crise e registrou uma queda no faturamento no trimestre de 1,6%.

Adaptação ao novo cenário
O estudo da ABF identificou também que o setor reagiu rápido aos reflexos da pandemia. Dentre as principais ações já adotadas (índice superior a 70%) estão serviços online, orientações e treinamentos sobre Covid-19, delivery, e-commerce e promoções. Um pouco abaixo, mas com grande penetração, estão a formação de comitês de crise, a criação de novos produtos ou serviços, a antecipação de férias na franqueadora, o desenvolvimento de novas tecnologias/inovação e as ações solidárias (índice superior a 55%).
“Este difícil momento que vivemos mostra mais uma vez as vantagens de empreender dentro do sistema de franchising. Não que nossas unidades estejam imunes, mas elas têm mais estrutura e acesso a conhecimentos e experiências para reagir mais rápido. Não raro, o primeiro crédito que o franqueado tem acesso, por meio da postergação ou suspensão de taxas e pagamentos, é o do próprio franqueador. Além disso, muitas redes se mobilizaram para buscar melhores condições de crédito, negociar com locatários e administradores de shoppings e conversar com fornecedores diversos. Notamos também um intercâmbio ainda maior entre os franqueados e até o desenvolvimento de novos produtos e serviços”, ressalta Friedheim.
Como boas práticas, algumas redes relataram ainda o suporte intensificado aos franqueados, a realização de reuniões online e webinars, comunicação frequente, home office e atendimento via redes sociais. Outro indicativo da solidez do setor é que 47,7% das redes mantiveram ou ampliaram seus planos de expansão.

Ações da ABF
A Associação também tem agido fortemente para apoiar o setor e se adaptar a este momento. Nesse sentido, a entidade digitalizou grande parte de suas atividades, promovendo webinars semanais, com temas relevantes para o setor, e mesas virtuais quase diárias para os franqueadores trocarem experiências. Em termos de boas práticas, sugeriu aos associados, de acordo com a realidade de cada um, a isenção ou a suspensão de taxas típicas do sistema durante a pandemia, o alargamento de prazos de pagamento e a renegociação conjunta com fornecedores.
Também indicou mais atenção a questões sanitárias e de prevenção à Covid-19 e, em paralelo, se articulou com associados e entidades correlatas para uma negociação com shopping centers, locatários de forma geral, bancos, emissores de cartão e o próprio governo, visando conseguir as melhores condições para todos os envolvidos no franchising.

ABF passa a medir desempenho mensal

Para acompanhar de perto os reflexos da pandemia da Covid-19, a ABF, em parceria com a empresa de pesquisas AGP, passará a medir mensalmente o desempenho do setor de franquias no Brasil. O primeiro mês avaliado foi o de abril e o estudo apontou que a queda média no faturamento das redes foi de 48,2% no período. Os segmentos mais afetados, sobretudo por conta das severas restrições de circulação e aglomeração, foram Turismo, Entretenimento, Alimentação e Saúde, Beleza e Bem-Estar.
A pesquisa também apontou que 12% das unidades tiveram as atividades suspensas e 0,5% foram encerradas definitivamente. “Essas taxas são muito menores do que negócios isolados, dado o trabalho em rede e o apoio das franqueadoras. É um momento difícil, mas estar em uma franquia traz benefícios que favorecem muito a sobrevivência. Além disso, 70% das franqueadoras evitaram demissões no mês de abril. Há um esforço para se reinventarem e manterem o negócio operando”, avalia o presidente da Associação André Friedheim.
Outros dados: 91% das marcas de alimentação trabalharam com delivery – um recorde histórico, no segmento de Moda, 53% pretendem manter o
delivery partindo das unidades após a pandemia, e 51% das franqueadoras estão apoiando seus franqueados para que acessem linhas de crédito (51%).