Motivos para sorrir

"Qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar, êxito, sucesso, sorte”. Essa é a definição de felicidade, segundo o dicionário. Por mais abstrato que o conceito possa parecer, felicidade é algo que quase todo mundo busca, e não só na vida pessoal, mas também no trabalho.

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Motivos para sorrir

Saiba por que a felicidade é uma vantagem competitiva na entrevista com o CEO e fundador do Wholebeing Institute Brasil e da Academia da Felicidade Henrique Bueno

“Qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar, êxito, sucesso, sorte”. Essa é a definição de felicidade, segundo o dicionário. Por mais abstrato que o conceito possa parecer, felicidade é algo que quase todo mundo busca, e não só na vida pessoal, mas também no trabalho.
Percebendo a importância disso, cada vez mais empresas têm investido no tema. E com razão, afinal, diversas pesquisas indicam que as organizações que fazem mais sucesso e apresentam melhores resultados são justamente as que têm colaboradores felizes, pois eles são mais engajados, leais, criativos e produtivos.
O CEO e fundador do Wholebeing Institute Brasil e da Academia da Felicidade, Henrique Bueno, comenta que as companhias que apostam em uma cultura organizacional focada em felicidade têm taxa de retorno sobre investimento (ROI, ou Return On Investment, em inglês) até 400% maior que a média e que pessoas mais felizes vendem 30% mais.
Na entrevista a seguir, o especialista em felicidade fala um pouco mais sobre o tema e ensina algumas estratégias que as empresas podem adotar para ter funcionários, colaboradores e parceiros mais contentes.

Por que o tema felicidade precisa ser levado em conta pelas empresas?
Quando comecei a trabalhar com felicidade, confesso que era difícil levar o assunto para as empresas. Naquela época, se eu tinha um projeto para apresentar, geralmente falava sobre clima organizacional e bem-estar, porque felicidade não era algo levado a sério. Alguns empresários achavam que era coisa para ser resolvida em casa, parte da vida pessoal do indivíduo e que não tinha relação com o trabalho. Mas o que a ciência e a psicologia positiva têm descoberto é o contrário, que estão interligados sim e que felicidade é algo bastante sério. Já se comprovou por a+b que investir nesse tema não é luxo, não é algo que a empresa faz se achar que deve ou não, mas sim um diferencial competitivo. As organizações que focam na felicidade dos seus funcionários têm ótimos resultados em diversos indicadores.

Em quais, por exemplo?
Tem um número incrível, muito importante, que diz o seguinte: empresas que investem em uma cultura organizacional focada no bem-estar e na felicidade têm taxa de retorno sobre investimento (ROI, ou Return On Investment em inglês) até 400% maior que a média. Além disso, nestes locais, o turnover é menor e a retenção de talentos maior, há menos acidentes e os silos de comunicação são reduzidos. Outro indicador é que pessoas mais felizes vendem 30% mais, o que é ótimo para o varejo.

Como trabalhar efetivamente a felicidade nas organizações?
Basicamente, a construção de felicidade parte do indivíduo, e sabemos que existem intervenções cientificamente validadas que, ao serem aplicadas e seguidas, ajudam a construir uma realidade cada vez mais feliz no aqui e agora, independentemente de alterar as circunstâncias exteriores. Só que, por mais que essa mudança parta de cada um, é importante que a organização a abrace. É preciso ensinar as pessoas novos comportamentos, que as levem a ter uma vida individual mais feliz, e isso por si só já afeta o meio, e também que a organização apoie a iniciativa. Geralmente, começo os projetos in company treinando os líderes, para que o ambiente seja acolhedor a essas novidades. É preciso mudar a forma como o feedback é dado, trabalhar com as fortalezas dos indivíduos, com gratidão, enfim, com vários elementos que aos poucos vão alterando a realidade e o bem-estar dentro da organização.

Quais outras estratégias as empresas podem e devem adotar para que os funcionários trabalhem mais felizes?
Existem várias. Nos workshops que realizo no Brasil inteiro sempre trabalho com aquelas que são mais aderentes à cultura organizacional da empresa, mas algumas muito úteis são adotar o mindfulness e outras técnicas de meditação. Além disso, como adiantei, trabalhar com apreciação e gratidão. Na maioria das vezes, o nosso cérebro, no seu natural, vai focar no defeito, no problema, no erro, então, quase sempre as cobranças e os feedbacks acontecem nesses momentos, quando o trabalho não é tão bem feito. Isso acaba levando o indivíduo a uma redução do seu bem-estar profissional. Para mudar isso, é preciso construir um ambiente onde o bom, a força e o que deu certo são valorizados e agradecidos. Assim, o ­feedback deixa de ser apenas de crítica, e passa a ser também de valorização.

Como se comporta um profissional feliz?
As pessoas, quando estão mais felizes e quando a empresa foca em construir um ambiente mais feliz, se relacionam melhor umas com as outras, são mais engajadas, produtivas e resilientes ao estresse. Também têm mais facilidade para lidar com adversidades e se tornam mais criativas; conseguem pensar fora da caixa, e trazer soluções inovadoras para os problemas da empresa. Elas entregam muito mais do que o job ­description pede porque acreditam e estão abraçadas com o propósito e a cultura do negócio. Nestes locais, os conflitos diminuem e os indicadores de gente, de recursos humanos, são todos ou quase todos melhorados. Além disso, algumas evidências sugerem que pessoas mais felizes têm comportamento ético mais claro do que as demais. Enfim, em todas as áreas as vantagens da felicidade são inúmeras.

O franchising tem uma dinâmica diferente dos demais setores. Há algo específico que possa ser adotado pelas franqueadoras para promover a felicidade no trabalho?
Um projeto incrível seria a franqueadora criar estratégias e intervenções de felicidade para que o franqueado utilize. Da mesma forma que ela transmite know-how para lidar com processos, produtos e serviços, também o faria com relação à felicidade. Isso acontecendo, as pessoas cada vez mais vão seguir a marca, porque vão ver que quem trabalha para ela faz isso mais feliz, que existe um propósito e uma cultura de valorização.