Geração 2000

Profissionais recém-formados, na faixa dos 20 anos, têm apostado cada vez no empreendedorismo e encontrado bons resultados como franqueadores e franqueados

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Geração 2000

Profissionais recém-formados, na faixa dos 20 anos, têm apostado cada vez no empreendedorismo e encontrado bons resultados como franqueadores e franqueados

Terminar a faculdade e ser aprovado em um cargo público ou seguir carreira no setor privado não é mais a realidade profissional predominante entre os jovens brasileiros. Já há alguns anos, cada vez mais eles têm buscado a independência no empreendedorismo e encontrado bons resultados no franchising.
Pelos dados da última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), de 2016 para 2017 subiu de 50% para 57% a participação de pessoas entre 18 e 34 anos no total de empreendedores no País.
Outro levantamento feito pelo Sebrae, este em 2019, mostra que, para esse público, a ideia de ter o próprio negócio começa bem cedo: 80% dos micros e pequenos empresários brasileiros com até 24 anos tinham algum tipo de pensamento nesse sentido antes mesmo de completar 18 anos.
É o caso do idealizador da marca de moda masculina TFlow, Luã Vignoli. Em 2013, com apenas 21 anos, ele fundou a empresa, e, quatro anos mais tarde, a transformou em franquia. “Eu sempre quis empreender, acho que desde criança, e nunca tive medo de arriscar. Comecei a trabalhar formalmente aos 13 anos, no comércio de calçados, e a oportunidade de montar o meu veio alguns anos depois”, conta.
O gestor, hoje com 28 anos, diz que o franchising não foi sua ideia inicial, mas que esse acabou sendo o melhor caminho. “Depois que a loja fez sucesso, apareceu muita gente interessada, me propondo sociedade. Eu não estava atrás de sócios, e ao mesmo tempo não podia perder essa chance. A forma que enxerguei de trazer essas pessoas para perto foi como franqueados, e deu super certo”, comemora.
Muitos dos que foram atrás de Vignoli, inclusive, também são jovens como ele. Com 130 unidades e presente em 16 estados, a TFlow tem cerca de 45% da sua rede comandada por indivíduos entre 25 e 35 anos. Outra marca que tem atraído investidores com pouca idade é a Terça da Serra, de residência sênior.
Atualmente, 15% dos franqueados estão na faixa dos 20 aos 30 anos. Um deles é o médico Avner Lyra, de 29 anos, dono de duas unidades, em Indaiatuba e Amparo, ambas no interior de São Paulo. “Tinha o desejo de empreender desde cedo, mas não sabia muito bem como fazer isso. Quando conheci a marca, em 2016, me interessei de cara pela proposta e, principalmente, por ser franquia. Me senti mais seguro em abrir algo já testado e com know-how”, relata.

O que querem os jovens?
A pesquisa Juventude Conectada – Edição Especial Empreendedorismo, promovida pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope) e a Rede Conhecimento Social, constatou que, para brasileiros entre 15 e 29 anos, empreender está muito mais associado à realização de propósitos ou ações pessoais do que ao retorno financeiro e melhoria das condições de vida.
Na lista de motivos que os fazem preferir ter um negócio próprio a ser um empregado, os participantes elencaram: autorrealização, melhor perspectiva de renda futura, independência de local e horário de trabalho, gastar o tempo naquilo que acredita, ter as rédeas da sua vida, oportunidade de negócios, falta de empregos atrativos no mercado, contribuir para a sociedade, evitar incertezas do mercado de trabalho, amigos e família têm seus próprios negócios e cenário econômico positivo/economia aquecida.
O levantamento constatou também que o jovem tem medo de errar, mas sabe que não é o pior que pode lhe acontecer, se preocupa em avaliar prós e contras, tende a arriscar mais que os adultos, é mais ágil e antenado no uso de tecnologias e, por estar em processo de formação, tem maior sensibilidade ao novo e predisposição ao aprendizado.
“Há dez anos, o importante era tirar notas altas, passar de ano e fazer um plano de carreira. Hoje não mais, o foco mudou. As novas gerações são mais imediatistas, não querem passar o resto da vida em uma empresa e, ao mesmo tempo, aceitam melhor os desacertos”, comenta a especialista em varejo e franchising Ana Vecchi, CEO da Ana Vecchi Business Consulting.
Na visão do diretor de Expansão do Grupo Halipar, responsável pelas marcas Griletto, Montana Grill, Jin Jin e Croasonho, Jorge Mariano, os profissionais jovens são mais agressivos, buscam resultados mais rápido, são ótimos operadores e sabem criar networking. “Outra característica que vejo nessa turma é que ela não querem decepcionar seus pais, por isso, se agarram com mais força ao negócio, melhorando a performance.”
Apesar de os mais jovens naturalmente já se interessarem pelo sistema de franquias, por ser um modelo de negócio testado e aprovado, não exigir experiência prévia e trabalhar com mercados promissores, Ana Vecchi diz que as marcas necessitam ficar atentas e promover algumas mudanças para atraí-los cada vez mais.
“Como os profissionais da faixa dos 20 anos são totalmente conectados com o mundo digital, as franquias têm de ter uma proposta tecnológica muito forte. Elas devem mudar o mindet, de forma a estimular a criatividade e a inovação e, com isso, chamar a atenção. Sobretudo as redes mais antigas precisam buscar um novo modelo de negócio, focado na juventude, para que tenham continuidade”, complementa Ana.
Mariano afirma que a Halipar, com 15% dos franqueados entre 20 a 35 anos, tem seguido essas recomendações. “Temos investido em tudo o que é tecnológico, como aplicativos de delivery, autoatendimento e pagamento via QR-Code. Isso acaba atraindo o jovem não apenas para consumir as nossas marcas, mas também para empreender nelas.”
Para se comunicar com essa turma, o executivo diz ainda que a empresa aposta em novas estratégias de comunicação, mais voltadas para as redes sociais (Instagram e Facebook) e profissionais, (LinkedIn). “Usamos as ferramentas que eles usam e falamos a linguagem deles. Só assim conseguimos trazer o jovem para o nosso mundo”, encerra o executivo.