Xô preconceito

Estereotipar ou discriminar uma pessoa por causa da idade pode, e deve, ser combatido com educação e contato entre as diferentes gerações

Share on facebook
Share on email
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Xô preconceito

Estereotipar ou discriminar uma pessoa por causa da idade pode, e deve, ser combatido com educação e contato entre as diferentes gerações

Envelhecer faz parte da vida, é um processo natural e não um defeito ou um problema. Apesar disso, muita gente encara o passar dos anos com medo e, o pior, com preconceito. Essa situação tem até nome: ageísmo, termo que vem do inglês (ageism) e foi criado em 1969 pelo psiquiatra e geriatra americano Robert Butler.
“O médico definiu como o ato de estereotipar ou discriminar uma pessoa ou grupos de pessoas baseado na sua idade cronológica, só que os mais velhos são sempre os mais atingidos”, diz o coordenador do programa USP 60+, da Universidade de São Paulo (USP), Egidio Dórea.
Para ele, esse é o mais prejudicial dos preconceitos, porque se manifesta contra nós mesmos, contra o nosso futuro, reforçando a crença de que o nosso ser jovem é muito melhor do que o nosso ser velho. E também é o mais universal, pois afetará a todos que envelhecem, independentemente de gênero, raça, orientação sexual e classe social.
“O envelhecer, para a maioria das pessoas, está associado com incapacidade, improdutividade e morte: estereótipos incorporados desde muito cedo na nossa vida. Só que isso deveria ser motivo de orgulho, afinal, a idade representa tudo aquilo que uma pessoa viveu, a sua trajetória. É importante ter orgulho”, acrescenta o especialista.

Formas de manifestação
O ageímo se manifesta de várias formas, nos âmbitos pessoal, familiar, social e institucional. Acontece, por exemplo, quando a própria pessoa se menospreza por causa da idade; quando os outros têm pensamentos e atitudes preconceituosos, discriminatórios e até infantilizados em relação aos mais velhos; quando o profissional mais maduro é obrigado a se aposentar, não consegue galgar postos mais elevados ou não é contratado, independentemente da sua produtividade, e quando o paciente idoso é visto como menos prioritário.
Para combater essa situação, pontua Dórea, é preciso promover o contato entre as diferentes gerações, para que os mais jovens passem a encarar o processo de envelhecimento, e a velhice propriamente dita, de forma positiva, com respeito e cuidado.
Investir em ações de conscientização também é fundamental, segundo o especialista. Nesse sentido, inclusive, a USP promoveu a campanha Orgulho Prateado, com palestras, rodas de conversa e atividades esportivas. “No momento em que se constrói uma sociedade benéfica para o idoso, ela se torna benéfica para todos. Diante disso, o envelhecimento tem de ser entendido e celebrado, e não temido ou motivo de preconceito”, complementa.

20 Termos do Glossário da Economia Prateada

Age friendly: produtos, serviços ou espaços “age friendly” são aqueles que foram desenvolvidos levando em consideração as necessidades dos maduros.
Aging in market: promove nova visão das marcas quanto às motivações de consumo e interesses dos 60+ para uma melhor experiência de compra e de relacionamento com esse público.
Aging in place: capacidade de continuar vivendo em sua própria casa e comunidade, de forma independente, segura e confortável.
Anti aging: usado para definir produtos que previnem o envelhecimento (como no caso dos cosméticos), esse termo vem sendo repensado, pois envelhecer não é uma doença.
Casas adaptadas: residências transformadas em um local seguro, confortável e que auxilia na autonomia e independência da pessoa madura.
Centro de convivência: espaços que oferecem atividades variadas assistidas contribuindo para o processo de envelhecimento saudável e para o desenvolvimento da autonomia e da socialização.
Design universal: enfoque no design de produtos, serviços e ambientes a fim de que sejam usáveis pelo maior número de pessoas possível, independentemente de idade, habilidade ou situação.
Economia prateada: é a soma das atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos e os produtos e serviços que elas consomem ou virão a consumir.
Envelhecimento ativo: processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas.
Gerontolescente: termo criado pelo médico Alexandre Kalache, designa um grupo de maduros dos 55 anos até os 75 anos que não é mais jovem, mas ainda não está fragilizado e se recusa a aceitar o estereótipo do vovô velhinho.
Idadismo ou etarismo: é a tradução do termo inglês “ageism”, que significa o preconceito e a discriminação etária contra pessoas mais velhas.
Intergeracional: interações sociais entre indivíduos de idades distintas. Dentro do universo prateado, as relações intergeracionais são estimuladas também no desenvolvimento de produtos e serviços para os maduros.
Quarta idade: é considerada a velhice mais avançada, aquela que exprime perdas maiores e mais significativas.
Revolução prateada: fenômeno global de envelhecimento da população e ressignificação da velhice.
Sem idade ou ageless: termo usado para definir pessoas que não se rotulam pela idade e sim pelo seu comportamento, vontades e desejos.
Silver dollars: nomenclatura relacionada ao consumo e movimentação financeira dos maduros.
Silver valley: pólo de negócios, pesquisa e desenvolvimento de soluções e produtos em Paris, na França, focado no envelhecimento com qualidade de vida.
Superidosos: indivíduos com 80 anos ou mais com uma capacidade de memória muito acima da média para a idade que têm.
Unicórnios prateados: startups com soluções para o envelhecimento que estão crescendo rapidamente.
UX60+: desenvolvimento de melhores produtos, serviços e experiências para o público 60+.