Hein? Hã?

A presbiacusia é uma das causas mais comuns de perda da audição na terceira idade. Saiba mais sobre a condição e aprenda como evitá-la

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Hein? Hã?

A presbiacusia é uma das causas mais comuns de perda da audição na terceira idade. Saiba mais sobre a condição e aprenda como evitá-la

Como tudo no corpo humano, o sistema auditivo também envelhece natural e gradativamente e, com isso, vai perdendo a capacidade de manter as suas funções. Essa condição tem nome: presbiacusia, a principal causa de problemas de audição em idosos.
Segundo a médica otorrinolaringologista e professora livre docente e associada da Otorrinolaringologia da Universidade de São Paulo (USP) Tanit Ganz Sanchez, a perda auditiva relacionada ao envelhecimento instala-se lentamente e reflete a diminuição de células auditivas e das fibras do nervo auditivo funcionantes. Geralmente, começa a se manifestar partir dos 60 anos, mas alguns indivíduos podem ter antes, aos 50 anos.
“A terceira idade é a época de colher o que se planta na juventude e na idade adulta, então, somado ao envelhecimento natural e à hereditariedade de cada família, muitos idosos acumulam níveis de perda auditiva maiores”, diz a médica. Segundo ela, essa maior perda auditiva representa a somatória do hábito de se expor a sons altos, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, uso de medicamentos ototóxicos (anti-inflamatórios, quimioterápicos, estimulantes sexuais e outros), além da intoxicação por metais pesados como chumbo, mercúrio e arsênico.

Sintomas e consequências
A presbiacusia começa com uma leve dificuldade de percepção dos sons agudos, podendo ser quase imperceptível. Quando o quadro piora, surge a dificuldade para ouvir e entender a fala. “A frase ‘eu ouço, mas não entendo’ é comum, pois a perda auditiva de sons agudos não lhe permite captar os sons de algumas das consoantes importantes para a compreensão da fala”, explica Tanit.
Outros comportamentos típicos da condição são: assistir televisão e escutar música em volume mais alto, ter dificuldade em conversas pelo telefone ou em ambientes ruidosos – especialmente com vozes femininas, que são mais agudas –, zumbido, desequilíbrio corporal e hipersensibilidade aos sons comuns do dia a dia.
A médica comenta que, ao primeiro sinal, é importante procurar ajuda, pois a perda auditiva envolve outras questões, como a memória. “Vários estudos já comprovaram que manter o cérebro em estado de privação de estímulos auditivos pode provocar piora cognitiva”, pontua.
Também está relacionada com a prevenção de riscos (perceber veículos se aproximando na rua, pessoas entrando em casa, alertas de celular, eletrodomésticos e campainha, por exemplo) e de isolamento social, situação típica de quem diminui a capacidade de comunicação e que pode resultar em depressão.
O tratamento da presbiacusia, diz a especialista, deve englobar um bloco de ações, sendo que cuidar da saúde como um todo é o passo mais importante, detectando e minimizando o que pode acelerar o envelhecimento, como outras doenças passíveis de prevenção (diabetes, pressão alta, problemas cardíacos, colesterol alto e hipotireoidismo são algumas).
Outra recomendação é estimular os ouvidos e o cérebro com sons suaves, como músicas instrumentais durante as atividades diárias, evitando permanecer muito tempo em silêncio. “Em alguns casos, o uso de aparelhos auditivos é muito bem-vindo, pois eles estimulam conjuntamente os ouvidos e o cérebro, agindo no tempo presente (melhora da compreensão da fala, da localização dos sons, do zumbido) e no futuro (diminuindo o risco de progressão da perda auditiva e da perda de memória)”, acrescenta.
Quem sofre dessa condição também precisa consultar com regularidades o médico otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo para acompanhar suas necessidades individuais, avaliar o efeito da terapia e a possível necessidade de redirecionamento.

Dicas para manter a saúde auditiva
* Em locais barulhentos use protetores de ouvido e faça intervalos de dez minutos a cada uma hora
* Troque o silêncio por estimulação com baixo volume de sons suaves, mesmo durante a leitura ou o sono. Isso também ajuda no controle do zumbido e da hipersensibilidade a sons
* Evite a automedicação, já que certos remédios podem agredir os ouvidos
* Alivie o estresse com atividades relaxantes eficazes, como yoga e meditação
* Incorpore mais momentos de prazer na sua rotina para restaurar a função dos órgãos
* Visite o médico regularmente para exames preventivos gerais e auditivos
* Alimente-se de quatro a seis vezes ao dia, evitando abuso de cafeína, doces, sal, álcool e nicotina
* Hidrate-se bem para que os rins eliminem melhor as toxinas
* Pratique exercícios regularmente, pois eles melhoram o metabolismo e a circulação

Tipos de presbiacusia
A presbiacusia é classificada em quatro tipos, reconhecidos de acordo com o resultado da audiometria (teste da audição) – algumas pessoas podem ter mais de um tipo associado. São eles:
* Sensorial: é o mais comum. Ocorre por perda das células ciliadas (células auditivas) e evolui lentamente, mesmo na idade avançada. A perda auditiva é simétrica e bilateral, principalmente para sons agudos, levando à diminuição do entendimento da fala.
* Neural: ocorre por perda de neurônios que transmitem os estímulos sonoros do ouvido até o cérebro. A perda auditiva progride mais rapidamente e o paciente tem grande dificuldade para o entendimento da fala.
* Metabólica: se dá quando há perda auditiva neurossensorial. Geralmente, é proporcional para sons graves, médios e agudos, com certa preservação inicial do entendimento da fala.
* Mecânica: ocorre por alterações no movimento da membrana basilar, região responsável pela proteção das células auditivas. Caracteriza-se por apresentar uma sensação de ouvido abafado.