Economia prateada

Mercado da longevidade gira US$ 7,1 trilhões no mundo e R$ 1,6 trilhão no Brasil

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Economia prateada

Mercado da longevidade gira US$ 7,1 trilhões no mundo e R$ 1,6 trilhão no Brasil

No meio do século XXI, a população sênior passará dos 2,1 bilhões, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, em 2050, haverá mais de 68,1 milhões de pessoas acima de 60 anos, pelos dados da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos. Classificado como tsunami prateado, esse progresso demográfico, que cresce 3% ao ano e é resultado do aumento da longevidade e da queda da taxa de natalidade, começa a criar uma nova economia no mundo: a da longevidade.
Globalmente, segundo o Bank of America Merrill Lynch, esse mercado movimenta cerca de US$ 7,1 trilhões, o que, na prática, lhe confere o status de terceira maior atividade econômica do mundo. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) aponta que os maduros representam quase 20% do consumo, movimentando R$ 1,6 trilhão por ano. E com eles produzindo, consumindo e atuando na sociedade como nunca visto antes, têm surgido novos negócios voltados para esse público.
“Os idosos de hoje têm um estilo de vida e hábitos de consumo que, há três décadas, eram associados aos jovens. Ao mesmo tempo, demandam muitas coisas que ainda não têm. Esse mercado ainda é embrionário, mas muito promissor”, relata Layla Vallias, cofundadora da Hype60+, núcleo de inteligência de marketing especializado no consumidor sênior.
A profissional acrescenta que, inicialmente, as opções eram, em sua imensa maioria, relacionadas à área da saúde, criadas por empreendedores com esse background e que surgiam por conta de uma dor pessoal. “Hoje temos visto cada vez mais oportunidades e variedades.”
Um dos mercados que está crescendo bastante, indica ela, é o de soluções financeiras para reduzir os custos de vida na longevidade. “Tudo o que está ligado a dinheiro faz sentido. Ferramentas de trabalho e empreendedorismo sênior também são uma tendência, assim como de planejamento de fim da vida.”

Unicórnios prateados
Surfando essa onda prateada, uma das empresas que surgiu foi a EuVô, em 2017. Prestadora de serviços de transporte e acompanhamento para idosos e pessoas com mobilidade reduzida em diferentes atividades do dia a dia, foi idealizada pelos irmãos Gabriel e Victoria Barboza a partir de uma necessidade familiar.
“Nossa mãe desenvolveu um problema de saúde que comprometeu sua liberdade de ir e vir. Vendo o quanto estava isolada, pensamos em uma alternativa para ajudá-la”, conta Victoria. Operando em São Carlos, no interior de São Paulo, e na capital paulista, o aplicativo tem 102 motoristas treinados e mais 3,9 mil cadastrados aguardando treinamento, 9,2 mil clientes e realiza cerca de 250 atendimentos por mês.
Outro negócio que faz parte da economia da longevidade é o Coliiv, antigo morar.com.vc. Também lançado em 2017, é uma plataforma de “match-making” para moradia compartilhada, que conecta pessoas com base nas suas características e afinidades pessoais.
“Entendemos que existe uma grande demanda por coliving e cohousing, porque ele soluciona uma série de problemas urbanos, e não só os econômicos, mas também os emocionais, relacionados à solidão, falta de apoio e isolamento social”, diz uma das fundadoras, Veronique Forat.
A ferramenta conta com cerca de 1,5 mil usuários, sendo cerca de 30% com idade acima de 60 anos, que buscam companhia, apoio, tranquilidade para envelhecer na própria casa, já que a maioria prefere que alguém vá viver com eles, e uma forma de facilitar a vida financeira.
Outras empresas que nasceram para suprir as necessidades dos mais velhos e têm se destacado no País são: ISGame – International School of Games (escola de programação de games para o desenvolvimento do raciocínio lógico e prevenção do declínio cognitivo em idosos), Gero360 (startup de tecnologia que desenvolve soluções para simplificar a rotina de cuidados com idosos), 60 Care (aplicativo para celulares e relógios inteligentes que monitora os mais velhos) e Maturijobs (plataforma profissional para pessoas acima de 50 anos).

Mapeamento inédito das startups da longevidade

A organização global Aging2.0, em parceria com o Hype60+ e a Ativen (mentoria nacional focada exclusivamente em projetos destinados aos maduros), realizou em 2018 a 1ª Chamada de Negócios da Longevidade. O objetivo foi revelar os negócios voltados para o público sênior mais atraentes para investidores e aceleradoras e, com isso, fomentar o ecossistema da longevidade no Brasil. Conheça alguns resultados desse levantamento:
* 81 empresas focadas nesse target, sendo que 63% já foram
formalizadas e 50% têm entre um e dois funcionários
* 73% têm menos de 5 anos de funcionamento
* 15% são comandadas por pessoas com idade entre 60 e 65 anos, e 10%, acima de 65 anos
* 21% dos negócios foram acelerados com o apoio de investidores e parceiros
* 35% faturam entre R$ 1 mil e R$ 50 mil e 40% não têm faturamento
* 59% estão localizados no Estado de São Paulo