O Jobs de Mogi

Texto do Luciano Pires

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O Jobs de Mogi

Por Luciano Pires*

Palestrei para uma multinacional num resort em Mogi das Cruzes. E ao ligar o laptop, pediram para aguardar o cara de TI. Quando ele chegou, no “bom dia” senti que ia dar “ruim”. O sujeito, que devia ser alguma liderança da área de TI da empresa, se sentia o Steve Jobs de Mogi. Do alto do crachá com o nome da multinacional, era de uma petulância quântica. “Entrada HDMI”, disse. Instalei o conector e… nada de imagem. Ele mexeu no meu laptop e nada.
O Jobs de Mogi então começou com “klinguices”, aquele idioma que os Klingons de TI usam e que só eles entendem, dizendo que o tipo de conector do meu computador não se adaptava ao equipamento que eles usavam. Não havia lógica na explicação dele e eu, calmamente, disse: “olha, eu tenho mais de 1000 palestras, nunca vi isso”. E o Klingon, grosseiro, “ah, mas aqui é assim, tem de usar outro computador.”
E o clima ficou tenso. Eles viram a minha contrariedade, pois o risco de passar a apresentação para outro computador minutos antes da palestra é gigantesco. Perdem-se links para vídeos, há tipos de letras diferentes, formas desaparecem…
Certo de que o Jobs não sabia do que estava falando, enquanto ele despejava “klinguices” para as organizadoras, eu entrei no painel de configuração do laptop, testei outras resoluções e… Pronto. Imagem na tela, tudo certo.
O Klingon continuou agindo como se nada tivesse acontecido. Nada é mais nocivo que a ignorância que gera confiança.
O Jobs de Mogi era só um Bozó.