Abaixo a pressão

Atividade física faz parte do tratamento da hipertensão arterial. Confira as dicas do presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte Marcelo Leitão, e comece agora mesmo

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Abaixo a pressão

Atividade física faz parte do tratamento da hipertensão arterial. Confira as dicas do presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte Marcelo Leitão, e comece agora mesmo

A hipertensão arterial atinge cerca de 30% da população brasileira. Considerada uma doença crônica, ela é caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias – acontece quando os valores da máxima (sistólica) e da mínima (diastólica) são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9).

Essa condição faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para que o sangue seja distribuído corretamente no corpo, e é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, enfarte, aneurisma arterial e insuficiências renal e cardíaca.

Em 90% dos casos, é herdada dos pais, mas há vários fatores que influenciam, como tabagismo, consumo exagerado de bebidas alcoólicas, obesidade, estresse, elevado consumo de sal, níveis altos de colesterol e falta de atividade física. Por falar em atividade física, durante muito tempo acreditou-se que ela era proibida para os hipertensos porque, durante a execução, pode haver um aumento da pressão, sobretudo a máxima.

No entanto, cada vez mais surgem evidências científicas provando os benefícios de mexer o esqueleto para quem sofre com a doença. “Diversos estudos importantes realizados mundo afora mostram que a prática constante promove aumento da atividade do sistema nervoso autônomo parassimpático (responsável por retornar o corpo ao estado de relaxamento) e a diminuição da do simpático (aquele que prepara o corpo para situações de estresse), e isso ajuda a reduzir os níveis da pressão arterial”, informa o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte Marcelo Leitão.

Além disso, o indivíduo que se exercita com frequência, explica o médico, tem menos chance de desenvolver resistência à insulina, que é quando o organismo não consegue responder às doses habituais do hormônio e, por isso, acaba produzindo mais. A questão é que níveis elevados de insulina fazem as artérias se enrijecerem e isso causa a subida da pressão.

Apesar de fundamental na prevenção e no tratamento da hipertensão, é preciso salientar que a atividade física não substitui o uso de medicamentos. “Nos casos de a doença ser de grau leve ou limítrofe, até pode-se conseguir o controle introduzindo esse hábito e promovendo alterações comportamentais, como redução da ingestão de sal e de álcool, perda de peso e aumento do consumo de legumes ricos em potássio, mas quando ela é mais grave, aí, quase sempre, os remédios são necessários”, acrescenta o especialista.

O Dia Mundial da Hipertensão é em abril (26), mas não tem como não lembrar dessa enfermidade todos os dias do ano: ela é a principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nada menos que 17,5 milhões de pessoas ao redor do planeta morrem todos os anos em decorrência de doenças cardiovasculares.

Tipos de exercícios
Atividades aeróbicas, como caminhada e corrida, e de força, como musculação, são as opções para quem sofre com a patologia. “Não existe uma modalidade que seja a mais indicada. A melhor, na verdade, é aquela que a pessoa gosta, até porque ela precisará praticá-la sempre, já que não adianta nada se exercitar por um mês e parar”, pondera Leitão.

O ideal, de acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), são 150 minutos semanais de treinamento leve ou moderado ou, pelo menos, 75 minutos de maior intensidade. Antes de iniciar, sobretudo as pessoas que gostam das atividades mais pesadas, é recomendável consultar um especialista, que pode ser da área de medicina do esporte ou um cardiologista.