Processos de aprendizagem

Conheça as condições e os transtornos que podem influenciar negativamente sobre eles

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Processos de aprendizagem

Conheça as condições e os transtornos que podem influenciar negativamente sobre eles

Todo mundo já nasce aprendendo. Desde os primeiros minutos de vida até a velhice, estamos sempre assimilando novidades, às vezes com mais ou com menos frequência. Isso se deve ao processo de aprendizagem, algo natural do ser humano e que envolve fatores cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais.
O fato é que, no período de desenvolvimento, várias condições podem impactar negativamente nesse sistema. Por exemplo, problemas motores e de comunicação, transtorno de aprendizagem e doenças psiquiátricas. Para saber mais sobre este assunto, conversamos com a psicóloga, doutora em educação especial e inclusiva e professora de Psicopedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Fernanda Tebexreni Orsati. Confira os principais trechos da entrevista.

O que são os processos de aprendizagem?
É um processo natural do ser humano e envolve fatores cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. A grosso modo, podemos dividir a aprendizagem em informal e formal. A primeira são as experiências vividas no dia a dia, que vão formando uma espécie de “banco de dados” e nos ajudam a entender e atuar no nosso meio. A informal começa no primeiro minuto de vida e perdura até a velhice. A segunda normalmente ocorre na escola, por isso chamamos de aprendizagem formal, porque são conteúdos e ideias que ensinamos explicitamente, os quais se estuda.

Dentre as condições que podem dificultar o aprendizado, quais são as mais importantes?
No período de desenvolvimento, existem várias condições e questões do neurodesenvolvimento que podem impactar nos processos de aprendizagem. Elas envolvem raciocínio, processamento, lógica, atenção, questões motoras, de fala, comunicação e interação social, entre outras. Se uma ou mais dessas habilidades estão impactadas haverá interferência no aprendizado.

E quanto aos transtornos de aprendizagem?
Eles também são parte dos transtornos do neurodesenvolvimento, e, como o próprio nome diz, impactam nos processos envolvidos na aprendizagem. Entre os principais temos dislexia, disgrafia e discalculia. A dislexia é caracterizada por dificuldades na correspondência e associação de fonemas e grafemas, podendo afetar a leitura e o processamento da linguagem escrita. A disgrafia é uma falha na coordenação da habilidade de escrita, a grafia, e a discalculia está relacionada a uma dificuldade em compreender e manipular números. Outro transtorno importante é o Déficit de Atenção (TDA), associado ou não à Hiperatividade (TDHA). A criança que tem esse diagnóstico também possui uma diferença neurológica, que acarreta em uma dificuldade atencional e, algumas vezes, é associada ao excesso de atividade corporal. Essas crianças, na escola, apresentam dificuldade em focar em uma só atividade por um período prolongado como, por exemplo, prestar atenção à professora explicando verbalmente um conceito. Podemos destacar também o Transtorno de Espectro Autista (TEA). Nesse caso, a criança apresenta questões em duas áreas específicas: comunicação combinada a interação social, e comportamentos repetidos e interesses restritos. São diversos os graus de acometimento desses sintomas dentro de um diagnóstico de TEA e, por isso, os suportes educacionais para tais alunos variam bastante.

Quais outros fatores interferem no aprender?
Diversos fatores biopsicossociais podem interferir no aprender. Em termos de outras condições, os sintomas de crianças ou jovens com diagnóstico de transtornos mentais, como depressão e bipolaridade, também podem desencadear dificuldades na aprendizagem.

De que forma?
Por exemplo, um dos sintomas da depressão é a falta de energia (fadiga), e precisamos dela para nos engajar em diferentes atividades e aprender coisas novas. Junto a isso, muitas crianças e adolescentes apresentam sentimento de fracasso (“menos valia”), ou seja, acham que não fazem nada certo ou que são piores que os outros. Com isso, podem sentir-se inseguros no ambiente de aprendizagem e têm medo de tentar e errar.

O que provocam os transtornos de aprendizagem?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares, mas têm muitos pesquisadores dedicados a respondê-la. Todas essas condições citadas diferem muito uma da outra, mas ainda não sabemos as causas específicas. De maneira geral, podemos dizer que todas estão relacionadas a algum componente neurobiológico, somado a fatores ambientais. O cérebro de quem tem esses diagnósticos possui um arranjo diferente, em termos de conexões e tal arranjo tem parte da causa genética e parte sendo ambiental.

E como são feitos os diagnósticos?
Para todos o diagnóstico é clínico. Ou seja, o profissional obtém informações com familiares sobre o histórico da criança, seu desenvolvimento, utiliza algumas escalas de comportamento, e observa o seu comportamento, além de fazer exames, incluindo genéticos e neurológicos para excluir outras possibilidades. Todos os transtornos citados possuem critérios diagnósticos cada vez mais específicos, e deve ser feito de preferência por uma equipe multidisciplinar, composta, normalmente, por psiquiatra e/ou neurologista, psicólogo, psicopedagogo e/ou pedagogo, educador físico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, e com informações da família e do professor dessa criança.
Quais sinais indicam que a criança ou o adolescente tem algum transtorno de aprendizagem?
Observa-se o que chamamos de “marcos do desenvolvimento”, isso quer dizer, que comparamos o desenvolvimento da criança com o que sabemos que é esperado para cada idade em termos de habilidades. Ou seja, observamos quando a criança começa a sentar, interagir com objetos, andar, balbuciar, falar as primeiras palavras, entre outras características. Claro que os pais não precisam se preocupar se seus filhos levam um tempo um pouco maior do que o indicado nos marcos para desenvolver uma ou outra habilidade. Temos que ficar alertas e procurar um profissional, ou mesmo conversar com o professor, somente quando essas características começam a se acumular.

Qual o papel da escola? E o dos pais?
Ambos são fundamentais. Escola e família são ambientes em que a criança aprende muito, por isso, para que haja resultados, é fundamental que todos trabalhem juntos, perseguindo os mesmos objetivos e treinando as mesmas habilidades. É essencial que eles sejam parceiros. No caso da escola, vale destacar o papel do suporte ao aluno para que o mesmo seja incluído e tenha possibilidade de aprender juntamente com os colegas da sua idade, a fim de que ele tenha o máximo de interação social e estímulos acadêmicos adequados a suas potencialidades.

Esses problemas têm cura ou será necessário tratá-los para sempre?
Todas as condições citadas aqui não possuem uma cura, mas existem muitos suportes, intervenções e tratamentos que fazem com que a aprendizagem das crianças ou dos adolescentes com tais diagnósticos seja potencializada. O importante é, juntamente com o diagnóstico, fazer uma boa avaliação tanto das habilidades quanto das dificuldades do paciente. A partir daí, ele irá, apoiado nos seus interesses e habilidades, compensar e superar as dificuldades. Ao mesmo tempo, temos que oferecer adaptações no ambiente dessa criança ou desse adolescente, para dar suporte ao seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Portanto, além de trabalharmos com o indivíduo, temos de criar ambientes sem barreiras para que eles consigam ter melhor qualidade de vida e engajar com qualidade nas atividades escolares, familiares e da comunidade, atingindo o máximo do seu potencial em todas as situações.

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