Missão dada é missão cumprida

O ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro Paulo Storani fala sobre como montar uma tropa de elite no franchising

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Missão dada é missão cumprida

O ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro Paulo Storani fala sobre como montar uma tropa de elite no franchising

Em um primeiro momento é difícil imaginar que as estratégias usadas pela polícia, em especial as de elite, têm algum paralelo com o mundo corporativo. Porém, quando analisamos mais a fundo os seus mandamentos e diretrizes, fica claro que eles não só podem, como devem ser aplicados nas empresas para melhorar a performance.
O ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, e consultor dos filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite II, Paulo Storani é especialista no assunto. Na entrevista a seguir, ele, que é mestre em Antropologia, pós-graduado em Administração Pública e Gestão de Recursos Humanos e até escreveu um livro sobre o tema, ensina como adaptar os conceitos aprendidos na corporação à realidade dos negócios, com ênfase no franchising.

Vamos direto ao ponto: o que é preciso para montar uma tropa de elite no franchising?
Selecionar as pessoas com o perfil desejado, capacitá-las e estabelecer indicadores de desempenho que permitam um acompanhamento das ações realizadas e as necessárias correções.

E é fácil conseguir isso, especialmente no Brasil?
Sem dúvida que não. Porque uma tropa de elite é, na verdade, uma equipe de alta performance. Em nosso País, infelizmente, desenvolveu-se uma estratégia de empenho baseada no mínimo necessário.

Como assim?
Isso pode ser observado no desempenho escolar, onde a grande maioria estuda para passar, o objetivo é a “média” e o desempenho na média nos leva a resultados medíocres. Então, de uma forma geral, as pessoas se preparam para serem medíocres e passam a demonizar quem rompe com esse entendimento. Se estudássemos para aprender, descobriríamos que ao atingir o dez, não haveria mais limites. Trata-se de uma estratégia de vida. Mas entendo que, para uma cultura de mediocridade, esse comportamento é muito opressivo.

O que fazer para mudar essa situação?
Desenvolver uma educação voltada para a consolidação de uma cultura empreendedora e por meio de bons exemplos. O que seria somente no médio e longo prazos, se começarmos agora.

Você é ex-comandante do BOPE. Quais são os mandamentos ou as diretrizes do batalhão?
Existem onze atributos que constituem o perfil dos integrantes do BOPE: agressividade controlada, controle emocional, disciplina consciente, espírito de corpo, flexibilidade, honestidade, iniciativa, lealdade, liderança, perseverança e versatilidade. Essas características individuais produziram uma cultura fundamentada em cinco diretrizes, que identifiquei em minha pesquisa para o mestrado em Antropologia: Aprenda – o saber não ocupa espaço; Aja – faça acontecer, não espere que aconteça; Persevere – não reclame, não adie e não desista; Lidere – seja sempre um exemplo para os demais; Vença – por uma causa, por sua família ou por sua equipe.

E qualquer empresa ou negócio pode funcionar a partir dessas diretrizes?
Se ignorarmos momentaneamente a missão do BOPE e aplicarmos essas diretrizes em nosso negócio ou em nossas próprias vidas, podemos concluir que são princípios universais.

No franchising, qual é a melhor forma de aplicar esses princípios?
Para a maioria dos franqueados, o franchising é muito mais que um investimento, trata-se do negócio de suas vidas. Então, eles devem tratá-lo como sua missão e não como mero trabalho.

O que isso significa?
Há um entendimento que distingue trabalho de missão. Enquanto trabalho é aquilo você realiza com um fim pecuniário dentro de padrão burocrático, missão é aquilo que você valoriza e se dedica em razão de um propósito, pois está diretamente relacionada com o valor que você atribui ao que escolheu fazer.

O que é mais importante para ter sucesso nos negócios?
Posso identificar três condições: que o negócio tenha um sentido muito maior que o lucro que possa proporcionar; determinar metas progressivas de desempenho e se preparar para elas e, por fim, aprender com o erros.

Vamos falar um pouco de liderança. O que é ser um líder?
Líder sempre será aquele que se torna um exemplo de comportamento para os demais. E para liderar visando vencer é preciso lutar e fazer o melhor.

E como se consegue isso?
Demonstrando os atributos que transformam pessoas em um arquétipo, estamos falando de determinação, coragem, honestidade etc. E a única forma para isso ocorrer é botando a mão na massa.

Você lançou no ano passado o livro Vá e Vença – Decifrando a Tropa de Elite. O que o motivou a escrevê-lo?
O livro é o resultado do conhecimento produzido ao longo de onze anos ministrando palestras e consultorias em todo País para diversas empresas e segmentos de negócio. Nele, aprofundo os temas que apresento nas palestras, promovendo um contraste com princípios do BOPE. E há um segundo motivo, a renda obtida pelos direitos autorais é destinada ao Centro Cultural Pedro Storani, uma obra de minha família destinada ao ensino de música clássica e erudita, ­ballet clássico, sapateado e street ­dance para crianças e adolescentes de forma gratuita.

Em quais projetos está trabalhando agora?
Em mais dois livros e na finalização do Centro Cultural Pedro Storani, que recebe o nome de meu filho, desencarnado há três anos.

Já pensou em investir no franchising?
Eu e minha mulher já pensamos sim e até pesquisamos a respeito. Mas percebemos que o negócio requer um comprometimento e dedicação que, no momento, não podemos dispor.