À procura do ponto

Para vender bem, marca precisa estar onde o cliente está. Para isso, a escolha da localização da loja é fundamental

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À procura do ponto

Para vender bem, marca precisa estar onde o cliente está. Para isso, a escolha da localização da loja é fundamental

Ter um ponto comercial bonito, atraente, chamativo e que, “de quebra”, esteja na rota de passagem no dia a dia do cliente é um dos principais desafios para quem quer abrir um negócio.
Andre Belz, sócio da rede de ensino Rockfeller, afirma que é bem criterioso no processo de seleção de um ponto. “Dentro do perfil da marca, temos um tipo de imóvel com algumas necessidades e é esse filtro que passamos para o franqueado iniciar as suas buscas”, conta.
Na rede, são avaliados três aspectos para a escolha do ponto comercial: o imóvel deve ter o tamanho mínimo entre 120 e 130 metros quadrados – a média de tamanho das unidades da rede é de 320 metros quadrados –, não necessitar de reforma e ter uma localização com muita visibilidade. “Não precisa ser instalada em uma avenida principal, por exemplo, mas deve estar em uma rua com um grande fluxo de pessoas. Também não pode ser um imóvel pequeno, com uma portinha, porque ninguém quer fazer um curso de inglês em um local assim”, comenta.
Belz também afirma que os bairros onde são instaladas as redes são selecionados conforme a densidade demográfica e o perfil do público. “Buscamos bairros mais verticalizados e com famílias das classes econômicas A, B e C”. O empresário conta que a rede desfruta de uma ferramenta de geomarketing que os ajuda a mapear bem as potenciais localizações.
Depois de escolhido o ponto pelo franqueado, representantes da rede vão ao local conferir os detalhes, avaliar a necessidade de reforma, de adequação da fachada e se as obras estarão dentro do investimento inicial previsto para a abertura de uma unidade da Rockfeller. “Se o imóvel exigir uma reforma muito grande a gente desaconselha e veta a locação”, explica Belz.
Atualmente a franquia tem 47 escolas em funcionamento e 14 em processo de implantação em todo o País. Todos os imóveis onde as unidades da rede operam são alugadas.
Desde a criação da companhia, há 15 anos, somente duas vezes houve a necessidade de mudar o ponto comercial. Nunca foi fechada nenhuma escola.
Para abrir uma unidade da rede, o investimento inicial varia de R$ 120 mil a R$ 400 mil, dependendo do tamanho do imóvel. O valor inclui taxa de franquia, capital de giro e custo com instalação e montagem. O prazo de retorno é de 24 a 48 meses, mas a média dos franqueados atinge o equilíbrio do negócio em 36 meses.

Foco de franquia são os shopping centers
Claudinei Martins, diretor-executivo comercial do Grupo Kyly, detentor da marca Milon, rede de confecção infantil, afirma que estrategicamente a franquia está apenas em shopping centers. “Entendemos que o nosso consumidor é um público que frequenta os shoppings por ser um ambiente mais seguro, oferecer lazer e uma variedade de opções de escolha”, comenta.
A rede tem 53 unidades em todo o País. A previsão é a de fechar o ano com 70 lojas. Nesse cálculo está o primeiro estabelecimento em São Paulo, que será inaugurado no Shopping Anália Franco, na Zona Leste da capital.
Além das lojas próprias e franqueadas, a Milon também está presente em lojas multimarcas.
As unidades da rede têm entre 35 e 45 metros quadrados. “Talvez em alguma cidade que seja vitrine para turismo, podemos estudar abrir uma loja de rua, mas ainda estamos avaliando”, conta Martins. Para ele, o foco em shopping center, mesmo sendo uma locação mais cara, foi a escolha certa. Mas há outras estratégicas que merecem a atenção do empresário.
“Como não somos loja de destino do consumidor, a seleção correta do ponto é essencial para o nosso sucesso. Procuramos estar sempre em corredor de fluxo e ter sinergia com operações de vizinhos, mix de serviços infantis e loja de calçados para crianças. São aspectos fundamentais para o sucesso do negócio.”
Estrategista, Martins afirma que durante a crise aproveitou a oferta de bons pontos comerciais em shopping ­centers para expandir a marca. “Percebemos que os shoppings tinham bons pontos, resultantes do fechamento de várias lojas durante a crise, e com carência de oferta de peças para o público infantil. Alugamos esses espaços, abrimos lojas próprias e começamos a vender o negócio montado e já com clientela para interessados em adquirir uma unidade da Milon.”
Martins conta que lançou 31 lojas próprias, desde 1985, antes de virar franquia há três anos. “Temos uma marca com um mix bem abrangente e com produto competitivo. Várias lojas estão sendo convertidas em franquias, mas não vamos abandonar nossas unidades próprias. Tenho força financeira para abrir mais estabelecimentos, formatar e vender um negócio mais fortalecido, e continuarei a fazer isso.”

Cuidados vão além da beleza e localidade
A advogada Tatiana Teixeira de Almeida Pedote, do escritório Baubeta Almeida Advogados, destaca vários aspectos legais que devem ser observados antes de alugar um ponto comercial.
O primeiro deles é levantar a escritura do imóvel. “É uma forma de verificar se ele tem algum ônus ou restrição. Normalmente o proprietário ou imobiliária apresentam o documento. Caso isso não ocorra, basta solicitá-lo num cartório de registro de imóveis.”
Outro aspecto importante é analisar se o imóvel está em uma região que permite a exploração do negócio. “Na cidade de São Paulo, por exemplo, temos a lei de zoneamento que delimita as atividades conforme a região. É preciso ter cuidado para fazer essa verificação antes de assinar o contrato.”
Tatiana também ressalta a importância de se avaliar qual será o fluxo de pessoas que passarão pelo imóvel e se haverá necessidade de estacionamento para recebê-las. “Se o imóvel estiver em uma rua muito movimentada, de difícil acesso para parar o carro, é preciso verificar se a ausência de um estacionamento pode afetar o bom funcionamento do negócio.”
Franqueado e franqueador ainda devem exigir um contrato com o prazo mínimo de cinco anos. Além disso, deve-se pedir a inclusão de uma cláusula expressa sobre o direito de vigência e de preferência. Ela protege o locatário em caso de venda do imóvel. “Com essa cláusula, se o proprietário quiser vender o imóvel, ele se compromete a oferecer primeiro para o locatário. E em caso de venda para outra pessoa, ela terá de respeitar o prazo de locação. Assim ele termina o contrato sem a preocupação de uma venda nesse tempo.”
O franqueador também pode solicitar a sua inclusão nessa cláusula. Ela é importante, segundo a advogada, no caso de franqueado e franqueadora rescindirem o contrato. Nesse caso, a rede poderá dar continuidade ao negócio naquele local.
Depois de concluído o contrato, é importante que ele seja averbado no cartório de registro de imóveis com a assinatura de duas testemunhas.

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