Coworking escolhe franchising para expandir

Espaços têm utilizado as ferramentas do setor de franquias para fazer gestão e expansão dos negócios. Saiba como são formatados e quais são os desafios e as oportunidades do modelo

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Coworking escolhe franchising para expandir

Espaços têm utilizado as ferramentas do setor de franquias para fazer gestão e expansão dos negócios. Saiba como são formatados e quais são os desafios e as oportunidades do modelo

Não há limites para o que pode se tornar franquia. A mais recente prova disso são os coworkings, também conhecidos como espaços compartilhados, que têm chegado a cada vez mais territórios brasileiros por meio do franchising.
Até mesmo grandes empresas já têm adotado os espaços. “Elas se atentaram que possuir ativos físicos como grandes escritórios não é mais uma características de ser ‘grande’, significa apenas ser mais ‘pesado’ – ou seja, mais custos, mais burocracias, menos flexibilidade para adaptação em casos de necessidade de expansão dos negócios ou mesmo redução em momentos de quedas do mercado”, explica a diretora do Grupo Bittencourt Lyana Bittencourt.

Ecossistemas de negócio
Dessa forma, a especialista acredita que o franchising se torna um modelo viável para a expansão desse modelo de negócio. “Para alguns pequenos empresários isso pode ser a oportunidade de ter um local adequado para receber clientes sem que seja necessário investir em algo próprio. Os clientes podem ser desde profissionais liberais a grandes empresas que adotam essa forma flexível de administração dos espaços físicos. Os espaços acabam funcionando como verdadeiros ‘ecossistemas’ em que empresas e profissionais interagem e geram sinergias entre seus negócios”, explica.

Lucro vem dos clientes virtuais
Uma das empresas associadas à ABF que opera nesse modelo é a My Place Office. Há sete anos, eles começaram na Berrini, em São Paulo, e passaram a expandir para outras áreas da cidade e em Florianópolis (SC). “Antes chamava Espaço Berrini e quando começamos a expandir, mudamos o nome. Fomos até onde nossos braços alcançavam. Quando fomos para fora de São Paulo, resolvemos franquear, porque o franqueado é dono do negócio dele e vai trabalhar melhor que um gerente, por exemplo”, explica o CEO André Chusyd.
O modelo de negócio permite que seja locada sala de reunião, divulgação de endereço, entre outros serviços. “Buscamos espaços de no mínimo 120 metros quadrados até 300 para que ele consiga com a receita pagar principalmente os custos operacionais e sobra lucro. A partir daí, os clientes virtuais é que vão agregando receita nesse endereço”, explica.
São Paulo é o maior polo da marca, com 12 unidades. Em seguida vem o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com uma cada. Chusyd diz que todas têm performance parecida.

Prefeituras podem ser um desafio
O sócio da Ôshi Orozimbo Borges Neto pontua que existem alguns desafios na expansão de coworkings, principalmente ligados a autorizações municipais. “Para receber um endereço fiscal, a prefeitura tem que permitir esse tipo de modalidade. Ela permite apenas prestação de serviços, não permite comércio, por exemplo”, explica.
Ele também diz que é importante prezar pelos segmentos que farão parte do conjunto. Um coworking focado na área da saúde, por exemplo, precisa ser dedicado a esse setor. “Temos cinco unidades atualmente: Petrolina (PE), Indaiatuba (SP), duas em Campinas e uma em São José dos Campos (SP). Apesar das regiões diferentes, a demanda é semelhante”.

Franqueado com networking tem mais resultados
O perfil ideal de franqueado para esse tipo de negócio, na visão do franqueador, é que tenha construído um bom networking local ao longo da vida profissional. “De modo geral, não tem nenhuma necessidade de ter expertise específico. Treinamos ele e toda a equipe para a questão mais técnica”.
Lyana comenta que as grandes cidades costumam abraçar esses modelos de negócio com mais facilidade. “Há ainda um mindset de ser ‘dono’ do espaço físico, ou ter um espaço exclusivo que precisa ser quebrado e que naturalmente vai acontecer com o tempo. As empresas pesadas em ativos acabam sendo também pesadas para promover a inovação e renovação dos negócios”, aposta.
Antes de instalar em determinada localidade, ela sugere que avalie o perfil das empresas existentes, o perfil dos pontos comerciais e entender bem a demanda para entender os serviços que podem ser oferecidos.

Vale a pena investir em uma franquia de coworking?

Como trata-se de um segmento novo dentro do franchising, Lyana Bittencourt ajudou a listar cinco desafios e oportunidades de se investir em uma franquia de coworking. Confira:

Desafios

Coexistência de empresas e profissionais distintos compartilhando espaços o que pode exigir um senso de comunidade que nem todos estão ainda maduros para oferecer.

Exige regras claras de utilização e convivência.

Segurança: como a circulação de pessoas diferentes acaba sendo maior, os controles de acessos e de imagem devem ser rigorosos.

Manutenção: como são muitas pessoas utilizando os serviços e pagando para usufruir deles, é necessária uma atenção especial para o correto funcionamento de tudo que é compartilhado entre as empresas.

Além dos riscos inerentes a qualquer negócio: escolha errada do ponto, dimensionamento errado do capital de giro necessário para manter o negócio, perfil do operador, escolha de fornecedores etc.

Oportunidades

É um negócio de renda recorrente – os contratos são firmados por um tempo determinado mesmo que esteja prevista a ampliação ou redução do espaço locado. Há espaço também para locação do espaço por dia ou horas.

Você proporciona a conexão de empresas e profissionais diferentes que não teriam essa oportunidade se estivessem em escritórios próprios.

Acaba sendo um ambiente bastante atrativo para novos negócios e as pessoas tendem a querer ficar. A realização de eventos no espaço acaba atraindo novos coworkers.

Passamos por um momento no mercado imobiliário em que muitos espaços estão desocupados e podem significar uma oportunidade para quem quiser operar nesse setor, pois pode se conseguir negociar melhores contratos de ocupação.

É um modelo de negócios que atrai pela onda de compartilhamento/colaboração que inundou o mercado nos últimos anos.