Franquias do esporte entram em forma

Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 estimulam a prática de atividades físicas e puxam os negócios de escolas de futebol e academias

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Franquias do esporte entram em forma

Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 estimulam a prática de atividades físicas e puxam os negócios de escolas de futebol e academias

A 32ª edição dos Jogos Olímpicos, que acontecerá em Tóquio, no Japão, entre os dias 24 de julho a 9 de agosto de 2020, inspira mais do que a torcida pelos 300 atletas que devem compor a equipe nacional, segundo o Comitê Olímpico do Brasil (COB). Do turismo aos artigos esportivos, os negócios também ganham um incentivo extra. Mas o empurrão está mesmo nas franquias diretamente ligadas ao universo do esporte e dos exercícios físicos.
“É natural que os megaeventos esportivos impulsionem a prática de esportes. Esperamos esse mesmo boom com os Jogos Olímpicos do próximo ano. A nossa expectativa é de um crescimento de 20% em número de alunos matriculados na rede”, espera Pedro Badur, diretor-geral da Ronaldo Academy, que possui mais de cem unidades comercializadas no Brasil, Estados Unidos, Hong Kong e China.
Chancelada pelo Selo de Excelência em Franchising (SEF) 2019, concedido pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), a rede de academias de futebol planeja ações locais baseadas no perfil da região e adaptadas conforme o público-alvo de cada unidade. A franqueadora também divulgará essas iniciativas por meio das redes sociais oficiais da marca, tanto de forma institucional quanto para apresentar exemplos de sucesso de seus franqueados.
“Dessa maneira, o impacto e o engajamento do público têm potencial para ser significativamente maior”, acredita Badur. Segundo ele, o projeto está sendo desenvolvido pelas equipes comercial e de marketing da Ronaldo Academy em parceria com a agência de publicidade da marca e com cada um dos empreendedores da rede. Os franqueados da Ronaldo Academy têm liberdade para criar ações específicas de ativação, desde que alinhadas à metodologia de ensino “Be Phenomenal” para o estímulo ao esporte.
Fundada em Campinas (SP) no ano de 2015, a empresa já nasceu como franquia em um negócio idealizado pelo ex-
jogador Ronaldo Fenômeno e pelo empresário Carlos Wizard. Com mais oito mil alunos entre 4 e 17 anos de idade matriculados nas 35 unidades em operação, a rede espera somar 50 franquias ativas até o fim de 2020.
“As Olimpíadas imprimem uma forte influência nas crianças, favorecendo a atração de novos alunos nas escolas de futebol. O aumento da frequência nas academias também é esperado”, confirma o CEO da Proselling Alexandre Sita. A análise do consultor é comprovada pela Biofisic, que também espera um incremento de aproximadamente 20% em sua movimentação.
“Vamos utilizar o nosso trabalho de marketing junto às mídias digitais, lançaremos campanhas específicas abordando o tema e ‘aulões temáticos’ envolvendo os Jogos Olímpicos”, conta o sócio-diretor da Biofisic Marcelo Almeida. Às vésperas do torneio, e durante os Jogos, a academia pretende ainda estender as campanhas criadas pelas unidades próprias a toda a rede de franqueados, fortalecendo a sinergia de toda a sua cadeia.
Com faturamento de R$ 8,5 milhões em 2019, a Biofisic nasceu em 2012 e hoje possui oito mil alunos distribuídos em seis operações localizadas nas cidades mineiras de Itajubá, Pouso Alegre e Poços de Caldas, além de Valinhos, em São Paulo. O município paulista recebeu a primeira unidade franqueada da rede, em 2017. A estratégia de expansão prevê a abertura de duas academias em 2020, seguidas pelo lançamento de quatro a cinco unidades ao ano.
“Planejar previamente as ações é fundamental para que as redes consigam ganhar a visibilidade desejada durante a competição”, alerta Sita. O consultor lembra que o varejo está habituado a buscar datas especiais para engajar as pessoas e aumentar vendas. Promoções e pacotes exclusivos para os clientes e campanhas de incentivo voltadas para as equipes de vendas usando a temática do esporte são algumas das táticas que podem ser colocadas em prática a fim de aproveitar o potencial de exposição gerado pelo torneio.
“Acreditamos que todo evento do tamanho das Olimpíadas pode inspirar e motivar as pessoas a praticarem exercícios físicos por meio da representatividade transmitida pelos atletas olímpicos”, destaca Edgard Corona, CEO e fundador da Smart Fit, que atualmente tem 459 unidades espalhadas por todo o território nacional.
A academia criada em 2009 encara as histórias de superação como um motivo a mais para estimular as pessoas a treinarem. “Vamos aproveitar todo o ‘frisson’ causado pelo evento”, garante Corona. Embalada pelo clima olímpico, a Smart Fit prevê a inauguração de cerca de 70 unidades no Brasil em 2020. Hoje, a rede abriga mais de dois milhões de alunos. Somente nos primeiros seis meses de 2019, a Smart Fit cresceu 40% em receita. A rede faturou US$ 406 milhões em 2018.
A Blue Fit também ganha força. O negócio, que nasceu no município de Santo André (SP) em 2015, aderiu ao sistema de franquias dois anos depois, montando uma rede que hoje supera 70 unidades, segundo dados da empresa publicados no site da ABF. Ginástica, zumba, jump, pilates, jiu-jitsu e muay thai. Entre danças e lutas, a academia avança por meio de um serviço premium oferecido a preços acessíveis e apoiado na defesa de um esforço consciente, movimento que vem fortalecendo a musculatura de todo o setor de saúde e bem-estar nos últimos anos.
Segundo a ABF, o ramo faturou R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre de 2019, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Global Report – The state of the health club industry, estudo anual da International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA) sobre a evolução do mercado fitness, posiciona o Brasil como o segundo maior mercado do mundo em número de academias em 2017. Com cerca de 34 mil estabelecimentos, o país fica atrás apenas dos Estados Unidos. Mas em receita, o segmento ocupa o 12º lugar com um valor estimado em US$ 2,1 ­bilhões. O estudo calcula a existência de 9,6 milhões de clientes e penetração de 4,6%, escancarando um caminho pronto para o ataque.
Em busca de hábitos saudáveis, as pessoas buscam incentivos para um novo estilo de vida. E não é só a aparência que conta. Metade da população está acima do peso e a preocupação com a saúde, qualidade de vida e bem-estar não é mais uma questão de estímulo e sim de necessidade. Já a motivação vinda dos Jogos Olímpicos aflora emoções que vão além de ganhar ou perder. As franquias que souberem entender o real objetivo dos atletas em Tóquio farão muito mais do que manter os seus negócios em forma. Acertarão em cheio a vontade de superar limites.

O ritmo da evolução

A história dos Jogos Olímpicos começa em 776 a.C. (antes de Cristo), na cidade de Olímpia, berço dos templos gregos. A exuberância física do homem foi contemplada em homenagem a Zeus até 393 d.C. (depois de Cristo). Mas quando Roma conquistou a Grécia, os centros pagãos foram fechados, extinguindo o evento na Antiguidade.
O retorno só aconteceu em 1896, ano que marcou a realização das primeiras Olimpíadas da Era Moderna, em Atenas. O autor da proeza foi Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin. Certo de que o esporte poderia não só melhorar a educação como pacificar nações de todo o mundo, o nobre francês contou com a ajuda do empresário Georgios Averoff para financiar o torneio à época.
Mais de 120 anos depois, a competição é patrocinada por marcas globais, como Alibaba Group, Atos, Airbnb, Bridgestone, Coca-Cola, Dow, GE (General Eletric), Intel, Omega, Panasonic, P&G, Samsung, Toyota e Visa. Entre os patrocinadores, parceiros e apoiadores oficiais do Time Brasil, estão Aliansce Sonae, Ajinomoto, BRW Sports Group, Estácio, Max Recovery, Peak Sport e Travel Ace Assistance.
Os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 terão 34 modalidades disputadas por atletas de todo o mundo. Esta é a segunda vez que a capital japonesa sedia o torneio. Em 1964, a terra do sol nascente foi a anfitriã das primeiras Olimpíadas da Ásia. Mas é no Japão que o surfe, skate, karatê, escalada e beisebol/softball farão a sua estreia. O Brasil segue com chances promissoras de medalhas, especialmente no surfe e no skate. Entre as maiores incentivadoras de ambos os esportes estão a Oi, Petrobras, Red Bull, Jeep, Nike e Corona.

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