Eles deram cara nova ao franchising

Conheça as histórias de jovens que empreendem com sucesso no segmento de franquias

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Eles deram cara nova ao franchising

Conheça as histórias de jovens que empreendem com sucesso no segmento de franquias

Cristiano Hoffmann é um jovem empresário paranaense do franchising. Aos 28 anos, é dono da rede Doctor Fit, especializada em treinamentos personalizados. Com 27 unidades espalhadas pelo Brasil, a franquia tem em sua maioria empreendedores jovens. Do total de estúdios, cerca de 15 são comandados por empresários com idade entre 28 e 32 anos.
A composição da rede não é um caso isolado nesse mercado. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), seis em cada dez interessados em comprar uma franquia tem até 40 anos. “São profissionais que se formam, trabalham durante quatro ou seis anos para adquirir experiência, levantar dinheiro e veem a franquia como ponto de virada para ter um negócio próprio”, diz Hoffmann.
A rede é formada, em sua maioria, por educadores físicos, nutricionistas, médicos, profissionais da saúde e investidores. Os estúdios têm entre 80 e 160 metros quadrados e focam o atendimento às classes A e B. “São clientes que não querem pagar R$ 80 por mês e ficarem jogados na academia, nem pagar R$ 600 por um personal”. Para abrir uma unidade da rede, o investimento inicial vai de R$ 60 mil a R$ 100 mil. Esse valor inclui taxa de franquia, capital de giro, infraestrutura e equipamento.
Lucas Dantas de Paiva, 23 anos, é um dos franqueados da Doctor Fit. Ele tem um estúdio em João Pessoa (PB) e é considerado um dos destaques da franquia por atingir bons resultados. O estúdio tem mais de 100 alunos. Antes de empreender, ele era servidor público, tinha um bom salário e afirma não se imaginar “dono do próprio negócio”. No entanto, admite que sempre pensou em ter a sua liberdade financeira e flexibilidade no horário de trabalho. “Optei por franquia por ser um modelo testado, já que eu não tinha experiência com negócios”, diz.
Paiva diz que não se vê mais trabalhando para outra pessoa e já projeta abrir outra unidade da rede. Ele afirma que tem funcionários mais novos e mais velhos do que ele. “Eu procuro sempre aprender com a experiência dos mais velhos. É óbvio que eles têm uma vivência mais concreta, que já passaram por coisas que eu ainda não passei na vida e que, às vezes, nem precisarei passar porque estou aprendendo com eles. Eu também tento deixar o ambiente de trabalho agradável porque eu sei que um funcionário que está satisfeito tanto financeiramente quanto com o clima de trabalho refletirá num melhor ambiente e atendimento para os alunos.”

Bagagem e capital
Para Luis Stockler, diretor da consultoria especializada em franquias ba}Stockler, a faixa etária acima dos 30 anos já tem experiência de trabalho e um certo capital para investir no seu próprio negócio. “Essa faixa sempre buscou opção de negócio no mercado de franquias. Há, também, um público mais jovem que está tentando iniciar no empreendedorismo com a aquisição de microfranquias, que exigem valores menores”, comenta.
Stockler ressalta que há diferença na gestão de empreendedores das gerações X e Y e isso requer um treinamento personalizado por parte das franquias. “As grandes redes já perceberam essa diferença e começaram a investir na qualificação dos franqueados conforme a sua faixa etária. No entanto, ainda existem muitas companhias que seguem um modelo de treinamento padrão e precisam se aperfeiçoar para falar com públicos diferentes.”

Quando criança, empresário queria abrir loja de calçados
Carlos Massis de Oliveira Junior, 41 anos, franqueado da Nutty Bavarian, rede especializada em castanhas, decidiu entrar para esse mercado depois de a multinacional na qual ele trabalhava encerrar as atividades no Brasil. “Sempre viajei muito e, por causa da família, tinha pretensão de abrir um negócio próprio. Daí surgiu a ideia da franquia”, diz.
Ele conta que seus tios são empreendedores, mas não foram a sua inspiração. “Quando pequeno, eu falava que teria uma loja de calçado feminino quando crescesse. Não foi isso que se concretizou, mas estou empreendendo.”
O empresário afirma que sempre gostou de vender. “Em todas as áreas que atuei, meu foco sempre foi o cliente. Fazer o negócio acontecer, ainda mais quando ele é o seu negócio, é uma realização dupla”, enfatiza.
A escolha pela Nutty Bavarian se deu por já consumir os produtos da rede. “O namoro foi longo. Eu havia tentado abrir uma loja em Marília, interior de São Paulo, mas já havia uma unidade. Quando soube que o franqueado precisou sair da cidade por questões de saúde, retomei o contato e fechei o negócio”. Oliveira Junior diz que tem três funcionários na rede. Todos com menos de 25 anos.

Rede investe na diversidade e tenta explorar o melhor de cada geração
Em outra rede, a Orthodonic, cerca de 60% dos empresários têm menos de 40 anos. Para Fernando Massi, CEO da franquia que tem ao todo 226 unidades (193 ativas e 33 em implantação), cada geração imprime um estilo de gestão que tem prós e contras.
“Temos uma rede com muita diversidade e procuramos absorver o melhor de todos para incorporar a cultura da marca. Contamos com franqueados mais maduros e muita gente jovem também. Os diferentes perfis se complementam e se encaixam com facilidade no modelo de negócios, que é muito atual e moderno. Um mindset orientado para inovação é possível para pessoas de qualquer idade e essa é a filosofia da OrthoDontic.”
Na opinião de Massi, o comando jovem pode trazer muito poder de realização e energia para o negócio. “Os empresários com esse perfil querem crescer, se realizar e levar os que estão a sua volta com ele. Esse comportamento é benéfico para qualquer tipo de negócio, mas traz resultados incríveis para uma rede de franquias.”
O franqueador ressalta, no entanto, que a falta de experiência pode ser um desafio. “Contudo, no universo das franquias, o empreendedor pode contar com o suporte da rede. O fato de trabalhar com processos definidos e testados também garante que todos invistam com segurança.”
Massi também conta que, de forma geral, o quadro de funcionários da rede tem em sua maioria jovens. “Nas franquias, temos muitas oportunidades para funcionários em início de carreira. Por outro lado, exigimos alto nível de especialização para alguns cargos, como os postos de gestor e ortodontista. Portanto, acabamos empregando pessoas de faixas etárias diversas.”
Mariana Lappe tem 38 anos e é franqueada da OrthoDontic. Ela diz que resolveu empreender no setor ainda jovem porque “quando novos, temos menos medo de começar algo novo e mais tempo para recomeçar caso não dê certo, além da disposição para trabalhar quantas horas forem necessárias”.
“A nova geração de empreendedores busca estabilidade financeira e qualidade de vida, e na minha opinião só vejo isso em empresários. Trabalhei por uns oito anos em multinacionais antes de empreender. Eu adorava trabalhar em multinacional, mas sentia que faltava algo. Esse algo era a flexibilidade de horário que só encontrei empreendendo. Hoje sou realizada profissionalmente. Amo o que faço.”
Para abrir o seu negócio, Mariana diz que vendeu tudo o que tinha construído até o momento – casa e carro – e ainda fez quatro empréstimos. “O investimento é alto e falta coragem para muitos, mas vale cada centavo. Basta trabalhar que o resultado vem”. Para ela, os jovens têm muita energia e força de vontade, qualidades decisivas para fazer com que um negócio dê certo.