“Não me vejo velha”

A atriz Suely Franco completou 80 anos em outubro e nem passa pela sua cabeça parar de trabalhar

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“Não me vejo velha”

A atriz Suely Franco completou 80 anos em outubro e nem passa pela sua cabeça parar de trabalhar

Alegria, disposição e bom-humor não faltam para Suely Franco, atriz que completou 80 anos no dia 16 de outubro de 2019. No ar como Marlene, na novela “das nove” A Dona do Pedaço, da Rede Globo; como Berta, em D.P.A – Os Detetives do Prédio Azul, no canal Gloob, e como Dona Mimosa, na reprise de O Cravo e a Rosa, no canal Viva, ela garante que, apesar da idade, está longe da aposentadoria.
“Não passa pela minha cabeça parar de trabalhar, até porque quem para, morre. É preciso estar sempre em movimento. E não me vejo velha, só quem tem espírito antigo fica velho. Por enquanto, também não tem nada que me impeça, nada que me atrapalhe, só não aguento passar horas e horas em pé, aí peço uma cadeira e tudo bem, e nem dançar na boquinha da garrafa, isso não dá mais, né?”, brinca.
Sua vocação artística, segundo ela, chegou naturalmente. “Um familiar tinha um teatro amador, então cresci habituada com esse universo. Eu acho que já nasci atriz, não me tornei. Na infância e na adolescência, participei de peças em casa e na escola, toquei em recitais e cantei em coral”, relembra.
A primeira apresentação “mais séria” foi na Igreja Matriz de São Geraldo, no bairro de Olaria, no Rio de Janeiro, interpretando São João, aos 12 anos. Em 1958, estreou como garota-
propaganda da TV Tupi, porta de entrada para os teleteatros da emissora. Três anos depois, a convite da atriz e amiga Zilka Salabery, entrou para a companhia Teatro dos Sete, fundada por Fernanda Montenegro, e se apresentou em O Beijo no Asfalto, peça de Nelson Rodrigues.
Em 1973, foi para a Rede Globo. Lá, fez – e faz – parte de novelas, seriados e minisséries que marcaram a história da televisão brasileira, como Estúpido Cupido, O Bem Amado, As Noivas de Copacabana, Mulheres de Areia, A Grande Família, Sítio do Picapau Amarelo, A Favorita e Êta Mundo Bom!. Na telinha, foram mais de 40 trabalhos. Fora dela, brilhou em mais de 100 espetáculos (peças e musicais) e, na telona, atuou em 18 filmes, como Querido Estranho, O Redendor, Minha Mãe é uma Peça – O Filme e Minha Mãe é uma Peça 2.
Suely Franco também coleciona prêmios. O último conquistado foi o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Atriz em Peça de Teatro, por Quarta-Feira, Sem Falta, Lá em Casa. “Eu amo atuar. Fazendo isso vivo outras vidas, e a gente aprende muito com os personagens. É quase como se tivesse na análise. Ao mesmo tempo, mostramos para o público algumas coisas que normalmente ele não perceberia”, comenta. “E, para mim, o mais gratificante é fazer as pessoas rirem. Gosto de fazê-las felizes, tanto que vivo contando piada por aí”, acrescenta.

Saúde em dia
Mesmo com a rotina agitada, a veterana não descuida da saúde. “Faço hidroginástica e pilates e caminho bastante pelo bairro onde moro. Para trabalhar a memória, faço muito criptograma e palavras-cruzadas, que são os meus passatempos preferidos. E vou regularmente ao médico, para fazer exames de rotina.”
Um pouco avessa à tecnologia – “sou do século passado, até hoje não sei mexer em aparelho de DVD e celular, para mim, é só para ligar e receber chamada” –, ela é mais do contato olho no olho. Também não é do tipo de pessoa que faz planos, é do “deixa a vida me levar”.
“Não penso no amanhã, deixo as coisas aconteceram naturalmente. Mesmo agora, estou com algumas propostas de teatro, mas está difícil encontrar patrocínio, então, o que eu faço? Espero. Se der certo, ótimo, se não der, outras coisas virão.” Um dos seus poucos medos é ficar em uma cama, dependendo da ajuda dos outros. “Mas também não penso muito nisso. Minha vida é muito corrida, não tenho tempo de ficar imaginando o que vai ou não acontecer. Prefiro viver o hoje, o agora, e curtir tudo ao máximo.”

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