A tendência que virou realidade

Saudabilidade, veganismo, vegetarianismo e outras tendências têm feito com que marcas de franquia de todo o mundo mexam em seus negócios para encontrar melhores formas de atender a públicos tão diversificados.

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A tendência que virou realidade

Novos hábitos de consumo permeiam diversos segmentos e motivam transações e inovações constantes no segmento de franquias

Saudabilidade, veganismo, vegetarianismo e outras tendências têm feito com que marcas de franquia de todo o mundo mexam em seus negócios para encontrar melhores formas de atender a públicos tão diversificados.

Segundo pesquisa do Ibope Inteligência, 14% dos brasileiros se declaram vegetarianos e, de todos os entrevistados, 60% disseram, ainda, que se os preços de produtos vegetarianos e veganos fossem compatíveis com os que eles já estão acostumados, o consumo seria garantido.

Esse percentual se tornou um indicador impossível de ser ignorado, em diversos segmentos. A origem dos produtos vendidos é um dos principais critérios para compra, atualmente. Muitas empresas, entretanto, se deparam com a questão da descaracterização do negócio ao oferecer produtos destinados a esse público.

“É importante atender as demandas do consumidor dentro do nicho de atuação da empresa. Existem públicos para os diferentes tipos de produtos e serviços, dessa forma a franquia que vem dando certo em um mercado promissor não deve mudar radicalmente seu conceito, mas, ao mesmo tempo, não pode ignorar as tendências do mercado”, explica o diretor-executivo da MDS Franchising Carlos Ruben Pinto.

 

Não caia em senso comum – e não engane os clientes

Em 2019, a rede brasileira de fast food Giraffas incorporou opções vegetarianas e veganas ao seu cardápio. “Trata-se de uma demanda social. Grupos de colegas, amigos e familiares buscam um restaurante que agrade ao gosto e preferência de todos e os novos pratos do ­Giraffas chegam ao encontro dessa necessidade”, explica o fundador e CEO da marca Carlos Guerra.

Alimentação é um dos segmentos mais afetados por essa tendência, e justamente por isso está mais exposto a possíveis erros do que outros nichos. “Para acenar sem descaracterizar é necessário se adaptar, pesquisar, ouvir as pessoas – elas darão os sinais, indicarão os novos caminhos, enfim, mudar. No segmento de alimentação, certamente será necessário desenvolver novas linhas de produtos que sejam efetivamente naturais, comprovadamente saudáveis, ou seja, que não sejam alimentos processados e que não contenham aditivos ou conservantes químicos. E, ao divulgá-los, sempre tomar o cuidado de ser verdadeiro, nunca enganar os clientes”, explica o especialista.

Ele acrescenta, ainda, que é importante não se deixar levar por crenças do senso comum. “As pessoas que buscam uma alimentação cada vez mais saudável e que adotam o veganismo, ao contrário do que muitos podem pensar, comem muito bem e de forma variada. Existem centenas de alimentos naturalmente veganos como arroz, feijão, legumes, hortaliças, castanhas, frutas e muitos outros”. Ruben Pinto alerta que o medo da “descaracterização do negócio” em nome das tendências é um perigoso caminho que pode destinar ao fracasso.

 

Outros nichos também apostam

Apesar de Alimentação ser o nicho mais visível, quando se trata de saudabilidade e novos comportamentos, outros segmentos também têm passado por fortes transformações. Alguns até unem forças.
A Mundo Verde, por exemplo, já tem mais de 30 anos de experiência no segmento de alimentação saudável, faturou R$ 580 milhões em 2018 e acaba de ampliar seu portfólio com a aquisição da Aloha. A empresa é especializada em óleos essenciais e cosméticos naturais.

A abrangência da distribuição da Mundo Verde foi uma das razões para o acordo. “Acreditamos que esse movimento tem o potencial de fazer a Aloha crescer dez vezes nos próximos cinco anos, atingindo um faturamento de R$ 200 milhões”, afirma o fundador da Aloha Carlos Wizard Martins.

De acordo com Charles Martins, CEO do Mundo Verde, a compra da Aloha é uma forma de ampliar o portfólio de produtos e canais de distribuição. No final de 2018, a rede adquiriu a Natue, plataforma de comércio eletrônico de produtos naturais, com faturamento de R$ 18 milhões em 2017. “O crescimento via aquisições é uma das estratégias que definimos para o Mundo Verde”, explica.

Outra rede de franquias do gênero, a Armazém Fit Store, também começou com a venda de produtos alimentícios, mas hoje se propõe a ajudar o consumidor a “usar” produtos melhores. No estoque há desodorante sem alumínio, sabonetes sem glúten, entre outras coisas.

 

Não seja reativo

Para atender plenamente os novos anseios do consumidor, a franquia precisa sair do lugar comum, de acordo com o especialista. “Quando as pessoas mudam de comportamento o mundo muda. Portanto, o recomendável é se aproximar cada vez mais dos clientes, inspirar-se neles, juntar sustentabilidade com qualidade, conveniência com experiência, mostrar os impactos positivos de sua marca no meio ambiente e jamais resistir ou ignorar”, comenta.

As mudanças fazem parte do processo evolutivo e, em um país com o tamanho do Brasil, isso é ainda mais constante. Ruben Pinto acredita que o empreendedor nacional não pode, em hipótese alguma, ser reativo. “É preciso entender que vivemos no mundo todo momentos de grandes mudanças, e que as mudanças nos hábitos de consumo abrem espaço para novos produtos, novos negócios, novas possibilidades, e consequentemente, acabam por exigir novos olhares e novas capacitações”.