Todos à procura de ouro roxo

A preocupação com a saúde obriga um número cada vez maior de pessoas a repensar a sua dieta. Ao mesmo tempo, dá peso à expansão das franquias que têm o açaí como principal ingrediente do seu core business

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Todos à procura de ouro roxo

Franquias de açaí expandem a presençA de redes no Brasil e no exterior

A preocupação com a saúde obriga um número cada vez maior de pessoas a repensar a sua dieta. Ao mesmo tempo, dá peso à expansão das franquias que têm o açaí como principal ingrediente do seu core business. Famoso pelas suas propriedades nutritivas, o fruto originário de uma palmeira típica da região Amazônica, o açaizeiro, vem puxando o crescimento das redes de alimentação saudável, que em 2018 tiveram um faturamento 25,92% maior do que em 2017, segundo dados da 13ª Pesquisa Setorial ABF Food Service, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

“O conceito do açaí é bem mais poderoso. Ele é considerado um ´superfood’, tem as características funcionais desejadas pelo consumidor e atende ao movimento de saudabilidade 3.0”, confirma Simone Galante, da Galunion Consultoria para Foodservice. O ouro roxo, como é conhecido, encabeça negócios exclusivos e ainda participa do mix de produtos de outras cadeias. Muitas vezes, assume até o lugar de uma refeição, além de suprir o nicho dos snacks, sem contar as variadas formas de consumo em momentos de indulgência cobertos por doces e frutas.

Ao unir sabor e saúde, o açaí amplia a sua capacidade de atrair consumidores, tornando-se um negócio promissor e cada vez mais consistente. “Não é modismo. O açaí tem um elevado potencial de crescimento pela importância que representa para todo o mercado de alimentação”, ratifica João Baptista Junior, coordenador do Comitê de Food Service da ABF. Simone concorda: “se houver crescimento sustentado pela demanda não teremos uma onda”. Segundo ela, o negócio tende a ser passageiro quando ocorre uma abertura excessiva de pontos de venda além da demanda e com baixa qualidade de produto e serviço.

 

Dá gosto

A preocupação em melhorar a velocidade do serviço e padronizar a qualidade do produto acompanha a Fast Açaí antes mesmo da sua criação. Responsáveis pela abertura da primeira casa de venda de açaí do Centro-Oeste do Brasil, em 1998, os sócios Frederico Junqueira, Belisário Junior, Mauricio Lima e Pedro Lima iniciaram em 2012 os testes para que a tradicional receita de açaí na tigela pudesse ser produzida a partir de uma máquina de sorvete.

“Após seis meses, o processo foi dominado e os fundadores perceberam que tinham um novo negócio nas mãos”, conta Odilon Moura, gerente de franquias da Fast Açaí. Inaugurada em formato de quiosque dentro de um hipermercado da cidade de Goiânia (GO), a primeira loja ainda hoje tem clientes fiéis. O status de franquia veio em 2013 e, um ano depois, a Fast Açaí já tinha a sua primeira loja franqueada fora do estado de Goiás, que foi aberta em Brasília.

A rede começou com oito lojas. Hoje, está presente em 12 estados. “Já são quase 200 unidades nos últimos cinco anos”, acrescenta Moura. “A meta é lançar mais 80 unidades até 2020, sendo 30 em 2019”, diz Moura. A expectativa é que o grupo Fast Açaí feche 2019 com uma movimentação de mais de 1,3 milhão de toneladas de açaí, o equivalente a uma receita superior a R$ 60 milhões – alta de aproximadamente 12% em relação a 2018. Os números são nutridos justamente pela relação do açaí com a alimentação saudável. “Em um mundo cada vez mais urbano, o mercado das superfrutas tem crescido de maneira consistente por proporcionar uma grande quantidade de nutrientes em apenas uma porção”, destaca Moura.

 

Saúde para dar e vender

A Concept Açaí também cresce de forma saudável. A franquia alagoana avança a uma velocidade de 30% desde 2014, quando abriu a sua primeira loja, ainda hoje instalada no número 170 da avenida Dr. Antonio de Barros, no bairro de Jatiúca, orla central de Maceió (AL).

“A marca já nasceu como franquia”, lembra Jath Azevedo, diretor-geral da Concept Açaí. No início, o empreendimento tinha dois quiosques, um toten e uma loja. Em 2015 chegou ao Recife, ganhando assim a sua primeira operação fora de Alagoas. Hoje, a rede soma 300 operações em 18 estados. A expectativa é inaugurar 68 lojas em 2019, ano que deve registrar um faturamento aproximado de R$ 115 milhões, acréscimo de 25% na comparação com o ano anterior.

Uma das maiores franquias do Nordeste, a Açaí Concept ajuda a ostentar a fama da iguaria brasileira em solo estrangeiro. A empresa criada pelo empresário Augusto Miguel já tem 24 lojas em operação na Argentina, Canadá, Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal e Suíça, além do Brasil, e pretende chegar ainda à Austrália, Holanda e Inglaterra.

Na Fast Açaí, a expansão internacional começou em 2016 com uma loja inaugurada nos Estados Unidos, que atualmente soma quatro unidades, mesmo número de estabelecimentos encontrados em Angola. Os próximos destinos devem ser Paraguai, Jordânia, Europa e África do Sul, cuja primeira loja está programada para abrir as portas em 2019.

A OakBerry é outra rede que caiu no gosto internacional. A marca nasceu em São Paulo no ano de 2016 e, apenas três anos depois, abriu o seu primeiro quiosque no Florida Mall, em Orlando, nos Estados Unidos.

Bom até no frio

Inovações não faltam para aumentar as vendas do açaí mesmo em dias mais frios. “Aqui temos um ponto crucial. Há marcas com uma proposta de valor muito bem feita, ancorada nas questões funcionais, e o consumo do açaí acontece de forma independente do clima. Muito menos sazonal do que a categoria de sorvetes em geral”, compara a consultora Simone Galante.

O exemplo da Fast Açaí vem da loja de Santa Maria (RS). Mesmo em uma das regiões mais geladas do País, bastou apenas o próprio açaí para gerar aceitação. “O açaí nos ajuda a vender mesmo em dias mais frios por estar relacionado a um produto mais saudável, com nutrientes e, no nosso caso,
por ter polpa 100% orgânica e selo de alimento confiável”, explica Moura.
Ainda assim, a rede busca surpreender a freguesia com opções sazonais, como o bolinho de chocolate quente com açaí, além de um mix desenvolvido por engenheiros de alimentos em parceria com franqueados e expoentes da indústria de alimentos no Brasil e no mundo.

“Nesse momento, estudamos o cultivo de matéria-prima orgânica próxima a nossa base de operações”, revela Moura. A Fast Açaí tem indústria própria desde 2014. Instalada em Aparecida de Goiânia (GO), a fábrica opera com uma capacidade produtiva que pode chegar a 5,2 milhões de toneladas de açaí ao ano. Mas a empresa tem planos para construir uma nova planta capaz de absorver o crescimento projetado para o negócio nos próximos 15 anos.

Para ir além de sucos e sorvetes, a Concept Açaí introduziu a tapioca, lanches naturais e novos cremes em seu cardápio. “Temos parceiros e fornecedores que desenvolvem os nossos produtos em conjunto”, comenta Jath Azevedo. As vendas são alimentadas ainda pelo delivery, especialmente no inverno. “Existe sim uma sazonalidade, mas inserimos outros produtos em nosso mix para contribuir com o aquecimento das vendas”, conclui.