Centro de distribuição X Fornecedores locais

Pensar na logística de um negócio, ou seja, em como será feita a produção e a entrega do seu produto ou serviço para a toda a rede até chegar ao consumidor final, é tão importante quanto confabular estratégias para alavancar as vendas.

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Centro de distribuição X Fornecedores locais

Não há fórmula secreta sobre qual caminho adotar na franquia; é preciso olhar toda a cadeia e ver qual opção faz mais sentido para a realidade de cada operação

Pensar na logística de um negócio, ou seja, em como será feita a produção e a entrega do seu produto ou serviço para a toda a rede até chegar ao consumidor final, é tão importante quanto confabular estratégias para alavancar as vendas. Mas, afinal, quando vale a pena abrir um centro de distribuição ou negociar o abastecimento de suas lojas com fornecedores locais? A resposta não é tão simples como a pergunta, segundo o especialista em logística Marcus Cordeiro, diretor da consultoria ba}Stockler. É preciso avaliar toda a sua cadeia produtiva antes de tomar a decisão.

“É uma decisão cara e estratégica para a saúde da empresa. O empresário precisa analisar o custo como um todo para a cadeia completa e ver o que faz sentido para a sua realidade. A decisão varia de situação para situação. A prioridade é manter a qualidade dos seus produtos e serviços, além de oferecer o melhor custo para seus clientes”, comenta Cordeiro.

Para o especialista, se a rede dispor de bons fornecedores, que garantam a entrega loja a loja, mantendo o padrão e a qualidade que são características de uma franquia, nem sempre existe a necessidade de se investir na estrutura de um centro de distribuição.

A avaliação não está concentrada apenas no segmento de atuação da franquia. “Na minha consultoria, por exemplo, eu atendo clientes da área de alimentação que constataram que era necessária a construção de um centro de distribuição, enquanto outros conquistaram uma rede de fornecedores confiável e que ofereciam todos os requisitos que eles precisavam para atender seus franqueados, descartando a necessidade do apoio de um centro de distribuição em regiões mais afastadas da sua fábrica”, ressalta o executivo.

 

Redução do frete

A Patroni, franquia de pizzarias, viu a necessidade de abrir um centro de distribuição, em 2017, no Recife (PE), para atender as 30 operações que mantém no Nordeste. Entre elas, Paraíba (RN) e Fortaleza (CE). Todos os insumos que abastecem as lojas da rede são preparados e congelados na fábrica de três mil metros quadrados que a rede mantém em Diadema, no ABCD paulista, em São Paulo.
“Quando iniciamos as operações no Nordeste, mandávamos tudo diretamente de São Paulo para a região. Não contávamos com um ponto de apoio. A entrega chegava a demorar uns 15 dias e percebemos que isso estava atrapalhando as nossas operações. Na época chegamos a avaliar o transporte aéreo, mas vimos que era muito caro. Com isso decidimos investir em um centro de distribuição”, diz o diretor de Expansão da Patroni Admilson Souza.

Atualmente a franquia tem 215 unidades. As regiões Sul e Sudeste são abastecidas diretamente pela fábrica paulista via terrestre. Com as operações do centro de distribuição, Souza afirma que reduziu muito o frete para os franqueados.

“Tudo que sai da fábrica de São Paulo para Recife é considerado tributariamente como transferência de mercadoria, ou seja, não entra no enquadramento como barreira fiscal. Antes tínhamos de embutir imposto nelas também. Com o centro de distribuição, além de melhorar os custos para o franqueado, também conseguimos reduzir o preço no produto em 5% para o consumidor final.”

O próximo passo da rede é abrir um centro de distribuição em Manaus para atender esse Estado e Roraima. “Estão surgindo mais operações na região e identificamos que acima de seis lojas é necessário o apoio de um centro de distribuição local”, conta Souza.

 

Agilidade no abastecimento

Na rede de sorvetes Rochinha as lojas da capital de São Paulo são abastecidas por operador logístico terceirizado. Todas as cidades em que a marca atua estão localizadas fora da capital, como Litoral Norte, Sul e interior, e as lojas são abastecidas diretamente pela fábrica de São José dos Campos, localizada no Vale do Paraíba, no interior do Estado.
Atualmente a franquia tem 19 lojas espalhadas pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, além da Kombi Rochinha – um food truck que está em operação em eventos da capital paulista. A empresa também atua com 24 distribuidores locais que fazem operações de abastecimento nas praias e nos pontos de venda.

“Acreditamos que um distribuidor local fica mais próximo do dia a dia e oferece mais excelência na operação. Para o nosso tipo de negócio, é uma opção viável e eficaz no sentido logístico”, comenta o presidente da Rochinha Lupercio Moraes.

Moraes ressalta, no entanto, que atuar com distribuidores não é uma operação barata, “mas os pontos positivos são maiores”. Ele destaca a eficácia das operações em alta temporada, por exemplo, onde a agilidade do abastecimento é primordial.

Não há uma periodicidade padrão para o abastecimento dos distribuidores e franquias da rede. “Tudo depende do local do ponto de venda/franquia e da época do ano. No geral, para lojas franqueadas o abastecimento é semanal. Para os distribuidores, que abastecem os pontos de vendas é mensal.”

 

Lojas próprias maiores

Com 300 franquias em 22 Estados do país, a Ecoville, rede de produtos de limpeza, conta com 12 lojas próprias que atuam como centros de distribuição para as unidades franqueadas. A previsão é a de que, até o final do ano, mais duas bases sejam inauguradas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Segundo Leonardo Castelo, presidente da Ecoville, o modelo de negócio foi escolhido por ser o mais barato e conseguir suprir a demanda da rede. “Em vez de abrirmos grandes galpões, optamos por usar lojas maiores como centros de distribuição e ficar mais próximo de nossos franqueados.”

Castelo conta que uma parte das 300 franquias é atendida diretamente pela indústria, situada em Joinville (SC), e outra pelas lojas próprias. “Antes de termos as lojas que atuam como centro de distribuição, tínhamos problema de capilaridade, ou seja, precisávamos esperar o fechamento da carga para mandar um caminhão. Hoje, por sermos uma rede grande, não temos mais essa necessidade, mas sentimos que era melhor manter as lojas para facilitar o abastecimento das franquias.”

Diferentemente de muitas redes que optam por eliminar as lojas próprias e ter operação apenas com lojas franqueadas, a Ecoville quer manter 20% da rede como loja própria.