É hora de pagar as dívidas?

No primeiro semestre de 2019, mais de cinco milhões de micro e pequenas empresas estavam no vermelho, segundo mapeamento do Serasa.

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É hora de pagar as dívidas?

Juros menores favorecem pagamento de dívidas e investimentos, mas especialistas chamam atenção para cuidados que podem ajudar a não contrair novos débitos

No primeiro semestre de 2019, mais de cinco milhões de micro e pequenas empresas estavam no vermelho, segundo mapeamento do Serasa. É uma quantidade 6,1% maior do que os seis primeiros meses de 2018. Em outubro, a taxa Selic baixou para 5%, um índice histórico, e que pode ter motivado muita gente a pensar em regularizar débitos pendentes ou até investir em um negócio.

A reportagem da revista Franquia & Negócios conversou com o especialista em franchising e tributação Daniel Gudiño e com a especialista em finanças e investimentos Luciana Ikedo para avaliar as melhores opções de destinação de capital nesse período que, apesar da perspectiva de melhora, segue incerto.
Gudiño vê que os empresários ainda estão preocupados sobre como lidar com o cenário da economia brasileira. “As empresas não estão pagando os fornecedores e o mercado interno está completamente desamparado, desaquecido, é uma espiral, essa crise prolongada está gerando muitos problemas.”

No entanto, ele acredita que é um bom momento para a regularização de débitos. O especialista comenta que as empresas de franquia costumam seguir um ciclo de endividamento: primeiramente, deixam de pagar impostos, depois fornecedores e, por último, os empregados. Como o Estado é o primeiro “prejudicado”, cria maneiras de regularização. “Já era esperado que houvesse essa retração de juros porque ninguém está com fôlego para pagar”. Ele sugere que quem tem dinheiro, priorize a regularização financeira.

 

Aproveite as oportunidades

Luciana explica que o período pode ser uma oportunidade de concentrar diversas dívidas, com prazos e taxas diferentes, em uma mesma negociação. “Ao ser contratada (a nova negociação) de forma que esteja aderente ao fluxo de caixa, sem que onere demais o empresário, pode fazer que haja um fôlego financeiro importante para a empresa. Além disso, pode ajudar a evitar o endividamento no curto prazo, que é o mais caro e acontece por falta de capital de giro”, comenta.

A especialista sinaliza que qualquer oportunidade de redução de despesas, renegociação de débitos ou juros menores devem ser aproveitadas. “Assim, negocie ou renegocie bem o aluguel, os royalties e até mesmo a taxa de franquia. Peça desconto, negocie bem o pagamento, reduza as taxas de juros dos financiamentos e tenha especial atenção aos custos fixos, que independentemente do nível de geração de novos negócios terão que ser honrados”, sugere.

 

Dívidas pagas! É hora de investir, ou comprar uma franquia?

Com os juros baixos, o mercado está mais aberto para negociações e torna os investimentos em economia real mais atrativos do que somente os de renda fixa. “Quando avaliamos historicamente, as taxas reais de juros, descontando a inflação, na década de 90, os juros reais estavam na casa dos 20%. Assim, ao optar por um investimento em renda fixa, com baixo risco, as pessoas viam seu capital dobrar em quatro anos. Nesse cenário, pode ser muito mais vantajoso deixar o dinheiro investido, correndo riscos mínimos, do que se aventurar no mundo do empreendedorismo com todos os desafios que o envolvem”, analisa Luciana.

Por outro lado, no cenário atual, com juros reais na casa de 2% ao ano, o mesmo investidor de renda fixa terá que manter o recurso aplicado por 35 anos. “Isso faz com que os investidores avaliem com muito mais ‘carinho’ e vontade outras opções de investimentos e aceitem correr mais riscos para que a rentabilidade fique mais atrativa.  Assim, neste contexto, o investimento em uma franquia ou em ativos financeiros diversificados como ações de empresas na bolsa de valores, cotas de fundos imobiliários, debêntures e CDBs de bancos de segunda linha passam a ser muito mais interessantes”.

 

Investimento em franquia
A especialista avalia que esse movimento se torna importante para a retomada econômica, pois faz com que o empresário volte a investir e gerar empregos e novos negócios, a fórmula para fazer a economia girar.

Gudiño chama atenção para a opção por investimento no franchising, que precisa ser mais cauteloso. Mesmo mais seguro que outras formas de empreendedorismo, o franchising também apresenta riscos, pois depende de uma série de variáveis, que vão desde o modelo do negócio, local a ser implementado, marca, processos operacionais, entre outros.

 

Se eu tenho R$ 100 mil, invisto em uma franquia ou aplico em renda fixa?

Se houver interesse em abrir uma franquia com esse capital,
algumas considerações devem ser feitas:
1 Certifique-se de ter reservado um valor para custos pessoais equivalente a, pelo menos, seis meses sem precisar retirar nada da empresa. “Esse valor deverá permanecer sob os cuidados da pessoa física, apartados da pessoa jurídica, iniciando esse novo ciclo com uma das dicas mais importantes para o empresário: segregar os recursos da PF e da PJ”, explica Luciana.
2 Avalie todos os custos que envolvem a implementação de uma franquia, como capital de giro necessário, cronograma financeiro para a implementação do negócio, bem como a estimativa de retorno e quais são os custos mensais (royalties, taxa de propaganda, entre outros).
3 Luciana sugere que o empreendedor invista o valor referente ao capital de giro em ativos de alta liquidez, como Tesouro Selic ou Fundos de Investimentos de Renda Fixa atrelados ao DI (taxa de juros que acompanha a taxa básica de juros). “Esses ativos têm pouca volatilidade e farão com que o recurso seja remunerado na fase de implantação e também depois que a empresa estiver operacional, gerando maior eficiência na gestão do fluxo de caixa”.
4 Dessa forma, se o valor total disponível for de R$ 100 mil, sem reservas pessoais ou valores adicionais para o capital de giro, o investidor deve considerar adquirir uma franquia mais barata, e aplicar o restante em investimentos conservadores, de alta liquidez e atrelados ao DI.

Nota da economista:
Depois de todas essas considerações, o empresário deve avaliar a disponibilidade total de seus recursos financeiros, descontando os valores para a manutenção de sua vida pessoal e nunca investindo a totalidade do que possui num negócio, seja ele qual for. A falta de liquidez pode levar ao endividamento da pessoa física e da pessoa jurídica, trazendo inúmeros problemas e dores de cabeça no futuro.