Por uma boa impressão

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Por uma boa impressão

Impressoras 3D materializam inovações capazes de aumentar  a eficiência das franquias

A impressão 3D tem o potencial de revolucionar o jeito como produzimos quase tudo hoje”. A frase é do ex-presidente norte-americano Barack Obama e aparece no documentário “Print the legend”, lançado pela Netflix em 2014. O programa fala sobre a democratização das impressoras 3D.
Apresentada ao mundo na década de 90, a tecnologia antes restrita à indústria começou a ganhar popularidade depois que expoentes do universo do empreendedorismo iniciaram testes para projetar equipamentos mais acessíveis. A reinvenção das máquinas trouxe soluções que vão de solados de calçados e aparelhos ortodônticos até a impressão de órgãos humanos.
O potencial para transformar a produção em massa e atender à demanda do consumidor por produtos personalizados coloca a impressão 3D como um motor de crescimento das franquias nos próximos anos. Diferencial competitivo é uma das principais vantagens. “Essa tecnologia ainda é capaz de melhorar o nível de serviço e diminuir o tempo de lançamento de novos produtos, fazendo com que os projetos sejam materializados em modelos reais com enorme velocidade e baixo custo”, enumera Luís Henrique Stockler, sócio-presidente da consultoria Ba}Stockler.

Boa imagem

O histórico de inovação do mercado franqueador já é conhecido. De acordo com dados da 1ª Pesquisa de Inovação nas Franquias Brasileiras, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a Confederação Nacional de Serviços (CNS), 91,8% das franqueadoras pesquisadas incorporaram novos produtos ou serviços e 45% implantaram equipamentos, técnicas ou softwares entre 2014 e 2016.
O advento da impressão 3D abre uma nova frente de oportunidades na busca por redução de custos durante os processos de manufatura, além de reforçar as bases de reputação. “A impressão 3D fideliza os clientes e fortalece a marca, que ganha reconhecimento como empresa avançada e tecnológica”, lembra Stockler.
A Odontoclinic já imprime os resultados obtidos a partir da instalação de impressoras 3D. “Com a possibilidade de ter acesso a uma tecnologia de ponta, podendo levar aos pacientes uma solução muito mais estética e confortável, e a preços acessíveis, os franqueados passam a ter uma vantagem competitiva clara para explorar um mercado bilionário dentro da odontologia no Brasil, que é o dos aparelhos ortodônticos”, exemplifica Carlos Leão, presidente da Odontoclinic.
A rede, que deve encerrar 2019 com 200 unidades franqueadas e crescimento de 18% ante o ano passado, anunciou no último mês de julho um investimento de R$ 10 milhões na expansão de suas clínicas digitais. Desse montante, R$ 7 milhões serão aplicados na área de tecnologia, que envolve software e laboratório de ­ortodontia. O restante será destinado à estrutura física das lojas. “Uma parte significativa desse investimento está em máquinas de impressão 3D, que hoje são utilizadas exclusivamente para a convecção de aparelhos”, informa Leão.

Frente e verso

Em conjunto com outras tecnologias, as impressoras 3D garantem uma solução personalizada e em larga escala. “Traz o que existe de melhor em aparelhos ortodônticos para o mercado brasileiro”, garante Leão. Outro benefício é a redução no tempo de tratamento, que pode cair pela metade dependendo do caso. Com a precisão da tecnologia, todas as etapas podem ser concluídas em questão de horas, cenário que deixa uma pista importante sobre o impacto da impressão 3D no consumo.
Não por acaso, a tecnologia cresce exponencialmente nos Estados Unidos e Europa. “No Brasil, a impressão 3D dobra a cada ano e isso deve continuar com o acesso cada vez maior da população a esse tipo de tratamento”, diz Leão, que acrescenta: “o mercado de próteses dentárias e implantes deve viver um processo semelhante na medida em que a aplicação de tecnologias relacionadas à imagem, impressão 3D e CAD-CAM tornarem os tratamentos mais acessíveis”.
O presidente da Odontoclinic acredita que a demanda por aparelhos invisíveis acompanha o mesmo movimento. Novidades da rede nos mercados de ortodontia, próteses e implantes devem ser anunciadas nos próximos meses a partir de estudos que vêm sendo desenvolvidos no Centro de Inovação da Odontoclinic, localizado no bairro da Vila Olímpia, Zona Sul de São Paulo.

De sorriso aberto

O setor de saúde, especialmente a odontologia, é considerado um dos principais segmentos capazes de impulsionar o avanço das máquinas de impressão tridimensional no mercado brasileiro. Com 226 clínicas em todo o País, a OrthoDontic é outra rede que abre um sorriso largo para as possibilidades aventadas pela impressão 3D.
“Os nossos processos de diagnóstico e planejamento de tratamento estão caminhando para a era digital. Planejamos implementar tecnologias de escaneamento e impressão 3D para a rede dentro de três anos”, prevê Fernando Massi, sócio-fundador da OrthoDontic, que deve terminar o ano de 2019 com 47 novas unidades.
Precisão, escala, rapidez, qualidade e conforto para os clientes são os principais benefícios listados pela rede fundada em 2002 na cidade de Londrina (PR).
“A tecnologia será utilizada principalmente para o planejamento de tratamentos ortodônticos e implantes”, frisa o dentista.
A impressão 3D possibilitará a fabricação de moldeiras, modelos de estudo de casos, alinhadores, guias cirúrgicos, restaurações dentárias, guias de colagem de aparelhos fixos, entre outros. “A demanda por esse tipo de serviço na rede é de aproximadamente dez mil procedimentos ao mês”, revela Massi. Ele projeta um investimento entre R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para a implementação da tecnologia em toda a rede.

Alta definição

“Os segmentos que devem sair na frente são o odontológico, de saúde, moda e acessórios de moda”, confirma Luis Henrique Stockler. A rede de óculos Chilli Beans, com mais de 850 pontos de venda no Brasil e no exterior, e a Alpargatas, dona das sandálias Havaianas, são algumas marcas que vêm experimentando soluções inusitadas com as impressoras 3D.
“Nos próximos anos, devem chegar aos franqueados produtos personalizados, desenhados e construídos dentro da própria loja em minutos”, antecipa Stockler. Segundo o consultor, os principais desafios ainda estão ligados aos custos dos equipamentos. Entre os maiores fabricantes de impressoras 3D, estão, por exemplo, a HP e a Stratasys. Como todo mercado em processo de amadurecimento, também o de impressão 3D deve sofrer ajustes, mas as projeções indicam um potencial promissor rumo à consolidação.
Os investimentos mundiais em impressão 3D devem atingir US$ 13,8 bilhões em 2019, um aumento de 21,2% em comparação ao ano passado, de acordo com o estudo IDC Worldwilde Semiannual 3D Printing Spending Guide. Na América Latina, os investimentos devem alcançar a cifra de US$ 53 milhões, o que corresponde a uma alta de 25%, O Brasil pode estar entre os líderes desse avanço, imprimindo mais eficiência e lucros aos negócios do mercado de franquias.