A vez do trabalho intermitente

O franchising brasileiro gerou 8,8% mais empregos em 2018, atingindo quase 1,3 milhão de profissionais diretamente contratados pelo setor.

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O franchising brasileiro gerou 8,8% mais empregos em 2018, atingindo quase 1,3 milhão de profissionais diretamente contratados pelo setor. A perspectiva é a de ajudar a inserir ainda mais brasileiros no mercado formal em 2019. “No final do ano, constatamos que houve um aumento da contratação de trabalhadores pelo regime temporário e intermitente para atender a demanda do comércio e de serviços, o que refletiu positivamente na geração de empregos no setor de franquias”, comenta a gerente de Inteligência de Mercado da ABF, Vanessa Bretas.
Boa parte disso se deve à acelerada expansão do setor, que bateu as 153,7 mil unidades em funcionamento no ano passado e também à Reforma Trabalhista, que ajudou a abrir novas portas para quem estava desempregado.
A ABF foi uma das entidades responsáveis por incentivar o governo a aprovar a Reforma Trabalhista, que trazia pontos benéficos para o varejo, como a jornada intermitente. Essa modalidade foi a responsável por ajudar a formalizar muitos trabalhadores que cumpriam apenas parte de uma jornada de oito horas nas empresas.
É o caso de Leandro Costa, 30, que atua na área de Expansão da Carol Coxinhas. A empresa tinha antes um profissional contratado sob as regras antigas da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) para esse cargo, mas que não trazia o resultado esperado. “Fizemos um cálculo e vimos que conseguiríamos alocar horas do meu dia para a empresa. Boa parte das negociações estão fora de Andradas [sede da Carol Coxinhas]”, comenta Leandro.
Ele tem sua própria agência, mas preferiu ser contratado como CLT, em contrato intermitente pela empresa, por ver vantagens de horários e diversificação de fonte de renda. “As vantagens são a flexibilidade e a visão de dono, porque não tem aquela questão paternalista de o colaborador ter que ser sindicalizado e dependente exclusivamente da empresa. É a visão do profissional que se sente parceiro, caminha ombro a ombro”, comenta.

 

Varejo é beneficiado

Na visão do executivo de franchising da CS Franchising Natal de Carvalho, o impacto tem sido positivo para o setor de franquias. “Antes da Reforma Trabalhista, o entendimento que existia era o de que havia, no mínimo, responsabilidade subsidiária entre os débitos trabalhistas oriundos dos contratos de trabalho firmados pelo franqueado. Hoje, contudo, com a Reforma, a responsabilidade é solidária, o que muda todo o cenário econômico”, afirma.
Dessa forma, poderá haver uma contratação mais personalizada e adequada à necessidade da unidade, tornando a relação entre franqueado e franqueador mais próxima. “O empregador poderá contratar os prestadores de serviço por horas, dias ou meses, com uma jornada de trabalho mais flexível”, comenta o especialista.
As mais beneficiadas devem ser as franquias que precisem de um determinado número de funcionários temporários em curtos períodos. “Na prática, o trabalho intermitente beneficiará segmentos que necessitam de mão de obra sazonalmente, como o pessoal extra no comércio para o Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, Páscoa, ou garçons em restaurantes nos finais de semana.”

 

Formalização

No entanto, empresas que atuem em outras vertentes também podem se beneficiar do contrato temporário. Como é o caso do Leandro, citado no início do texto, e de outros profissionais que, até então, atuavam de forma “liberal”.
Quando Gabriela Oliveira Sousa Costa, 24, estava para terminar o estágio, a Tutores propôs contratação via contrato intermitente. “Esse é o meu primeiro emprego”, comemora.
Ela cursa faculdade de Matemática e ministra aulas particulares com foco no Ensino Fundamental II, em diversas disciplinas. “No começo do ano é mais parado, depois do Carnaval a agenda fica lotada e, às vezes, trabalho até a noite ou no fim de semana”, explica.