Advertisement Advertisement Editora Lamonica – Varejo à moda antiga ganha preferência do consumidor – Revista Franquia & Negócios ABF

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Varejo à moda antiga ganha preferência do consumidor – Revista Franquia & Negócios ABF

Lojas de bairro têm se sobressaído com a ascensão do e-commerce. Redes de franquia destinam esforços para a proximidade

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Fotografia Loja

09/10/2017 – A área de Estudos Econômicos da Fecomércio MG levantou quais fatores são mais decisivos na decisão de compra para os consumidores mineiros. 75,1% dos moradores da capital do maior estado da região Sudeste optam por compras em lojas de bairro/vizinhança e 57,4% em shopping centers.

O preço das mercadorias (91,3%), qualidade do atendimento (77,7%) e variedade de produtos (76,8%) são fatores importantes, mas a localização não fica atrás, com 67,8%.

A frequência de visitas a lojas de bairro é a maior entre todas as pesquisadas: 29,4% dos respondentes sempre vão a esses estabelecimentos, principalmente para consumir itens de Alimentação (25%), Roupas, Calçados e Acessórios (13,8%) e Telefonia (5,7%). A localização (82,9%) é a maior razão que faz com que as pessoas escolham comprar em lojas de bairro.

Apesar de os dados serem de Belo Horizonte, a realidade não se restringe ao cenário mineiro, de acordo com o economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida. O e-commerce dinamizou a rotina do consumidor, que procura por outros elementos que as lojas virtuais não proporcionem, como acesso fácil, localização e retirada imediata, por exemplo. “As lojas de bairro entram para suprir as necessidades do consumidor que já tem rotina acelerada e procura otimizar o tempo, algo que foi proporcionado pelo e-commerce”, explica.

Grandes já estão lá

Nos últimos anos, grandes redes supermercadistas, como Pão de Açúcar e Carrefour, se atentaram a isso e adaptaram braços exclusivos para bairros, nas grandes cidades, e para o interior. “Não foram moldes criados, é um reestabelecimento daquele modelo que já existia no passado”, avalia Almeida. Há quase um ano, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) lançou uma parceria para supermercados de bairro aderirem à bandeira Aliados CompreBem, que dá oportunidade de adquirir produtos diretamente do centro de distribuição do GPA. A marca Compre Bem não era mais utilizada pela rede desde 2011, mas foi resgatada pelo apelo popular. Até o final do ano passado, 500 lojas aderiram, de acordo com a marca.

Além dessa iniciativa, o grupo mantém as redes Minimercado Extra e Minuto Pão de Açúcar, que fazem parte do projeto de Proximidade do GPA, para suprir as necessidades do dia a dia do consumidor. O Carrefour também colocou na disputa algumas bandeiras específicas nos últimos anos, como a Carrefour Express.

Almeida observa que lojistas de bairro sabem fidelizar sua clientela como poucos. Envio de lançamentos e promoções por WhatsApp são frequentes, bem como entrega a domicílio. Há muito o que aprender a se entrar nesse território. “Isso deve ser uma tendência. Os grandes varejistas devem ir para os bairros, se adaptar e não perder a fatia de mercado. A presença se faz necessária nesse varejo de bairro, de vizinhança”, acredita.

Franquias de vizinhança

A Love Brands nasceu em 2012 para levar os produtos da Imaginarium, Puket e Baloné para cidades do interior, que não comportariam uma monomarca. Já são 50 unidades abertas em todos os estados, com mais força na região Sudeste. “No interior eles são extremamente fieis ao que acontece na cidade. Eles gostam de saber de quem é a loja, quem é a pessoa. Se chega um empreendedor de fora para montar a operação, geralmente não é bem-vindo, eles têm certa restrição”, explica o chefe-executivo da Love Brands, Marcelo Sarpe.

Sarpe comenta que já se cogitou levar a Love Brands para bairros de grandes cidades, mas a proximidade com alguma das monomarcas acaba inviabilizando o projeto. “No interior o que funciona é loja de rua, mais de 90% estão lá. As pessoas têm o hábito de comprar naquela rua central. A busca do franqueado também sempre é por loja de rua, inclusive pelo custo, que é menor”.

Alô, dona de casa

Leonardo Castelo, fundador da Ecoville, acredita que o custo fixo da operação é o maior atrativo para o empreendedor. A rede de produtos de limpeza tem 100% das lojas em bairros. “Eu particularmente acredito que o maior crescimento vai vir disso. Precisa de um negócio com custo fixo para colocar mais dinheiro na mão do empreendedor”, explica.

Em apenas um ano, a marca vendeu 350 unidades e abriu 80. “Estamos abrindo, em média, quatro lojas por fim de semana”. Todos os modelos de franquia têm como a venda porta a porta como estratégia de negócio, principalmente no início da operação. “Temos uma vantagem porque o cliente compra mais e paga menos, é embalagem econômica. Quem mais faz conta e tem potencial para bancar isso é a classe B e C. A classe D quer economizar, mas não consegue investir. Ela compra para uso imediato”, afirma.

Tio da sorveteria

Hoje, o Grupo CHQ abarca diversas empresas profissionais que verticalizam o processo da Chiquinho Sorvetes. No entanto, a rede de franquias ainda conserva a característica do início: loja do interior ou de bairro, com clientela fiel. “Alguns franqueados são conhecidos como os Chiquinhos de suas cidades. O hábito de ir à sorveteria é muito mais comum no interior e esse estilo de vida tem muito a ver com a gente”, explica o CEO da rede, Isaias Bernardes de Oliveira. A preocupação da franqueadora é manter o DNA vivo e trabalhá-lo sempre, mesmo que a marca avance para shopping centers ou grandes polos, como São Paulo.

Você sabia?
A gestão da Love Brands é compartilhada entre as três redes (Imaginarium, Puket e Baloné). Em cada uma existe uma “madrinha” ou “padrinho” responsável por dar suporte aos franqueados.

Matéria publicada na seção Expansão da Revista Franquia & Negócios ABF nº 75 (página 50)

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