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SUS na UTI: oportunidade para o franchising – Revista Franquia & Negócios ABF

Redes de clínicas populares expandem pelo Brasil amparadas na carência de serviços governamentais e altos valores dos planos de saúde

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18/12/2017 – Os constantes problemas dos planos de saúde e a falta de estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender a demanda criaram uma brecha de mercado que vem sendo preenchida nos últimos anos: as clínicas populares. Posicionadas entre a saúde pública e os hospitais particulares, o objetivo dessas empresas é atender clientes de baixa renda, que precisem de serviços médicos, mas não têm mais espaço no orçamento para um plano mensal.

“A crise abriu uma lacuna no mercado e os empreendedores viram a oportunidade de resolver uma série de problemas, dentre eles as dificuldades em conseguir uma consulta médica pelo SUS, que já não consegue atender com qualidade mínima a grande maioria dos brasileiros”, analisa o sócio da consultoria MDS Franchising & Negócios, Carlos Ruben Pinto.

Com experiência no público garimpado por esse mercado, o presidente da rede de clínicas odontológicas OdontoCompany, Paulo Zahr, colocou a clínica PartMed para funcionar há quatro anos. Já são 30 unidades abertas, que oferecem consultas a partir de R$ 25 e parcelamento de exames e procedimentos mais caros em até 60 meses. “O nosso negócio funciona bem forte em consulta e em venda de exames. Todos os procedimentos que o cliente precisar realizar, ele encontra na própria clínica”, explica.

MODA PASSAGEIRA?

O consultor de franchising da consultoria CS Franchising, Natal de Carvalho, acredita que, com o envelhecimento da população e a maior procura por serviços de saúde, essa tendência veio para ficar. “Temos que tomar muito cuidado para que não aconteça como aconteceu com as paletas. As franqueadoras precisam ser sólidas e objetivas, sem pensar só na taxa de franquia”, pontua.

Na visão do vice-presidente da Sorridents, Cleber Soares, qualquer oportunidade em educação ou saúde é originada na carência dos serviços prestados pelo governo. A crescente insatisfação com o SUS abriu o caminho do empreendedorismo. “Qualquer solução que apareça agora precisa vir alicerçada em quatro pilares: acesso, conforto, conveniência e qualidade”, explica.

A própria Sorridents surgiu na periferia de São Paulo, em 1995, com o propósito de oferecer uma experiência diferente do posto de saúde público, com preço acessível. “Hoje recebo outros franqueadores que estão entrando nesse nicho, querendo aprender conosco. Temos trocado ideia com alguns players como o dr. Consulta”, revela.

Saiba mais: Criada em 2011, em Heliópolis, bairro carente de São Paulo, a dr. Consulta já tem mais de 30 clínicas só na Região Metropolitana de São Paulo, mas não é franquia e, de acordo com a assessoria de imprensa, não pensa em expandir pelo modelo.

CONTAMINAÇÃO DE MERCADO

Soares conta que acompanhou a evolução do empreendedor de saúde. No início, expunha apenas em feiras voltadas ao nicho de odontologia, atraía médicos que queriam empreender e os treinava com técnicas de administração. Com o tempo, o perfil começou a mudar e gestores, sem experiência em saúde, passaram a investir. “O cuidado tem que ser redobrado. Sempre aparece o efeito manada e ficam as mais estruturadas, que têm mais história, que estão mais inseridas na comunidade”, analisa.

A Acesso Saúde também veio antes do boom. Originada em Colombo (RS), em 2006, a rede já está em mais de 14 estados brasileiros, com 26 unidades. Até dezembro, 20 novas franquias devem ser inauguradas, de acordo com o presidente da rede, Antonio Carlos Brasil. “Antes era a educação, agora saúde é a bola da vez”, avalia.

O empreendedor receia que as novas clínicas que têm surgido, sem eficiência de gestão e que prometem mais do que é possível entregar, podem trazer danos à imagem da saúde acessível.

Segundo Zahr, da PartMed, há espaço para todos e o consumidor vai perceber quais clínicas oferecem tecnologia, tratamentos adequados, atendimento e preço acessível. Para os médicos, no entanto, será indiferente. “De uma forma geral, os médicos trabalham muito bem, independente da administração da clínica, as coisas vão caminhar direito. O que depende é o acesso que as pessoas vão ter à tecnologia, tudo vai depender da gestão”.

O prejuízo do boom é o legado negativo que clínicas má administradas podem deixar. No entanto, Zahr acredita que as franquias já lidem com isso. “O mercado já vem contaminado há muito tempo pela atividade pública e por planos de saúde que não atendem e estão quebrando. Na verdade, isso vai acontecer de forma natural, muitos vão conseguir se posicionar, outros não”, explica.

RISCOS E DESAFIOS

Saúde é um serviço com custo alto e o primeiro desafio dos empreendedores desse mercado é oferecer um negócio com preço baixo, tornando-o lucrativo e rentável. Ruben Pinto observa que o quadro de especialistas dedicado às especialidades também demandará esforço do empreendedor, pois precisará ser frequentemente ajustado, uma vez que o cliente não vai querer esperar meses por uma consulta.

No entanto, o consultor considera fundamental o desenvolvimento de um manual de gestão de crises para as redes. Os franqueados constantemente passarão por situações difíceis, por exemplo, quando os clientes estiverem com seus familiares com problemas de saúde mais graves e buscarem soluções para as quais as clínicas populares não têm como atender. Será necessário encaminhar para um hospital da rede pública. “As crises já acontecem, mudarão de endereço, mas virão. Então, todos, marcas novas e quem já está no mercado, recomendo estudarem e se especializarem em gestão de crises”, sugere.

Aumento dos remédios impulsiona farmácias de manipulação

Segundo a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), o setor de farmácias de manipulação movimentou cerca de R$ 5 bilhões em 2016 e 73% dos empresários afirmaram que houve crescimento, mesmo em meio à recessão econômica.

Para conseguir um lugar de destaque nas opções do consumidor, a rede Phitofarma lançou um aplicativo que permite realizar orçamento, enviar a receita e encaminhar para a loja mais próxima. “Atualmente muitas pessoas usam o celular para diferentes fi nalidades, e mesmo quem não tem o hábito de usar o aparelho pode solicitar a manipulação pelo método tradicional”, diz o presidente da marca, Roger Marcondes.

A rede adotou a medida de olho no aumento dos remédios tradicionais, autorizado pela Anvisa, no segundo trimestre deste ano. De acordo com a resolução do Conselho de Ministros da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), os índices foram reajustados em 1,36% a 4,76%.

Matéria publicada na seção Oportunidade da Revista Franquia & Negócios ABF nº 76 (página 64)

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