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Rosto em harmonia – Revista OdontoCompany

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O presidente do Congresso Paulista de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, José Flávio Torezan, fala sobre a cirurgia ortognática

Matéria publicada na seção Bate-papo da Revista OdontoCompany nº 14 (página 10)

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18/09/2017 – Diversos problemas ortodônticos podem ser resolvidos com tratamentos simples, como o uso de aparelhos fixos ou móveis e placas para disfunções da articulação temporomandibular (DTM), bruxismo e apertamento dos dentes, por exemplo. Outros distúrbios, no entanto, são um pouco mais complicados e precisam de intervenções cirúrgicas.

Caso das deformidades ósseas na região bucomaxilofacial. Além de interferirem na estética, deixando a pessoa insegura, retraída e com baixa-estima, esses distúrbios podem causar dor na musculatura e nas articulações e ainda provocar alterações na mordida e comprometer a função respiratória.

A solução para isso é a cirurgia ortognática. Apesar de ser realizada há muito tempo, ela só começou a ter mais procura de dez anos para cá, época em que os planos e o Sistema Único de Saúde (SUS) passaram a cobri-la em seus serviços. A operação, realizada em ambiente hospitalar e sob anestesia geral, é até que relativamente simples. Porém, seu pós-operatório exige uma série de cuidados e pode ser bem incômodo.

Para saber mais sobre esse tipo de tratamento – que busca o equilíbrio e a harmonia – e quem deve ou não fazê-lo, conversamos com o cirurgião bucomaxilofacial e presidente do Congresso Paulista de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (Copac), José Flávio Torezan. Confira os principais trechos abaixo.

 

O que é cirurgia ortognática?

Trata-se de um procedimento para correção das deformidades ósseas na região bucomaxilofacial. E elas são de vários tipos, por exemplo: queixo para trás ou para frente, sorriso gengival e encurtamento da face. A cirurgia também é indicada para casos de atresia maxilar e constrição maxilar, quando há deficiência de crescimento da maxila.

 

Sua indicação é apenas estética ou vai além disso?

São muitas as pessoas que buscam esta cirurgia por questões estéticas, porém, em outras situações ela também se faz necessária. O que acontece é que as deformidades dos ossos maxilares podem comprometer o funcionamento das articulações empregadas na mordida, a função respiratória e os tecidos gengivais. O procedimento é muito indicado para quem tem apneia obstrutiva do sono.

 

Qual a idade recomendada para se submeter a esta operação?

Homens a partir dos 18 anos, e mulheres, a partir dos 16 ou 17 anos. Isso se deve ao fato de essas serem as idades nas quais ocorre o final do crescimento da face.

 

É preciso usar aparelho antes da cirurgia?

Sim. Nesses casos, a interação entre o ortodontista e o cirurgião-dentista especialista em traumatologia bucomaxilo facial é fundamental. Antes, durante e depois da operação o paciente deverá usar aparelho fixo.

 

Por quê?

Na ortodontia preparatória para a cirurgia ortognática, o ortodontista trabalhará para alinhar, nivelar e corrigir os possíveis desvios dentais que o paciente apresenta. Isso irá facilitar o encaixe dos ossos na posição correta durante a operação. Normalmente, o pré-operatório dura entre seis meses e um ano. Já o pós pode levar entre um e dois anos. O tempo varia de acordo com a habilidade do ortodontista e a resposta do paciente.

 

E como é feita a operação?

A cirurgia ortognática é realizada em ambiente hospitalar e sob anestesia geral. Ela demora cerca de três ou quatro horas, e o período de internação é de um ou dois dias. No procedimento propriamente dito, realizamos cortes na parte interna da boca, na gengiva e nos maxilares inferior (mandíbula) e no superior (maxila). Em seguida, os ossos são serrados e reposicionados em novo local pré-programado pelo cirurgião, definido com base em análise facial, proporções em harmonização e simetria e também a etnia da pessoa. A fixação dos ossos se dá por meio de miniplacas e miniparafusos de titânio. O resultado disso tudo são mordida correta e melhoras nas vias respiratórias e na estética.

 

O pós-operatório é muito delicado?

A recuperação é uma parte difícil da cirurgia. Apesar de todos os benefícios, o seu pós-operatório pode ser bastante incômodo para a maioria dos pacientes. Eles tendem a apresentar inchaço, tontura, dor de cabeça, prisão de ventre e torpor. O que também pode acontecer é o queixo ficar dormente por um período de seis meses até alguns anos. Mas tudo isso é informado antes, para não haver surpresas. Em geral, durante uma semana, é preciso ficar em casa, em repouso absoluto. Na segunda semana, já é possível fazer algumas atividades na residência, e, a partir da terceira, normalmente a volta ao trabalho. Esse resguardo, assim como o uso de analgésicos, antibióticos e antiinflamatórios, é importantíssimo para o organismo se restabelecer.

 

E quanto à alimentação?

Até 30 dias após o procedimento, a alimentação será líquida ou pastosa, com sucos, sopas, vitaminas, sorvetes, caldos e milk shake. Após 30 dias, entra na dieta massas e purês. A alimentação normal só ocorrerá após três meses. Vale destacar que é normal o paciente emagrecer de quatro a oito quilos no pós-operatório, porém, o próprio organismo ajudará a restabelecer o peso. Além disso, são prescritos vitaminas e suplementos alimentares.

 

Existem outros cuidados?

Muitos dos pacientes têm de usar elásticos na boca por alguns dias ou semanas. A função deles é reeducar a musculatura e fazer com que todos os tecidos cicatrizem com os dentes na posição deixada pelo cirurgião. A limpeza deve ser diária, com o uso de escova apropriada (pós-cirúrgica) e enxaguatório bucal específico. Fora isso, semanalmente, durante os dois primeiros meses, o paciente deve ir ao consultório do cirurgião-dentista para a troca dos elásticos e uma higienização mais adequada.

 

O paciente pode falar depois da cirurgia?

Pode sim, mas alguns ficam com medo. Não há restrição quanto a isso, mas recomendamos que fale pouco, especialmente na primeira semana, pois quanto maior a movimentação da musculatura da língua, maior será a movimentação das áreas operadas, correndo o risco de aumentar a dor.

 

Em quanto tempo a pessoa estará 100% recuperada?

Isso depende da idade e da resposta do paciente. Os mais jovens tendem a se recuperar em menos tempo. Mas, no geral, quem passou pela cirurgia voltará à vida normal depois de um mês. Atividade física, por exemplo, deve recomeçar gradualmente. Pode iniciar com caminhada e aumentar gradualmente de acordo com o grau de preparo físico e as dores na face. Os esportes de contato, como lutas e basquete, têm de se evitados por, no mínimo, três meses.

 

E quando o tratamento ortodôntico deve ser retomado?

No segundo mês após a operação o paciente precisa voltar ao ortodondista para finalizar o tratamento, que, como adiantei, pode levar até dois anos. Apesar de demorada e complexa, a cirurgia ortognática, quando bem planejada e executada, tem resultados excelentes e melhora muito a qualidade de vida da pessoa. Por exemplo, no caso da apneia obstrutiva do sono, sua eficácia, comprovada cientificamente, varia entre 70% e 90%. Não à toa, e também porque vários planos de saúde e até o Sistema Único de Saúde (SUS) costumam cobrir a operação, por se tratar de um importante benefício à saúde da população, sua realização nos últimos 10 anos, aumentou em mais de 300%.

 

Principais indicações da cirurgia ortognática

- Dificuldade de mastigar ou morder alimentos;

- Dificuldade de engolir;

- Dores crônicas nos maxilares ou nas articulações dos maxilares e dores de cabeça;

- Desgaste excessivo dos dentes;

- Mordida aberta (espaço excessivo entre os dentes superiores e inferiores);

- Aparência desequilibrada da face vista de frente ou de lado;

- Lesões ocorridas à face ou defeitos de nascença;

- Queixo retraído;

- Maxilares salientes;

- Incapacidade para fazer os lábios se encontrarem sem precisar fazer esforço;

- Respiração crônica pela boca e boca seca;

- Apneia obstrutiva do sono.

 

Matéria publicada na seção Bate-papo da Revista OdontoCompany nº 14 (página 10)

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