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Revista Franquia #82 |TECNOLOGIA|Para ver de cima

Para ver de cima

Regulação dos drones motiva inserção da tecnologia na rotina das franquias brasileiras. De linha de produção a marketing: todas as áreas podem ser beneficiadas

Desde a metade do ano, os trabalhadores do Edifício Philadelphia, localizado na Avenida Angélica, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, passaram a ter um elemento diferente em suas rotinas. Um pequeno drone, operado pela franquia da Sterna Café, percorre a área externa do edifício chamando os profissionais para degustar um café.
Se a pessoa não puder se demorar na loja, pode fazer o pedido pelo aplicativo “Hand in Food” por meio do celular e finalizar a compra pelo QR Code, sem pegar filas. “Nossa iniciativa visa a impactar as pessoas do prédio pelo drone, voando na jan

Sterna Café utiliza tecnologia para chamar atenção em prédio comercial, em São Paulo

Sterna Café utiliza tecnologia para chamar atenção em prédio comercial, em São Paulo

ela”, explica o fundador da marca e idealizador da ação, Deiverson Migliatti. A rede não comentou sobre a expansão do serviço para outras unidades.

Crescimento agressivo
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), existem hoje duas mil empresas e 34 mil pessoas físicas cadastradas para utilizar drones, no Brasil. Segundo um levantamento feito pela feira especializada DroneShow, o setor faturou R$ 300 milhões em 2017. Nisso, entendem-se as receitas obtidas por toda a cadeia, formada por fabricantes, importadores, manutenção, acessórios, softwares, locação, treinamento, processamento das imagens e prestação de serviços para aplicações como filmagens, agricultura, inspeções, mapeamento, mineração, florestal, segurança, infraestrutura entre outros.
A recente regulação colaborou para o surgimento de startups que têm o drone como objeto central. A SMX Systems, por exemplo, desenvolve sistemas aéreos não tripulados para entrega de cargas leves, como medicamentos. O objetivo, segundo eles, é acelerar o transporte e entrega para localidades mais distantes dos grandes centros, como áreas rurais.

Pontos de atenção
Apesar de ser regulado, há várias normas que precisam ser seguidas para a operação de drones. Somente maiores de 18 anos podem operar e não é permitido voar sobre pessoas, a não ser com autorização prévia.
Drones entre 250 gramas e 25 quilos precisam ser registrados na Anac. Pilotos de drones com mais de 25 quilos necessitam de habilitação, certificado médico aeronáutico e registro do voo.
Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação da FGV

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação da FGV

Custo e mão de obra ainda são desafios
O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, vê com bons olhos essa modificação e o panorama de atuação no mercado brasileiro. “O Brasil deu um belo passo recentemente e tem uma das melhores regulações sobre o tema. Aqui pode ter um controlador para vários drones. No entanto, ainda há escassez e os custos são altos”, afirma.
Ele acredita que, como qualquer nova tecnologia, o desafio seja o custo e disponibilidade, em um primeiro momento. “É a famosa elasticidade de escala e preço. Se seguir a mesma trajetória, vai cair com o tempo”, explica.

 

 

Produção de catálogos e treinamentos

A Orthodontic deve implementar drones em seus projetos audiovisuais entre o segundo semestre de 2018 e o primeiro de

Fernando Massi, sócio-fundador da Orthodontic: drones são usados no material de treinamento

Fernando Massi,
sócio-fundador da Orthodontic: drones são usados no material de treinamento

2019, segundo o sócio-fundador, Fernando Massi. Desde a metade do ano passado, a rede tem passado por uma renovação de identidade. “A inserção dos drones no projeto possibilita um impacto visual diferenciado a partir de imagens incomuns para o olho o humano, tanto em perspectiva quanto em mobilidade”, afirma.
A ideia é disponibilizar a tecnologia para toda a rede depois que for testada pela franqueadora. Massi estima que o investimento total gire em torno de R$ 100 mil, incluindo captação de imagens e plano de divulgação.
Da mesma forma, a iGUi Piscinas informou que também adotou a tecnologia para a automatização da produção de seus catálogos, mas não forneceu mais detalhes de como os drones operam.
Igreja vê um horizonte cheio de oportunidades para o uso da tecnologia, principalmente para entregas de produtos mais leves, que são a maioria. Isso já vem sendo testado em países europeus, de acordo com o especialista. “Com isso, será necessário menos frota, menos combustível e menos entregadores. Dá para vislumbrar um impacto gigantesco”, comenta.

 

 

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