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Revista Franquia #82 |SUSTENTABILIDADE|Guerra aos canudos plásticos

Guerra aos canudos plásticos

Movimento mundial ganha força de Lei em municípios brasileiros e obriga franquias a buscarem alternativas

Julio Monteiro, CEO da Megamatte: rede estuda melhor forma de substituir canudos sem onerar franqueados

Julio Monteiro, CEO da Megamatte: rede estuda melhor forma de substituir canudos sem onerar franqueados

Cerca de dois milhões e meio de canudos plásticos são consumidos nas 140 unidades da Megamatte, por ano. Sediada no Rio de Janeiro, que acaba de ter uma Lei sancionada (leia mais no BOX ao lado) sobre o tema, a rede envolveu franqueados, fornecedores e especialistas em sustentabilidade para encontrar uma forma de substituir o suprimento, sem afetar a experiência do consumidor.
O CEO, Julio Monteiro, diz que a medida deve ser levada a todas as unidades brasileiras. “O desafio é oferecer uma solução que seja viável financeiramente para o franqueado e aceita pelo consumidor”. De acordo com ele, os custos com canudos nas lojas devem crescer 200%, o que impede de mensurar, por enquanto, resultados positivos.
A força da Lei faz com que as empresas acelerem os movimentos, mas a preocupação é global, segundo o diretor da consultoria Franchise Solutions, Pedro Almeida. “É uma mudança que começa a acontecer, mas não terá impacto imediato”, explica.
As redes que têm sede no Rio de Janeiro, devem ajudar a levar para outras regiões de forma mais abrangente, motivadas pela legislação. “Em outras capitais o movimento dependerá da decisão do franqueador, mas é uma tendência para os próximos anos”.

 

Municípios brasileiros proíbem canudos
No Rio de Janeiro, a Prefeitura sancionou uma Lei, em 19 de julho, que proíbe canudos plásticos nos estabelecimentos. A multa para descumprimentos é a partir de R$ 651, dependendo do porte do comércio, podendo chegar a R$ 3 mil. O prazo para adequação dos comerciantes foi até dia 19 de setembro.
Da mesma forma, Santos (SP) e região multará os estabelecimentos que oferecerem canudos de plástico a partir de 2019. Os valores vão de R$ 500 a R$ 1 mil, por infração.
Embora, aqui no Brasil, o movimento tenha se espalhado pelos municípios, por meio da Lei, ele é uma tendência mundial.
Diversos países têm feito esforços para diminuir a quantidade de plástico nos oceanos. De acordo com dados da ONG Ocean Conservancy, sediada nos Estados Unidos, o item foi o sétimo mais coletado nos oceanos, em 2017.

Antecipação

Rodrigo Matheus Andrade, diretor de supply chain da Mania de Churrasco!: todas as lojas da marca terão canudos biodegradáveis. Rio de Janeiro não terá opções do suprimento.

Rodrigo Matheus Andrade, diretor de supply chain da Mania de Churrasco!: todas as lojas da marca terão canudos biodegradáveis. Rio de Janeiro não terá opções do suprimento.

Grandes redes como McDonald’s e Starbucks têm liderado o movimento, mundialmente. No Brasil, a Arcos Dourados, franquia que opera o McDonald’s na América Latina e Caribe, só fornecerá canudos se o consumidor pedir.
A rede tem procurado soluções para substituir os canudos e também os copos por suprimentos feitos de material reciclável. Isso tem inspirado outros players a também buscar soluções.
Ainda em setembro, todas as lojas da rede Mania de Churrasco! Prime Steak House substituíram os canudos plásticos por biodegradáveis, com exceção do Rio de Janeiro. No estado carioca, não existirão mais canudos, pois a legislação local não aceita outro material que não seja papel.
“Entendemos que os resultados são positivos, porque ajudamos o público interno e externo a se conscientizar sobre a importância do uso de substâncias biodegradáveis, que agridam menos o meio ambiente”, afirma o diretor de supply chain da rede, Rodrigo Matheus Andrade. De acordo com ele, o custo do novo suprimento é 5% maior que o anterior, “um impacto pequeno frente à contribuição que ele traz”, na visão da marca.

Ice Mellow trocará canudos de plástico por papel em toda a rede

Ice Mellow trocará canudos de plástico por papel em toda a rede

Redes aproveitam para revisar outros suprimentos
A Ice Mellow começará a utilizar canudos de papel para substituir os materiais plásticos, em todas as lojas da rede. “O maior desafio foi desenvolver novos fornecedores que pudessem nos atender, sem produzir grandes impactos de custos para o negócio”, explica o diretor da marca, Ivan Pereira de Almeida.
Recentemente, a rede já havia feito outra substituição em seus suprimentos: as embalagens plásticas foram trocadas por papel acartonado. “Através da parceria desenvolvida com o novo fornecedor, a diferença de preços entre os materiais será irrisória, diante dos inúmeros benefícios”, acredita.
Dia 4 de outubro é o prazo final que a rede Saladenha deu para que seus franqueados abolissem o uso de canudos. “Nenhuma loja deverá ter mais nenhum canudo. Até lá, os consumidores estão sendo avisados e estamos sugerindo que não solicitem”, explica o sócio-diretor da marca, Renato Flora.
Renato SaladenhaFlora acredita que o maior investimento que tem sido feito é o de informar o consumidor, que aindaFOTO PEDRO ALMEIDA pede pelo canudo. “Sabemos que para ter uma ação efetiva, teremos que divulgar ainda mais e para isso será necessário que a franqueadora faça uma injeção de verba no fundo de propaganda para essa proposta de mudança de hábito”, afirma.
O consultor Pedro Almeida avalia que a adaptação ajuda o meio ambiente, mas também é uma ferramenta de marketing para quem começar primeiro, e pode trazer ganhos para as empresas. As redes devem operar com “unidades laboratório”, que ajudem a medir a aceitação do consumidor e formatar o melhor modelo para levar a toda a rede.
Ele aposta que a globalização do movimento em território nacional se dê entre dois e cinco anos. Principalmente com o surgimento de novos fornecedores, que ajudarão a deixar o custo mais acessível. “Um pacote com 100 canudos de plástico custa entre R$ 4 e R$ 6 para o franqueado. Já o biodegradável ou comestível chega a ser de sete a dez vezes mais caro”, afirma.

Saiba mais
Motivada pela campanha, a Saladenha pretende eliminar o uso de embalagens que não sejam recicláveis, em 2019. “Temos que ter a consciência de que nossas pequenas atitudes de hoje poderão mudar o futuro das próximas gerações”, explica Renato Flora.
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