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Revista Franquia #82 | OPORTUNIDADE|Guide shops: rumo ao omnichannel

Guide shops: rumo ao omnichannel

O método chegou no franchising e poucas marcas já utilizam. conheça quem faz e quais são os desafios

“Esse modelo acaba com as frustrações na hora da compra por parte dos consumidores nas duas frentes, e-commerce, lentidão e menus não intuitivos que fazem com que o comprador desista da compra, e venda física com vendedores despreparados e falta de produtos no estoque” Mércia Vergilli, consultora do Grupo Soares Pereira & Papera

“Esse modelo acaba com as frustrações na hora da compra por parte dos consumidores nas duas frentes, e-commerce, lentidão e menus não intuitivos que fazem com que o comprador desista da compra, e venda física com vendedores despreparados e falta de produtos no estoque”
Mércia Vergilli, consultora do Grupo Soares Pereira & Papera

Nos últimos anos, o varejo tem trabalhado incansavelmente para conseguir trazer o melhor dos dois mundos (físico e virtual) para a experiência de compra do cliente, independentemente do canal utilizado. Diversos serviços têm sido testados, e nenhuma receita pronta foi encontrada: cada marca terá uma forma de fazer.
“Os guides shops são a tendência do varejo mundial, é uma evolução do e-commerce. Por ser novidade, atrai a atenção das pessoas, já que é algo que está atrelado à tecnologia; ferramenta que está totalmente ligada ao nosso cotidiano”, explica a consultora do Grupo Soares Pereira & Papera (GSPP), Mércia Vergilli.
Nos guide shops, o cliente consegue visitar a loja física, ver o produto, e comprá-lo virtualmente, para receber em casa. “A vantagem é ganhar espaço para expor os produtos, sem precisar de um estoque grande, contando apenas com um depósito central para abastecer todas as frentes”, explica Mércia.
Na visão da especialista, a novidade ainda tem espaço para crescer no mercado brasileiro, pois o consumidor é aberto a experimentar novidades. No entanto, ela acredita que as lojas devam se manter próprias, em um primeiro momento, para depois pensar em como franquear.
“Esse modelo acaba com as frustrações na hora da compra por parte dos consumidores nas duas frentes, e-commerce, lentidão e menus não intuitivos que fazem com que o comprador desista da compra, e venda física com vendedores despreparados e falta de produtos no estoque”, comenta.

Compras feitas pelo app
Uma das únicas operações brasileiras com essa metodologia, por enquanto, é a varejista de vestuário Amaro, que não é franquia. As compras nas lojas são feitas on-line, por meio de um dos computadores ou tablets disponíveis no espaço, e a entrega do produto vai diretamente para a casa do cliente ou pode ser retirada no guide shop mais próximo de casa.
O cliente pode, ainda, utilizar o aplicativo da marca para escanear os códigos de barra dos produtos e encontrar os produtos na plataforma. O pagamento é feito pelos tablets ou computadores disponíveis nas lojas.
A rede já tem 14 lojas no Brasil. A última foi aberta no Shopping Bourbon, em São Paulo, justamente pela alta demanda de pedidos on-line na região, de acordo com a marca.

Franchising
O primeiro guide shop do franchising é a marca de decoração MinD, adquirida pelo Grupo Uni.co, detentor da Imaginarium.

MinD é o guide shop de decoração do Grupo Uni.Co, detentor da rede Imaginarium

MinD é o guide shop de decoração do Grupo Uni.Co, detentor da rede Imaginarium

A marca existe há quatro anos e foi inspirada em empresas internacionais, de acordo com a gerente da rede, Fernanda Prazeres. Atualmente, existem cinco lojas.
A MinD conta com cinco lojas, sendo três próprias e duas franqueadas, além do e-commerce. Há planos de inaugurar mais seis operações em 2018.
As lojas têm entre 35 m² e 55 m², e oferecem cerca de 500 produtos diferentes. As principais categorias são vasos e cachepots, mini móveis, porta-retratos, almofadas e luminárias. O faturamento médio das lojas é de R$ 100 mil.
“O cliente pode marcar um horário para escolher qual consultor vai atendê-lo. Ele leva seu projeto, fotos da casa e informações do que gostaria de fazer para ter a assessoria desses profissionais”, explica.
Para dar conta da demanda, eles contratam profissionais qualificados, recém-formados em arquitetura e design de interiores. “O principal desafio nesse modelo é conseguir padronizar o nível de atendimento, por diferenças culturais mesmo. O costume em uma cidade é diferente de outra”, afirma.
Na visão de Fernanda, a proposta da marca vai além da venda de produtos: tem a questão de curadoria, que é ainda é pouco explorada no mercado brasileiro. “Oferecemos o pacote de serviço mais produto. No Brasil, hoje ainda não tem tanta oferta de produtos diferenciados, entendemos que seja um grande diferencial”, afirma.

Cultura
O desafio desse tipo de loja é ajudar o consumidor entender que ele não vai comprar nada na hora, ainda mais os que não são acostumados com o “modus-operandi” da internet. “Além disso, tem a questão do frete, caso esse valor não esteja embutido, já que alguns consumidores podem se mostrar resistentes em pagar um valor de um produto que será entregue em sua residência quando ele pode simplesmente “levá-lo’ na hora”, afirma Mércia.
O ideal é montar uma operação com esse foco para testar e educar o consumidor. A especialista acredita que operações conhecidas, com boa performance no mundo físico ou digital, terão mais dificuldade para adaptação do que empresas recém-criadas ou já nascidas com essa proposta.

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