Advertisement Advertisement Editora Lamonica – Revista Franquia #82 | ESPECIAL MICROFRANQUIAS|Investimento micro, responsabilidade macro

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Revista Franquia #82 | ESPECIAL MICROFRANQUIAS|Investimento micro, responsabilidade macro

Investimento micro, responsabilidade macro

Redes com investimento inicial inferior a R$ 90 mil crescem durante período de instabilidade econômica e ajudam a moldar o novo perfil do franchising brasileiro

Por Paulo Gratão

Priscila Santana, franqueada da Mania de Passar: parcelamento do investimento inicial facilitou para a entrada no franchising

Priscila Santana, franqueada da Mania de Passar: parcelamento do investimento inicial facilitou para a entrada no franchising

Passar roupas nunca foi o forte de Priscila Santana, 33 anos e ela nunca se imaginou fazendo isso como meio de sobrevivência. No entanto, sua vida deu uma guinada.
Ela e o marido, Leandro Santana, 33 anos, foram despedidos quase ao mesmo tempo de seus empregos. Para colocar comida na mesa, eles começaram a trabalhar em festas de rua. “Tínhamos pouquíssimo dinheiro, precisávamos juntar, correr de ‘rapa’, de polícia. Com o lucro, conseguimos dar entrada para entrar na microfranquia”, explica.
O casal conheceu a marca Mania de Passar na Feira do Empreendedor, promovida pelo Sebrae, em São Paulo, e apoiada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). “A possibilidade do parcelamento ajudou muito e eles apostaram na gente. Mesmo não entregando todo o valor inicial eles dão o insumo para começar o negócio”, explica Priscila. Para conseguir ter seu próprio negócio, eles deram uma entrada de R$ 2,5 mil e mais cinco parcelas no mesmo valor.
Foi com a microfranquia que o casal teve o primeiro contato com o lado empreendedor. “O cartão de visita é lindo, assim como todo o projeto que criaram para nós. Eles dão o treinamento, eu não tinha noção de como passar roupa, como gerir empresa, quanto tem que pagar para uma passadeira. Consegui ter noção real do que vou pagar no dia a dia”, comenta.
A faixa etária de Priscila e Leandro corresponde ao público que mais investe em microfranquias, de acordo com o último levantamento da ABF. Jovens entre 26 e 35 anos são os que mais entram no sistema por meio da modalidade.

Faixa etária do investidor em microfranquia
1. 26 a 35 anos
2. 36 a 45 anos
3. 46 a 55 anos
4. Até 25 anos
5. De 56 a 65 anos
6. Acima de 65 anos
Fonte: ABF

Alternativa à crise
A microfranquia cresceu como alternativa à crise, na percepção da diretora da Nutty Bavarian e diretora de microfranquias da

Adriana Auriemo, diretora da Nutty Bavarian e diretora de microfranquias da ABF: franqueadora deve prestar mesmo suporte a todos os modelos de franquia

Adriana Auriemo, diretora da Nutty Bavarian e diretora de microfranquias da ABF: franqueadora deve prestar mesmo suporte a todos os modelos de franquia

ABF, Adriana Auriemo. “Tem crescido não somente o número de franqueadoras como o de pessoas interessadas. No Portal do Franchising (site da ABF que reúne as franqueadoras associadas à entidade) o mais procurado são as franquias de baixo investimento”, diz.
Adriana explica que o modelo se torna viável, pois apresenta um baixo investimento inicial (limitado a R$ 90 mil) e profissionalização, que assegura a entrada de quem não é familiarizado com o próprio negócio. “Pessoas que perderam o emprego e decidem virar empresárias, outros que já eram administradoras, mas eram informais e decidiram virar um empreendedor formal, não têm muita margem pra erro”, explica.

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Um novo mercado para as tradicionais
Isso também fez com que marcas mais antigas do franchising voltassem seus olhos para o segmento e abrissem suas próprias opções de microfranquia ou reduzissem o valor do investimento inicial para captar esse público.
De acordo com estudo da ABF, em 2016 operavam 557 marcas com unidades de microfranquia, no Brasil, tanto de forma exclusiva, como paralela a um modelo tradicional. Deste universo, 79,8% atuam exclusivamente com microfranquias e 20,2% operam com ambos os formatos: tradicional e microfranquia.
O mesmo estudo diz que 31% das redes exclusivamente de microfranquias possuem acima de 100 unidades e 25% têm menos de dez operações.
Independentemente do perfil da franqueadora, as cidades entre 100 mil e 300 mil habitantes são os principais alvos de expansão. Redes com operação exclusiva de microfranquias, no entanto, tem maior penetração em cidades mais populosas, acima de 500 mil habitantes. A ABF explica que isso acontece porque as marcas que operam com mais modelos priorizam os grandes centros para as franquias de portes mais arrojados. Confira as regiões de maior presença de microfranquias na tabela a seguir:2

Ter mais tempo para a família
Depois de 20 anos como profissional de marketing no mercado corporativo, Simone Carreira foi dispensada da empresa. Moradora da zona leste de São Paulo, ela percorria 40km por dia para chegar ao trabalho e percebeu que precisaria mudar o ritmo para ter mais contato com a própria família.
O deslocamento diário rendia cerca de quatro horas. “Almoçar com eles (filhos), buscá-los no colégio, ir às reuniões de pais com maior frequência, coisas que nunca pude fazer por trabalhar muito longe, era o meu maior desejo naquele momento”, explica.
Algumas vagas de emprego apareceram, mas nenhuma em sua região. Percebendo a dificuldade de encontrar um trabalho em sua área e perto de casa, a executiva decidiu que era hora de abrir o próprio negócio.
4Fez diversas pesquisas e conheceu uma agência de recrutamento perto de su a casa que selecionava diaristas. Lá conheceu a Mary Help. Ao visitar a Feira do Empreendedor, conheceu melhor o modelo e viu a chance de voltar ao mercado de trabalho, sem sair do bairro. Hoje, ela já fatura o mesmo de quando era executiva.
“Não me arrependo em nenhum momento de ter mudado de área, estou feliz, realizada e conseguindo equilibrar melhor minha vida pessoal e profissional.”

Trabalhar em casa
Abrir uma empresa no ramo do agronegócio, que é um dos mercados responsáveis por boa parte do PIB nacional, pode ser oneroso e complexo, mas o franchising pode simplificar. Essa foi a visão de Joacir Roque, 45 anos, que abriu uma microfranquia da Nutrimais, em Palmitos (SC). “O valor necessário para a abertura do negócio foi um dos itens que me chamou a atenção”, afirma.
Antes, ele trabalhava com gastronomia e agora consegue tocar o negócio de sua própria casa, pois escolheu o modelo home based. “É possível ter algum tempo livre e a gente trabalha mais tranquilo. Eu, particularmente, trabalhava em um ritmo muito acelerado”, comenta.
Roque acaba de completar um ano como franqueado da Nutrimais e já pensa em investir em novas unidades, no futuro. “O que eu tenho lucrado com a microfranquia tem sido o suficiente para que eu pague as minhas contas e viva bem. Para o segundo ano, eu espero um faturamento ainda maior, pois eu já estarei com uma base de clientes fixa e a prospecção dos novos ficará mais fácil, pois eu terei algo para mostrar”, afirma.
Franquias home office compõem o segundo modelo mais popular entre redes exclusivas de microfranquias, de acordo com a pesquisa da ABF. Lojas de rua ainda são dominantes.

Faixa etária do investidor em microfranquia
A pesquisa da ABF identificou que a média do pro labore nas redes de microfranquia é de R$ 3611, para redes que operam com mais de um modelo, e R$ 3819, para marcas exclusivas de microfranquias. Em ambos os casos há destoantes: franqueados com receita superior a R$ 5 mil (20% nas redes com os dois modelos e 25% em microfranquias exclusivas). Os valores não incluem o lucro das operações.

3Jovens trocam primeiro emprego por primeiro negócio
Um dos públicos que mais tem crescido entre os leads de microfranquia são os jovens recém-formados. “Saem da faculdade e querem ter a própria empresa, ao invés do primeiro emprego”, explica Adriana.
Ela ressalta, no entanto que microfranquias não podem ser vistas como franquias de menor importância ou menor qualidade. A denominação se dá apenas pelo investimento inicial reduzido, mas as obrigações são as mesmas de uma franquia tradicional, tanto do lado do franqueador, quanto do franqueado.
“O franqueado tem que pesquisar muito bem quem é a empresa antes de entrar. Um dos maiores erros que notamos é que o franqueado acaba pesquisando menos, quando se trata de microfranquia”, diz.
Em ambos os modelos de franqueadoras, jovens com ensino superior e pós-graduação são os que mais procuram pelo modelo de microfranquia. Investidores com ensino médio completo aparecem com destaque apenas em redes que operam com modelos diversos.

Não é só o investimento inicial
A especialista sugere não contar apenas com o dinheiro do investimento inicial, é importante ter reserva para os primeiros meses. “Isso é muito arriscado, precisa ter sempre um capital extra. Se a pessoa entra e investe tudo que tem, acaba quebrando em meses mais difíceis. A franqueadora tem a obrigação de deixar isso muito claro para que o franqueado não crie expectativas irreais”, afirma.
As microfranquias têm aberto as portas do franchising para quem antes não tinha experiência com negócio próprio e esse é um dos principais legados da crise, na visão de Adriana. “Ficou muito mais democrático, com qualquer investimento entra em uma rede de franquias. Com isso, muda bastante o perfil do franqueado, do franchising, como um todo, tem um lado social bacana. Mas a franqueadora precisa ter a sensibilidade de treinar e selecionar bem a pessoa”, comenta.

Eles já estão na segunda microfranquia

Os irmãos Maitê Matheus Nahfoud, 33, e Bruno Nahfoud, 37, por muitos anos atuaram nos mais variados segmentos em

Adriana Sampaio Bruno Barbosa e Fernanda Silva Nascimento são franqueadas da Emagrecentro

Adriana Sampaio Bruno Barbosa e Fernanda Silva Nascimento são franqueadas da Emagrecentrobusca de se encontrarem no mercado de trabalho, até que decidiram investir em um negócio próprio, no ano passado.

Os dois optaram pela microfranquia Sigbol Fashion, que chamou a atenção devido ao segmento em alta e suporte oferecido pela franqueadora. Em janeiro desse ano, inauguraram a primeira franquia no bairro na Vila Madalena, São Paulo, investindo R$ 70 mil.
Com o sucesso do ponto, acabam de abrir sua segunda unidade no bairro da Vila Maria, zona norte de São Paulo.

Maitê Matheus Nahfoud e Bruno Nahfoud são franqueados da Sigbol

Maitê Matheus Nahfoud e Bruno Nahfoud são franqueados da Sigbol

O mesmo caminho norteou Adriana Sampaio Bruno Barbosa, 34. Ela sempre foi boa de vendas, trabalha desde os onze anos de idade e, desde nova teve a visão de que teria seu próprio negócio. Em 2017, resolveu investir em uma franquia e escolheu a Emagrecentro, em sociedade com a amiga Fernanda Silva Nascimento, que já é franqueada em Suzano (SP).
Juntas, elas investiram cerca de R$ 40 mil no ponto de Guaianases e, em quatro meses conseguiram o retorno do investimento. O negócio deu certo e ela já abriu a segunda unidade no bairro Patriarca, com investimento inicial de cerca de R$ 38 mil e, hoje fatura em torno de R$ 40 mil.

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