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Redes rentabilizam franquias com e-commerce – Revista Franquia & Negócios ABF

Antes tida como vilã, a plataforma digital tem ajudado a aumentar os lucros das unidades franqueadas. Saiba como utilizar a tecnologia a favor do seu negócio

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20/12/2017 – O digital já faz parte da vida das pessoas, isso é incontestável. Neste exato momento, esse texto pode estar sendo lido por meio de diversas plataformas, além do impresso. Da mesma forma, o comportamento de compra não é o mesmo de dez e até cinco anos atrás. Estima-se que mais da metade das compras realizadas em lojas físicas iniciaram com uma pesquisa prévia em ferramentas digitais. “Consideramos que as lojas virtuais são complemento para as físicas, que serão cada vez mais encaradas como plataformas de serviço”, avalia o consultor da Grupo Soares Pereira & Papera (GSPP), André Luis Soares Pereira.

De acordo com a 36ª edição do estudo Webshoppers, desenvolvido pela consultoria Ebit, 25,5 milhões de pessoas fizeram, ao menos, uma compra on-line no primeiro semestre de 2017. Isso representa um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2016. As compras por dispositivos móveis aumentaram 56,2% e passaram a representar 24,6% do total de transações realizadas. Os resultados surpreenderam até mesmo a consultoria, que tinha expectativas menores. “Com a baixa da inflação, o tíquete médio não cresceu tanto. Registramos uma volta no crescimento de vendas. Isso acabou sendo um destaque bem positivo”, explica o COO da Ebit, André Dias.

ALIADO

O e-commerce tornou-se realidade nas redes de franquia. O amadurecimento do sistema fez com que as marcas incorporassem a ferramenta aos seus canais sem prejudicar os franqueados. Muitas conseguem, até mesmo, rentabilizá-los com o auxílio da plataforma. “Quando o e-commerce complementa a loja física, provocando a visita, cabe à equipe de venda ter um treinamento para o cliente ter uma boa experiência e adquirir produtos complementares ao que ele comprou”, explica Pereira.

PANORAMA

A Ebit estima que existam mais de 50 mil lojas virtuais no Brasil. “Apesar do crescimento de vendas por marketplace, lojas menores ainda criam sites próprios”, explica Dias.

No entanto, ainda existem alguns entraves que impossibilitam uma expansão mais acelerada. Pereira cita a apresentação do produto, que ainda é falha, em muitos casos, a segurança da informação e a falta de uma numeração padrão para o varejo de moda como desafios para o mercado brasileiro.

A territorialidade, quando se trata de franquias, é uma discussão que deve avançar, na percepção do especialista. Mas, hoje, em geral, as franquias já utilizam o CEP do cliente para direcionar a compra para a loja mais próxima.

A logística, sem dúvida, é o ponto que mais merece atenção, pois acaba concentrando boa parte dos comércios on-line nas regiões Sul e Sudeste. Curiosamente, o maior crescimento apresentado no estudo foi no Centro-Oeste. De acordo com o especialista da Ebit, isso se deve à construção de centros de distribuição mais  próximos e ao impacto menor da crise econômica na região.

O e-commerce brasileiro deverá seguir o caminho do nicho a partir de 2018. A avaliação é do diretor comercial do Grupo DGC, Sandro Ivo Pionkowski. Segundo ele, os números do e-commerce nacional são expressivos, mas há um contingente importante de compras feitas em sites internacionais, algo em torno de R$ 24 bilhões.

“Não estamos acompanhando o ritmo do nosso consumidor. Ele já está tão empoderado que está à frente das empresas nacionais. Ele gasta seu dinheiro lá fora ao invés de gastar no Brasil, pois encontra experiências diferentes: o leque mais abrangente de produtos, lançamentos e verticais, que são os sites especializados”, explica.

EXPANSÃO

A loja virtual da Loungerie ajuda a mapear possíveis pontos para abertura de lojas físicas. “Nós abrimos a loja de Cuiabá porque era uma das praças mais fortes de receita do e-commerce”, explica o CEO da marca, Paulo Serrano. Atualmente, a franqueadora tem conseguido direcionar clientes da loja virtual para as físicas por  meio do mailing, de acordo com o CEP, com promoções, trocas e descontos. O executivo adianta que já está em projeto trabalhar o e-commerce com o estoque das lojas.

LOGÍSTICA

Todas as vendas realizadas pelo e-commerce da Nutricentral Market são direcionadas para a franquia mais próxima, em um raio de até 10 km² do CEP do cliente. De lá, o produto é enviado pelos Correios. “Acreditamos que a longo prazo o e-commerce rentabilizará em torno de 30% do faturamento global da rede”, explica o presidente da marca, Jonas Martins. O franqueado paga uma taxa de 3% para custeios de mídias e investimento na própria plataforma.

VITRINE

O e-commerce da Urban Arts cresceu mais de 60% em 2017 e chegou à marca de 125 mil visitantes únicos. “Menos de 1% compram on-line e diversos deles vão às
galerias já com os produtos previamente escolhidos para completar a compra com a ajuda de nossos consultores”, afirma o sócio-diretor da marca, Gustavo Guedes. O executivo conta que a plataforma ajuda a divulgar a rede, mas o produto ainda tem mais apelo em lojas físicas, onde 85% das vendas são realizadas.

INTEGRAÇÃO

As matrículas e pagamento de mensalidades das Smart Fit podem ser realizadas pelo site da marca e também por totens nas unidades. “O e-commerce é a opção mais
utilizada pelos alunos”, explica o fundador e presidente do Grupo Bio Ritmo, Edgard Corona. De acordo com ele, as vendas on-line “otimizam processos, eliminam burocracias e facilitam o acesso dos consumidores”.

RENTABILIDADE

Quando a Chilli Beans colocou o e-commerce no ar, houve certa resistência na rede, que se transformou em satisfação, segundo o presidente, Caito Maia. Além da plataforma ser uma vitrine para as lojas, a marca conseguiu interligar os canais. “Fizemos um esquema para comissionar o franqueado pelo CEP. Se a venda for feita na região dele, ele ganha uma parte do valor”, explica. Atualmente as vendas on-line representam 5%, mas a marca vem trabalhando para aumentar a participação
em 15% em 2018.

 

Dez principais números do e-commerce brasileiro, no primeiro semestre de 2017:

1 – O faturamento total foi de R$ 21 bilhões, 7,5% a mais do que em 2016.

2 – 24,6% das compras foram realizadas por dispositivos móveis.

3 – 25,5 milhões de consumidores fizeram, ao menos, uma compra virtual! – 10,3% a mais do que em 2016

4 – Consumidores entre 35 e 49 anos é o perfil mais representativo, com 38%

5 – A renda familiar média do e-consumidor é de R$ 5.573.

6 – Centro-Oeste foi a única região que apresentou crescimento: passou de 6,6% para 7,3%.

7 – R$ 1,03 bilhão foi o valor total pago em fretes. A média foi de R$ 29,93 por consumidor.

8 – A maior parte dos pagamentos (48,2%) foi à vista. Em 2016 eram 42%.

9 – 50,3 milhões pedidos foram realizados no período. 3,9% a mais do que no ano anterior.

10 – 14,8% dos pedidos foram em produtos de Moda e Acessórios.

Fonte: Webshoppers – 36ª edição

 

Matéria publicada na seção Estratégia da Revista Franquia & Negócios ABF nº 76 (página 46)

 

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