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Nicho| A vez do reparo de smartphones

De olho no significativo mercado de telefonia móvel, redes veem crescimento da demanda como oportunidade para acelerar expansão

O Brasil é um dos maiores mercados de telefonia móvel em todo o mundo. Atualmente, são mais de 220 milhões de telefones espalhados por todo o território nacional, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). É mais telefone do que gente: a população nacional está estimada em 210 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso certamente enche os olhos do mercado de acessórios e reparo para dispositivos, que vê um vasto e potencial campo de atuação.

No entanto, a crise econômica e a subida do dólar desaceleraram a venda de aparelhos novos: de acordo com dados da empresa de inteligência de mercado IDC Brasil, a venda de aparelhos cresceu 9,7% em 2017 em relação a 2016, mas representou uma queda de 12,5% em relação às vendas de 2014 – o melhor ano para venda de smartphones no País, até então.
Com isso, entende-se que os consumidores estão mantendo os mesmos telefones por mais tempo, optando pela manutenção do bem à compra de um novo. Essa afirmação tem como base o aumento da demanda observado nas franquias do ramo.

Franquias do segmento
Nos últimos anos, nasceram empresas franqueadoras desse segmento em todo o Brasil. De acordo com a ABF, o segmento de Comunicação, Informática e Eletrônicos faturou R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2018. O subsegmento de reparo de celular, especificamente, cresceu 32,2% em 2017, segundo a entidade.
Na visão do sócio do escritório especializado em franquias, NB Advogados, Caio Rosa, ainda há muito mercado para ser explorado no Brasil e as franquias têm grandes oportunidades de liderar esse crescimento. “As redes de franquia especializadas possuem o know-how necessário para que esse serviço seja prestado, já que normalmente possuem um centro de treinamento dos profissionais técnicos para os consertos ou manutenção, daí um dos principais atrativos do negócio”, observa.
O que vai diferenciar as redes, na visão de Rosa, é o atendimento, a qualidade do serviço, a agilidade e também o mix de produtos oferecidos nas lojas. “A maior vantagem nesse segmento é venda de um serviço atrelado e uma gama de produtos, ou seja, o consumidor paga pelo conserto de seu aparelho e também é impactado por um enorme mix, como carregadores, capas de celular e protetores de telas”, explica.

Especialização
O sócio-fundador do Hospital do iPhone, André Reis, é otimista quanto ao potencial do mercado e aposta que haverá bons negócios por, pelo menos, dez anos. “Como qualquer bem de consumo, eles quebram, e com o valor dos aparelhos custando, às vezes, três vezes mais que um reparo, saímos ganhando sempre”, aposta. Atualmente, a rede tem focado os seus esforços de
expansão pelo interior de São Paulo, na região de Campinas.
Como o próprio nome da rede sugere, eles acreditam que um dos grandes diferenciais para ter sucesso nesse nicho é a especialização. “Além disso, há a qualidade dos insumos, respeito ao cliente e o principal: investimos muito em atendimento ao franqueado, fornecendo suporte em todas as etapas”, afirma.

Nicho cresceu na crise
O diretor Comercial da Conserta Smart, João Paulo Lopes, acredita que o nicho tenha ganhado ainda mais importância com a necessidade de economia do consumidor. “O segmento é muito promissor e tem grande potencial de mercado e escala. O hábito do consumidor brasileiro mudou após o período de recessão. O segmento visa a reduzir custos, aumentando a vida útil do seu aparelho”, afirma.
A Conserta Smart existe há quatro anos e já conseguiu internacionalizar a marca, com unidades nos Estados Unidos, Europa e África. “Estamos presentes em todos os estados brasileiros e crescendo em forma de espiral com foco nas principais cidades. Temos mais de 800 oportunidades mapeadas a nível nacional”, explica.

Gigantes miram o mercado
A empresa de assistência técnica para celular, Grupo PLL, lançou recentemente sua microfranquia #Hashtec, focada em reparo rápido de smartphones – eles prometem completar o serviço em até 40 minutos.

O Grupo contabilizou aumento de 50% na demanda por reparo de aparelhos no último ano. “Embora jovem, a #Hashtec já nasce com a estrutura e o conhecimento do Grupo PLL no reparo e serviços de pós-venda para celulares. Nesse trabalho, notamos uma grande demanda por assistência técnica ágil, de qualidade e a altura das especificações dos fabricantes”, afirma o diretor de franquias da #Hashtec, Cleber Gomes.
O Grupo PLL observa, ainda, que as redes de assistência autorizadas se concentram nas capitais e com poucas unidades, apresentando grande oportunidade para interiorização. De outro lado, os prestadores de serviço informais carecem de profissionalismo e condições técnicas para a garantia dos serviços prestados.

Desafios
Apesar das vantagens, esse é um setor com ainda mais necessidade de atualização que os demais. “Para o aprimoramento desse serviço, a rede deve, de forma constante, capacitar os seus franqueados e também a sua equipe, sendo crucial que a cada lançamento ou mudança tecnológica, ela esteja atenta aos requisitos necessários para o conserto destes aparelhos”, explica Rosa.
As fabricantes também precisam estar cientes da utilização de determinadas marcas como, por exemplo, iPhone. “Sua utilização sem autorização também pode trazer enormes prejuízos, já que, a qualquer momento, a detentora de uma marca mundialmente conhecida pode pedir a interrupção de sua veiculação não autorizada”, alerta o especialista.
O alerta também serve para quem pretende investir no segmento: antes de optar por uma marca de franquia, verifique se há o registro da marca no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), pois os franqueados também podem ser acionados por uso indevido do nome.

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