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Especial para você – Você está preparado para envelhecer? – Revista Home Angels

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Artigo publicado na Revista Home Angels nº 10 (página 10)

Pesquisa Kids and Old Age, realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU) em parceria com a Merck Consumer Health, mostra que os jovens de hoje terão menos saúde quando atingirem 65 anos em comparação aos adultos que já têm essa idade

De 2015 para 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro ao nascer passou de 75,5 para 75,8 anos, o que representa um acréscimo de três meses e onze dias. Em 1940, esta taxa era de 45,5 anos, sendo 42,9 para homens e 48,3 anos para mulheres. Ao todo, houve aumento de 30,3 anos nos últimos 76 anos.

Vários foram os fatores responsáveis por esta mudança. Na década de 40, com a incorporação dos avanços da medicina às políticas de saúde pública, o País experimentou uma primeira fase de sua transição demográfica, caracterizada pelo início da queda das taxas de mortalidade. Um pouco mais a frente, campanhas de vacinação em massa, atenção ao pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, contratação de agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil também contribuíram.

Mas, apesar de todas essas transformações e conquistas, será que, atualmente, as pessoas têm mais qualidade de vida? E será que os futuros idosos terão uma vida melhor do que os idosos atuais? Levando em conta os dados da pesquisa Kids and Old Age, realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU), braço de consultoria do grupo britânico The Economist, em parceria com a Merck Consumer Health, empresa farmacêutica e química, a resposta é não.

O estudo, que ouviu especialistas, educadores e pais de todo o mundo, constatou que os jovens de hoje terão menos saúde quando atingirem 65 anos em comparação aos adultos que já têm esta idade. A geriatra do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, Márcia Kimura Oka, concorda. “O estilo de vida presente está causando prejuízos à saúde como um todo e certamente contribuirá para o surgimento de doenças crônicas na velhice”, afirma.

Segundo a médica, as pessoas têm perdido a qualidade de vida muito por conta da correria do dia a dia. “Ninguém mais faz mais nada com tranquilidade, inclusive comer. Este, aliás, é outro ponto que merece atenção, pois a alimentação, especialmente de crianças e jovens têm sido cada vez pior, com excesso de alimentos industrializados, gordura e açúcar”.

Esta situação também foi destacada no levantamento da EIU: 32% dos educadores entrevistados contaram que muitos garotos fazem escolhas nutricionais precárias – no Brasil, essa proporção aumenta para três quartos, em contraste com pouco mais de 50% na Alemanha.

O estudo mostra ainda que as escolas até se concentram nos principais problemas detectados, como falta de exercício físico, mas ignoram temas como nutrição e cuidados com a saúde mental. Enquanto o esporte está no topo da lista de prioridades do currículo escolar, apenas 36% dos pais e educadores consultados relataram que as instituições de ensino promovem práticas mais amplas de bem-estar, como evitar o estresse.

Outro complicador é a pouca evidência de que os programas educacionais escolares estejam conseguindo deter os crescentes níveis de obesidade e distúrbios mentais. Mas é preciso destacar que estes problemas não se restringem à sala de aula: a pesquisa mostra que eles começam e se desenvolver em casa, com as crianças combinando estilo de vida sedentário com dietas pobres.

“A expectativa de vida não acompanha a realidade. Nos dias atuais, todo mundo quer fazer e acontecer, mas sem saber esperar. As crianças e os jovens têm sido cada vez mais imediatistas, eles não conseguem construir as coisas a longo prazo. O problema disso é que acabam frustrados e podem desenvolver transtornos mentais. Nunca se viu tantas pessoas com depressão e ansiedade como agora”, analisa a psicóloga especialista em doenças psicossomáticas, causadas pelo emocional, Marilene Kehdi.

Construindo uma velhice saudável

Mas o que fazer, então, para melhorar a saúde da garotada e, assim, garantir que se chegue em melhor forma na fase adulta? Para a EIU e a Merck Consumer Health o primeiro passo, e mais essencial, é uma maior integração e cooperação entre sistemas de saúde, escolas, pais e políticas públicas, tanto a nível nacional como regional.

O relatório indica ainda que se dê mais ênfase às questões amplas de bem-estar, como nutrição, exercícios e higiene, e promova boas práticas de saúde fora do currículo escolar formal. Para a médica Márcia Kimura Oka, é importante fazer as refeições com calma, e não pular nenhuma delas, em especial, o café da manhã, elaborar pratos coloridos e nutritivos, mastigar devagar e praticar atividade física. “Ao comer bem, se recebe todos os nutrientes necessários, o que elimina a necessidade de suplementação e evita uma série de doenças”.

A psicóloga Marilene Kehdi aconselha a cuidar tanto da saúde mental quanto da física, já que uma da sustentação para a outra. “É necessário realizar atividades que dêem prazer e manter a cabeça ocupada, ativa”. Ela ainda recomenda viver com equilíbrio, ou seja, não fazer nada em excesso, como comer, beber, se exercitar, usar a internet…

Além disso, a especialista garante que o quanto antes as pessoas iniciarem a preparação para a velhice, melhor. “Envelhecer com qualidade ainda é o grande desafio, por mais que a medicina avance. É preciso se preocupar com isso já na infância, a fim de adquirir bons hábitos e, assim, chegar na fase adulta com menos doenças e estresse e uma menor chance de sucumbir aos problemas”.

Informações sobre a pesquisa Kids and Old Age

O estudo Kids and Old Age envolveu cinco países ricos e de renda média: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Brasil e Índia. Seu objetivo foi determinar o grau em que boas práticas de saúde são ensinadas nas escolas e fomentadas em casa e na comunidade. Para isso, baseou-se em três correntes: pesquisa de dados secundários, para determinar o quanto se conhece sobre a educação de crianças em relação a uma visão de longo prazo de sua saúde; questionários on-line com 400 pais de alunos entre 5 e 16 anos e 101 educadores e formadores de políticas públicas que atuam com estudantes; e entrevistas em profundidade com 18 especialistas de todo o mundo. Ela foi realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU) e pela Merck Consumer Health em 2017.

 

Artigo publicado na Revista Home Angels nº 10 (página 10)

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