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Escrever pela vida – Revista The Message

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AlphaGraphics Brasil promove lançamento dos livros no Museu da Imigração, em São Paulo

Crianças refugiadas no Brasil lançam livros através de uma parceria entre AlphaGraphics, Estante Mágica e Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado

Matéria publicada na seção Especial da Revista The Message nº 8  (página 4) – Dez/Jan/Fev 2018

10/01/2018 – Ter um quarto de princesa, ver um unicórnio, ser jogador de futebol ou astronauta, morar perto da praia. Esses sonhos, que poderiam ser de qualquer criança, fazem parte do imaginário de um grupo muito especial, formado por meninos e meninas de 3 a 15 anos, que vieram para o Brasil fugindo da guerra em seus países de origem (Angola, Colômbia, Haiti, Nigéria, República Democrática do Congo e Síria).

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para o Refúgio (Acnur), no primeiro semestre de 2016, 3,2 milhões de pessoas foram forçadas a sair dos locais de residência devido a conflitos ou perseguições. No Brasil, pelos dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), de 2010 até o ano passado, 9.550 indivíduos, de 82 nacionalidades, tiveram sua condição de refugiados reconhecida.

Desse total, 9% têm de 0 a 12 anos, e 2%, de 13 e 17. E foram 22 dessas crianças que relataram os desejos citados no começo desta matéria. Selecionadas para um projeto resultante da parceria entre a AlphaGraphics, o Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado e a Estante Mágica, plataforma de programas pedagógicos, elas colocaram no papel um pouco de suas histórias e aspirações e as compartilharam na primeira coleção brasileira de livros infantis escritos por pequenos refugiados.

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Rodrigo Abreu, sócio-diretor da AlphaGraphics Brasil, e Marcelo Haydu, diretor do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado

“Essa garotada tem poucas oportunidades de educação. São mais de 3,5 milhões fora da escola no mundo, sendo que essa questão deveria ser considerada uma parte essencial das operações humanitárias com refugiados”, comenta o presidente da AG no Brasil e conselheiro do Adus, Rodrigo Abreu. “Por conta disso, e também pelo fato de eles, com tão pouca idade, já terem passado por muitos momentos difíceis, resolvemos fazer alguma coisa”, acrescenta.

Segundo o executivo, os objetivos principais da ação foram ajudar o desenvolvimento dessas crianças e na sua inclusão na sociedade brasileira, e o tema sonho foi o escolhido para ser trabalhado para que elas pudessem lidar apenas com o lado positivo de suas vidas. “Esses meninos e meninas, independentemente dos desafios que tiveram de enfrentar, não deixaram de sonhar. Com eles, tivemos acesso a histórias muito emocionantes, e o mais tocante foi ver que muitas desejam nada para si mesmas, mas sim para o mundo e, principalmente, para os países onde nasceram, a paz”, diz Abreu.

PREPARAÇÃO

A seleção de quem participaria do projeto ficou a cargo do Adus. O diretor da instituição, Marcelo Haydu, conta que foi tomado todo o cuidado para não expor as crianças e também para que a experiência só fizesse bem para elas. “Decidimos não seguir o caminho das tragédias pessoais, para que elas não ficassem rememorando o conflito”.

Para ele, o grande valor da coleção de livros foi dar voz aos pequenos, um grupo que nem sempre é muito lembrado quando se trata de refugiados. “Normalmente são
realizadas ações pontuais com eles.  Essa foi a oportunidade perfeita para fazer algo bacana, bonito e de visibilidade, exclusivamente para eles”, completa.

Durante a elaboração das obras, quem teve um papel mais participativo foi a equipe da Estante Mágica. “O processo durou dois dias, e foi incrível ver crianças de nacionalidades e personalidades tão diferentes se unindo e virando amigas. Esses meninos e meninas são muito mais do que histórias de guerra, e nos enchem de esperança de um mundo melhor e com paz”, destaca a head de novas oportunidades da empresa, Ana Beatriz Cavalcanti Castor, mais conhecida como Aninha.

Com os livros já lançados, o próximo passo deve ser a ampliação do projeto, integrando cada vez mais crianças. A renda obtida com as vendas será revertida para as famílias participantes, e ainda há planos de se fazer um leilão para arrecadar mais fundos e, assim, oferecer-lhes uma ajuda maior.

 

De 2010 a 2016, 9.550 indivíduos, de 82 nacionalidades, tiveram sua condição de refugiados reconhecida no Brasil

Recebi muita ajuda 

“Eu nunca pensei que escreveria um livro. Foi uma experiência difícil, porque eu não sabia por onde começar, mas adorei. E o pessoal da Estante Mágica me ajudou muito. Na verdade, as pessoas todas do Brasil ajudam bastante a minha família desde que chegamos, em 2014. Sou muito feliz aqui, tenho vários amigos”. Mohammad Zarba, 10 anos, natural da Síria

Sonho Em Ser Jogador

“Gostei de escrever o livro. Falei sobre futebol, porque meu sonho é ser um jogador como o Messi. Sou fã dele, e também dos jogadores brasileiros. Assisto muitos
jogos desde que eu e minha família (pais e dois irmãos) viemos para o Brasil. Faz seis meses”. Isaac Orimakinde, 8 anos, natural da Nigéria

Pretendo escrever mais

“Estou no Brasil, junto com meus pais e cinco irmãos, há um ano. Viemos fugindo da guerra. Aqui me sinto acolhida e respeitada. E gostei ainda mais desse País
quando fui chamada para escrever o livro. Esse já era um sonho meu, e no futuro pretender escrever outros”. Shahad Al Saiddaad, 12 anos, natural da Síria

Quero ver um unicórnio

“Vim para o Brasil com meus pais e minha irmã gêmea por causa da guerra. Já faz seis anos que moro aqui, e o que mais gosto é da comida e de ter televisão com
youtube. No livro eu conto que quero ver um unicórnio, mas sei que não existe”. Samira Samba, 8 anos, natural da República Democrática do Congo

Quero ser surfista

“Fiquei feliz com o meu primeiro livro. Acho até que quero escrever outro. O meu maior sonho é morar perto da praia, adoro água. Quero ser surfista. Ainda bem que
o Brasil tem bastante mar”. Suzana Samba, 8 anos, natural da República Democrática do Congo

 

CONHEÇA MELHOR OS PARCEIROS DA ALPHAGRAPHICS

Estante Mágica

Criada em 2009 e com mais de 100 mil alunos atendidos, a empresa elabora projetos pedagógicos para alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de competências cognitivas, interpessoais e intrapessoais, que serão utilizadas não somente no vestibular, mas também na vida. Seu funcionamento se dá da seguinte forma: as escolas se cadastram e podem escolher um dos programas oferecidos. A partir daí, o professor aplica o escolhido na sala de aula e cada aluno conta sua própria história, que depois será transformada em um livro de verdade. A conclusão acontece em um evento de autógrafos, organizado pela instituição de ensino, com a participação dos pais, parentes e amigos do autor.

Saiba mais em www.estantemagica.com.br

 

Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado 

Fundado em 2010, o Adus é uma organização da Sociedade Civil de Interesse Público que atua na cidade de São Paulo junto aos refugiados e outros estrangeiros vítimas de migrações forçadas, a fim de reduzir os obstáculos que enfrentam para sua efetiva reintegração na sociedade. A entidade oferece aulas de português, cursos de qualificação profissional, apoio psicológico, inserção no mercado de trabalho, instrução e preparação em empreendedorismo e ações culturais. Também conta com uma escola de idiomas, na qual refugiados ministram aulas de inglês, francês e árabe, e um projeto de gastronomia para a realização de workshops e serviço de catering. Atende cerca de 500 pessoas por mês, provenientes de mais de 50 países.

Acesse www.adus.org.br

 

Matéria publicada na seção Especial da Revista The Message nº 8  (página 4) – Dez/Jan/Fev 2018

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