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Beleza não tem idade – Revista Home Angels

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Homens e mulheres com mais de 60 anos têm sido cada vez mais procurados pelos mercados publicitário e da moda para participar de desfiles, comerciais de televisão e campanhas fotográficas

 Matéria publicada na seção Especial para Você da Revista Home Angels nº 9 (página 10)

homeangels_09_especialparavoce_pg10_309/08/2017 – Pela definição do dicionário, o significado de beleza é: qualidade, propriedade e caráter do ser ou da coisa que desperta sentimento de êxtase, admiração ou prazer através dos sentidos. Em um mundo cheio de padrões estéticos, no entanto, o entendimento de beleza se distanciou desse seu real significado e ser bonito virou sinônimo de juventude. Com isso, para muitos, envelhecer tornou-se quase um pecado e o decreto de que a beleza chegou ao fim. Será mesmo?

A resposta é não, prova disso é que cada vez mais homens e mulheres com mais de 60 anos têm investido na carreira de modelo. Fora do Brasil, Iris Apfel, de 95 anos, Carmen Dell’Orefice, de 86 anos, Deshun Wang, de 80 anos, Veruschka von Lehndorff, de 78 anos, Philippe Dumas, de 60 anos, e Yasmina Rossi, de 59 anos, são apenas alguns dos nomes que têm feito o maior sucesso no mercado publicitário.

E por aqui a história não é diferente. A eterna garota de Ipanema, Helô Pinheiro (foto ao lado), é um exemplo de como é possível continuar bela e elegante aos 71 anos. A modelo, atriz, apresentadora, jornalista e empresária começou na carreia aos 16 anos, fazendo desfiles e fotos para uma série de marcas. Mais tarde, atuou em novelas na Band e na Globo, e também comandou diversos programas televisivos – o último foi o Ser Mulher, no canal a cabo Fox Life, ao lado da filha Ticiane Pinheiro, sua filha.

Ativa e agitada, a musa segue na profissão, mas ampliou sua área de atuação. Hoje em dia, além de desfiles e comerciais, ela apresenta shows, faz palestras e tem duas linhas de roupas, a Garota de Ipanema e a Helô Pinheiro by Amarras. “Eu sempre procuro algo para fazer, não consigo ficar parada. A vida só tem graça quando a gente trabalha e se diverte”, comenta.

Apesar da rotina corrida, Helô revela que não descuida da saúde e da aparência. Pelo menos três vezes por semana ela frequenta a academia, onde faz aerojazz, musculação e esteira; uma ou duas vezes ao ano aplica botox (em volta dos olhos e da testa); tem uma alimentação equilibrada – mas sem neurose – e nunca dorme maquiada. Ela também dá atenção especial aos cabelos e unhas, e está sempre impecavelmente arrumada. “Procuro ficar bem para mim, e não para os outros. Claro que receber elogios é uma delícia e ajuda na autoestima, mas, no geral, o que busco é bem-estar. Estou aqui para aproveitar a vida”, complementa.

Com início diferente da garota de Ipanema, a advogada carioca Jeanette Polmon, de 67 anos, começou a modelar há sete anos. “Descoberta” por uma socialite, que lhe achou bonita e indicou que fizesse um curso de modelo e manequim, ela trocou a carreira de funcionária pública federal pelas passarelas e lentes das câmeras fotográficas. Só que, atualmente, quem a vê feliz e realizada, nem imagina que ela já enfrentou um câncer de mama.

“Aos 59 anos, descobri a doença. Fiz cirurgia e radioterapia. Quando a perícia não me liberou para voltar ao trabalho no Ministério da Saúde, tive de me aposentar. Sofri um baque, e só pensava no que iria fazer dali por diante”, recorda. A resposta veio em pouco tempo, e Jeanette, agora, é bastante requisitada para desfiles e campanhas de moda. Mãe de dois filhos, de 48 e 45 anos, e avó de quatro netos, com idades entre 8 e 21 anos, ela também faz parte do projeto Senhoras do Calendário, que retrata apenas mulheres com mais de 40 anos – presente em todas as edições do anuário, ela já foi fotografa de lingerie e até nua.

“Essa nova profissão simplesmente aconteceu na minha vida, e provocou uma mudança radical, além de ter me ajudado a superar o câncer e elevar a minha autoestima. Sou apaixonada pelo o que faço, e a impressão que tenho é de que nasci para isso”, afirma. Com convites aparecendo o tempo todo, a modelo diz que ficou mais vaidosa. “Passei a me cuidar muito mais, sem contar que a idade já exige mais atenção com a saúde, a pele, os cabelos…”, acrescenta.

Na sua rotina de beleza estão limpeza de pele a cada dois meses, manicure e pedicure toda semana, academia três vezes por semana, massagens às terças e quintas-feiras e alimentação saudável – frutas, verduras e legumes fazem parte do seu cardápio diário. “Tudo o que faço me ajuda a viver melhor e mais feliz”, destaca.

 

Mercado crescente

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, a First Model Agency tem investido bastante em modelos da melhor idade. Segundo a agenciadora Geovana Borges, desde a fundação da empresa, em 1998, o casting traz homens e mulheres mais velhos – atualmente, são 14, com idade entre 60 e 90 anos.

“Nosso primeiro trabalho, inclusive, foi com esse público. Há muito espaço, especialmente nos dias de hoje, quando estão cada vez mais em voga os lançamentos de produtos visando a longevidade e o bem-estar”, assegura a profissional, que adora trabalhar com idosos. “Eles estão extremamente alegres, responsáveis e não se cansam tão facilmente, como muita gente pode pensar”.

Entre os modelos da agência está Wilson Ademar Manderley, de 65 anos. “Eu trabalhava como garçom, e recebi a proposta de gravar um comercial. No dia, tive um imprevisto e não pude ir, mas fiquei com aquilo na cabeça, não queria perder essa oportunidade. Depois de algum tempo fui atrás e as portas se abriram para mim”, comemora.

Realizado na nova carreira, o “ex-aposentado”, além de participar de propagandas de televisão, está fazendo um curso de teatro, oferecido pela própria First. “Essa fase está sendo muito prazerosa. Estou experimentando e realizando coisas que nunca imaginei, e não pretendo parar tão cedo. Antes disso, tive momentos complicados, sofri de depressão, mas agora estou ótimo e tenho perspectivas, fora que passei a me cuidar melhor”, enfatiza.

Maria Yvette Fontes da Silva, de 80 anos, também faz parte do elenco da agência de Ribeirão Preto. Há cerca de dez anos, um conhecido a aconselhou a fazer um book. Imediatamente ela aceitou o desafio e, com as fotos em mãos, começou a fotografar e gravar comerciais. Viúva, com cinco filhos, cinco netos e dois bisnetos, a modelo adora ter novas experiências, tanto que o que ela busca agora é ser chamada para alguma campanha internacional.

“Estou louca para que isso aconteça. Quero conquistar muitas coisas ainda nesta profissão, e a idade não me amedronta em nada”, declara. Vaidosa, Maria Yvette gosta de estar sempre bem arrumada. “Ainda não me vi com cabelos brancos, tinjo todos os meses. Também faço as unhas semanalmente e não saio de casa sem blush e batom. Cuido bastante da minha aparência e do meu corpo. Primeiro porque trabalho com imagem, e segundo porque já não tenho mais vinte anos”.

E se você acha que modelar já está bom para ela? Que nada. Cheia de energia, a também atriz canta em um coral e faz aulas de tai chi chuan e dança de salão. “Faço tudo o que aparece e que tenho condições, claro. Velhice não é doença, e só porque passamos dos 60 anos não significa que temos de ficar quietos em casa. A idade só pesa se você permitir, e aqui eu não permito”. Ao contrário do que prega a sociedade dos padrões estéticos, beleza não tem idade. Tem atitude.

 

Novas experiências melhoram a autoestima e a qualidade de vida

Segundo a coordenadora nacional do curso de psicologia da Faculdade Estácio, Claudia Behar, a ideia de beleza está tradicionalmente ligada à juventude, sendo muito relacionada com o período reprodutivo da mulher. Em compensação, diz ela, como a expectativa de vida aumentou, as empresas têm investido mais nesse público.

“A aposentadoria é uma época de extrema dificuldade, com elevados índices de depressão. Para quem sempre foi útil, ela representa a exclusão da sociedade. Porém, com essa mudança pelo qual o mundo vem passando, tem sido possível se renovar e investir em outras áreas, o que é muito benéfico para a qualidade de vida e a saúde mental”, acrescenta a psicóloga.

Valorização, aceitação e autoestima são fundamentais para a melhor idade. A neuropsicóloga, master coach e palestrante Melcina Moura Moreno comenta que nessa época da vida é imprescindível ter objetivos, ideais e expectativas, assim como na juventude. “Também é preciso se ocupar. A pessoa modelar, desfilar ou praticar qualquer atividade nova depois dos 60 é uma maravilha”.

Como explica a profissional, o cérebro do ser humano é neoplástico, o que significa que ele permite inúmeras conexões em frações de segundos. Com o envelhecimento, esse trabalho se torna mais lento, mas continua a ocorrer. “É por isso que conseguimos aprender mesmo mais velhos. E quanto mais aprendemos, mais a nossa mente fica saudável e arejada, nos proporcionando rejuvenescimento e alegria”, conclui a médica.

 

Matéria publicada na seção Especial para Você da Revista Home Angels nº 9 (página 10)

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