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Aprendizado externo valoriza o negócio interno – Revista Franquia & Negócios ABF

revista_franquia_internacionalizacao_76_pg52_2Redes de franquia com operações internacionais contam como conseguiram melhorar unidades brasileiras com processos aprendidos em outros países

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Por Paulo Gratão

19/12/2017 – Quando uma franqueadora decide exportar seu modelo de negócios, ela precisa também se abrir para absorver o que o novo mercado tem a ensinar. Muitas redes mantêm operações no exterior com o intuito de aperfeiçoar e até valorizar as unidades nacionais.

“A experiência sempre é boa. No entanto, é preciso ter foco: franquias que abrem em diversos países ao mesmo tempo têm dificuldade para equalizar essas informações”, avalia o diretor da consultoria Netplan, Daniel Bernard.

GANHOS FINANCEIROS

As cinco lojas norte-americanas do Spoleto mostraram para a marca que é mais viável que o gerente seja o chef de cozinha do que um administrador. Com essa habilidade, o profissional tem visão mais acurada sobre o que é necessário comprar ou repor na cozinha, que é o core business da empresa.

Depois de ver o resultado nas lojas internacionais, a rede iniciou a adaptação das unidades brasileiras em julho de 2016. Com o primeiro piloto já aumentou o faturamento em 56% e o volume de clientes em 30%. “Todos os restaurantes convertidos têm um treinamento específico para transformar o gerente em chef de cozinha. Já temos 20% da rede no novo modelo”, explica a diretora do Spoleto, Viviane Barros.

A expectativa é converter 100 lojas em 2018 e toda a rede até 2020. “Acredito que teríamos chegado à essa conclusão no Brasil sem ir para o exterior, mas levaria muito mais tempo. A cultura gastronômica dos EUA ajudou a acelerar o processo”, revela.

CONCEITO

Para a imersão no mercado norte-americano, o Spoleto montou um time com conselheiros, franqueados e até gerentes de loja para visitar as operações durante 15 dias e estudar como aplicar o modelo no Brasil. Além de converter os gerentes administrativos em chefs de cozinha, a marca entendeu que o conceito de loja precisaria ser revisto.

Hoje, as unidades começam a trazer a cozinha para a frente do balcão, o que confere um aspecto mais gourmet à marca. Na entrega do prato, o queijo parmesão é ralado na frente do cliente e ainda é possível escolher entre duas finalizações, com azeite trufado ou creme balsâmico, batizadas de “toque do chef”. “No primeiro bimestre de 2018, todas as lojas passarão a trabalhar apenas com vegetais orgânicos. Foi outra inovação que veio dos restaurantes dos Estados Unidos”, adianta Viviane.

Você Sabia? De acordo com a ABF, 134 redes brasileiras atuam em 60 países. Os maiores destinos são Estados Unidos, com 37, Paraguai, com 25, e Portugal, com 21.

REGRAS GLOBAIS

A Puket passou a padronizar a modelagem de suas peças, em todo o mundo, de acordo com as normas norte-americanas. Atualmente eles estão no Paraguai, Peru, Bolívia, Panamá, Catar e Emirados Árabes. “Todos os produtos hoje no Brasil atendem regras rígidas internacionais. Para o consumidor talvez não seja tão perceptível, mas o nível de toxidade da estampa, por exemplo, está adequado às exigências globais”, explica a gerente de expansão nacional e internacional
da rede, Liliana Martins.

Bernard acredita que as oportunidades de aprendizado são reais, mas as redes precisam ficar atentas a detalhes importantes, como estratégia, peculiaridades de cada mercado, visão de longo prazo e, sobretudo, legislação. “Tem elementos que não são franqueáveis em todos os países, dada a escala, legislação e hábitos. Então tudo isso precisa ser levado em consideração”, avisa.

INVESTIMENTO COMPENSA, MAS…

A internacionalização fez com que o Giraffas tivesse acesso a mais metodologias. O presidente da rede, Alexandre Guerra, comenta que isso ajudou a aperfeiçoar os processos locais. “Reformulamos nossa comunicação visual com base em trabalhos feitos nos Estados Unidos. Adaptamos ferramentas envolvendo tecnologias e gestão que ajudam a aumentar a produtividade. Isso melhorou nosso nível de excelência no Brasil”, explica.

Na visão do executivo, a atuação no exterior ajuda a valorizar a marca no Brasil, mas esse não deve ser o elemento principal na expansão. “Não justifica um movimento de internacionalização. Em termos institucionais, por exemplo, como posição nos formadores de opinião, fortalece, mas não justifica o alto investimento”, comenta.

Matéria publicada na seção Internacionalização da Revista Franquia & Negócios ABF nº 76 (página 52)

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