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A mulher no franchising

Claudia Del Valle (Ahoba Viagens), Simone Carreira (Mary Help), Cibele de Freitas (Sigbol Fashion), Luzia Costa (Sóbrancelhas) e Valéria Verdi (Torteria Haguanaboka)

Claudia Del Valle (Ahoba Viagens), Simone Carreira (Mary Help), Cibele de Freitas (Sigbol Fashion), Luzia Costa (Sóbrancelhas) e Valéria Verdi (Torteria Haguanaboka)

No Dia Internacional da Mulher, executivas falam sobre os desafios de se estar à frente de um negócio e dão dicas para aquelas que desejam abrir uma franquia

 

Todo dia é dia da mulher, isso todos nós sabemos! Mas hoje, data em que é comemorada o Dia Internacional da Mulher, vamos aproveitar o momento para celebrar a presença feminina no setor de franquias, que tem crescido a cada ano.

Segundo pesquisa feita pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em 2015, embora 46% das franqueadoras não possuem mulheres em cargo executivo, 12% dessas empresas a liderança é exclusivamente feminina. Dentre as franqueadoras pesquisadas, 33% das colaboradoras estão em função executiva, 52% em cargo gerencial, 54% de supervisão, 36% no Conselho e a maioria, 60%, em outras funções.

O levantamento também revelou que, quanto mais nova é a empresa, maior é a participação feminina em cargos executivos. Nas franqueadoras com até cinco anos de mercado, 40% das funções executivas estão com as mulheres. Entre as redes de seis a dez anos o índice é de 34%. Já nas empresas a partir de dez anos, as executivas são 31% do corpo diretivo.

Diante da presença feminina que se torna cada vez mais significativa no setor de franquias, conversamos com algumas mulheres que batalharam por seu espaço e hoje marcam presença em negócios da área. Aqui, elas dividem conosco algumas de suas impressões, experiências e oferecem algumas dicas para aquelas que querem abrir sua própria franquia.

Diferenciais e desafios

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Valéria Verdi, da Torteria Haguanaboka, e Luzia Costa, da Sóbrancelhas

Conciliar tarefas diferentes ao mesmo tempo, estar atenta aos detalhes e ter uma sensibilidade e afetividade maior a questões externas são, sem dúvida, algumas das fortes qualidades presentes nas mulheres, independente da área em que atuam. E estas características tornam-se ainda mais necessárias na hora de liderar uma franquia. “Somos detalhistas, cuidadosas por natureza e, além disso, nossa dedicação em todas as etapas do negócio é, com certeza, um dos fatores que tem feito a presença feminina crescer cada vez mais no franchising”, comenta a diretora e fundadora da marca Torteria Haguanaboka, Valéria Verdi. “A mulher de hoje é sensata e criteriosa, por isso sempre pensa em cada detalhe e consegue projetar bem o que quer, além de ter garra, persistência e constância, que são características marcantes das empreendedoras”, destaca a fundadora da Sóbrancelhas, Luzia Costa.

O cotidiano no mundo dos negócios, por si só, já é desafiador. E para a mulher empreendedora, tantos outros fatores surgem para somar aos questionamentos e incertezas presentes no dia a dia. “O maior desafio é enfrentar nosso medos e crenças, pois desde que somos pequenas, o mundo nos mostra que os homens se arriscam e empreendem mais do que nós. Por isso, neste momento, é muito importante o apoio da família e das pessoas próximas”, destaca a franqueada Marcia Soares da Silva, da Seguralta.  Equilibrar a vida pessoal e profissional também é um desafio bem comum, como aponta a diretora financeira da Light Food Way, Karla Nadir. “Principalmente para mães que empreendem e simultaneamente necessitam gerenciar suas famílias. Descobrir formas de dedicar tempo para a família e o empreendedorismo – sem que um atropele o outro – é um grande desafio, mas que pode ser alcançado com paciência, organização e disciplina”, comenta. Para a diretora da Sigbol Fashion, Cibele de Freitas, dar a devida dedicação também se torna um outro grande desafio. “Qualquer empreendedor precisa se dedicar, olhar com carinho e atenção cada parte da empresa, o comportamento dos funcionários, saber ouvir, motivar, orientar e principalmente, ser flexível”, completa a executiva.

Inspiração

PREMIO DESTAQUE PARA ENTREVISTA

Luciana Pereira e Marcia Soares da Silva, da Seguralta

Especialmente no momento em que estamos vivendo, com tantas incertezas tanto na área política quanto econômica, a busca por um negócio próprio tem se tornado um objetivo cada vez mais frequente para tantas mulheres. Foi em um momento de dificuldade que as franqueadas da Seguralta, Márcia Soares da Silva e Luciana Pereira viram no setor de franquias uma boa alternativa para seus investimentos. “Estava em busca de um emprego, pois havia saído de uma boa empresa e não estava encontrando algo que suprisse minhas necessidades. Havia acabado de concluir um curso de Coaching Financeiro, que me fez concluir que investir em franquias era mais seguro. Quando fiquei sabendo que a Márcia estava na mesma busca, arrisquei ligar e convidá-la para buscar esse sonho comigo”, relembra Luciana. “Entrei para franquia após perder o emprego. Havia acabado de voltar da licença maternidade e a empresa me dispensou. Com uma bebê de cinco meses, fui tentar outros empregos e sempre empacava na hora em que me perguntavam se eu tinha filhos. Foi nesse momento que a Luciana me ligou e sugeriu investirmos juntas”, explica Márcia, que abriu uma franquia em parceria com a amiga. “Após fazer pesquisas de mercado, descobrimos que seria um ótimo negócio por estar sempre em crescimento, além da estrutura de franquia em que poderíamos ter todo o amparo que precisávamos para desenvolver o negócio”.

Após os desafios iniciais, enfrentar as surpresas em meio à trajetória é uma tarefa essencial para todas as mulheres que abrem sua própria empresa. O caminho, que se espera ser só de crescimento, às vezes apresenta uma série de percalços e exige uma boa dose de jogo de cintura. “Certa vez, as funcionárias de uma de uma de minhas lojas pediram demissão para tentar a sorte em uma doceria concorrente. Da noite para o dia eu, que já estava mais envolvida com a parte administrativa do negócio, tive que voltar para a cozinha e preparar todo o cardápio do dia seguinte, ou não conseguiria levantar as portas”, conta Valéria Verdi, da Torteria Haguanaboka. “Arregacei as mangas e simplesmente fui lá e fiz o que melhor sei fazer: cozinhar!”

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Claudia Del Valle, da Ahoba Viagens, Simone Carreira, da Mary Help, e Cibele de Freitas, da Sigbol Fashion

Para as mulheres que querem investir em uma franquia, algumas dicas podem ajudar a dar esse importante passo. A diretora da rede Ahoba Viagens, Claudia Del Valle, por exemplo, destaca que é fundamental que a mulher busque por uma franquia que corresponda a suas necessidades e sempre em conta o seu cotidiano, a dinâmica diária em família e, principalmente, o tempo que terá que dispor para se dedicar ao seu novo negócio. “O seu novo negócio exigirá muito mais foco que trabalhar para empresas e a dedicação terá que ser constante. Tempo será necessário não apenas para executar tarefas, mas para planejamentos e estratégias que farão a diferença na sua trajetória”, completa. Para a franqueada da rede Mary Help, Simone Carreira, também é fundamental estudar o mercado logo no início. “Entenda profundamente o potencial do negócio, questione a franqueadora, converse com outros franqueados, monte seu plano de negócios e reserve seu fluxo de caixa”, completa Simone. Karla Nadir, da Light Food Way, também destaca a importância de fazer uma análise prévia. “É importante não ter pressa em analisar números, resultados, bem como documentação da rede procurando profissionais especializados e tirar todas as dúvidas que possam existir durante estes processos junto à franqueadora”. E o mais importante. “Sonhe, projete, se organize, mas principalmente, faça!” sugere Cibele de Freitas, da Sigbol. “Agregue pessoas, construa uma equipe sólida e motivada, escute, ninguém faz nada sozinho”.

(Por Juliana Parollo)

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